sábado, 29 de abril de 2017

A poluição do ar nos sistemas de metrô pode ser muito pior do que imaginávamos


Como qualquer um que já andou de metrô sabe, o ar lá embaixo é desagradável. Uma nova pesquisa feita no Canadá mostra que os níveis de poluição do ar no sistema de metrô de Toronto são dez vezes maiores do que os da superfície. É uma preocupação séria para os usuários do metrô, mas existem maneiras de manter os sistemas subterrâneos limpos.

Um novo estudo realizado pelo engenheiro químico Greg Evans, da Universidade de Toronto, que foi publicado na Environmental Science and Technology, mostra que os trens e as plataformas ao longo da Toronto Transit Commission (TTC) têm os níveis mais altos de poluição do ar em todos os três sistemas de metrô do Canadá — dez vezes maiores do que o ar de fora. Os níveis de poluição no metrô de Toronto são três vezes piores do que os de Montreal, enquanto o de Vancouver foi classificado como o mais limpo dos três sistemas de metrô do país.

Para obter esses resultados, os pesquisadores recrutaram os estudantes da universidade e os equiparam com instrumentos portáteis que mediram pequenas partículas no ar menores do que 0,00025 centímetros, ou 25 microgramas. Materiais particulados tão pequenos são facilmente inalados e podem causar problemas respiratórios e dano aos tecidos pulmonares.

A poluição em Toronto tem, em média, dez microgramas por metro cúbico de ar, mas pode chegar a 30 em um dia especialmente ruim. Ao longo do TTC, no entanto, os níveis chegaram a até cem microgramas de poluentes por metro cúbico. Isso é tão ruim quanto em Beijing em um dia normal. Uma análise posterior mostrou altas concentrações de metais, que oferecem uma dica às origens da poluição: as rodas e os freios dos trens de metrô em si.

“Quando você está de pé na plataforma, você pode sentir um sopro de ar conforme o metrô chega”, Evans explicou ao Gizmodo. “Isso é porque o trem está vindo do túnel como um pistão, empurrando o ar na sua frente. Metrôs são basicamente abaixo da terra, então não tem para onde as partículas irem. Quando um trem chega à estação, ele faz a poeira e as partículas irem para o ar.” Evans acha que muito das partículas está vindo das rodas de metal nos trilhos. Traços de bário também foram encontrados nas amostras de ar, que provavelmente vem dos freios em si.

Evans diz que os níveis de poluição nos metrôs de Toronto são maiores do que ele gostaria, mas que não é algo que o impeça de andar de metrô. Posto isso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classifica uma leitura acima de 101 microgramas como insalubre para grupos sensíveis. O problema é que os efeitos da exposição intermitente a esses níveis de poluição do ar não são completamente conhecidos. “Nós não sabemos realmente quais os riscos de saúde ao andar de metrô”, Evans disse. “É uma área pouco estudada.”

Não precisamos notar que esse estudo deveria atrair a atenção de outros sistemas de metrô e autoridades ao redor do mundo. Até agora, apenas uma pequena porção de sistemas de metrô conduziram estudos similares, e os que conduziram encontraram resultados parecidos. Evans apontou estudos feitos em Barcelona, na Espanha, e em Seul, na Coreia do Sul, onde os níveis de poluição eram similares aos observados em Toronto. “Acho que [os metrôs de outras cidades] devem definitivamente conduzir estudos similares se não o fizeram ainda e descobrir como estão seus sistemas particulares”, Evans disse.

Felizmente, existem formas de manter o ar nas linhas de metrô limpo. Evans propôs um sistema parecido com aspiradores, em que sejam feitas limpezas periódicas nos túneis. Outra solução rápida seria os operadores de trem usarem os freios antes de entrar na estação, permitindo aos trens chegarem devagar. Isso preveniria um acúmulo de resíduo de freio próximo às estações. Por fim, Evans disse que seria uma boa ideia melhorar o sistema de ventilação dentro dos metrôs.

Esse novo estudo acrescenta ao nosso conhecimento sobre todas essas coisas nefastas que nos esperam em estações de metrô. Em 2015, pesquisadores encontraram 15.152 formas de vida ao longo das 466 estações de metrô de Nova York. Incrivelmente, metade do DNA desses microorganismos não bateu com nada na literatura científica.

[Environmental Science and Technology]

Ariquemes – 27/04/2017

2 comentários:

Anônimo disse...

Enquanto isto
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/30/politica/1485802821_227320.html

Se o público não resolve , o privado também!

O mais elucidativo texto que já li a respeito ...

SINFERP disse...

Sim, texto muito bom, e aproveitado. Gratos.