quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CPTM terá que pagar indenização para passageira que sofreu queda ao desembarcar de trem


O valor da indenização foi fixado em R$ 30 mil.

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi condenada a indenizar em R$ 30 mil passageira que sofreu queda quando desembarcava de uma das composições. A decisão foi proferida pela 19ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Consta dos autos que a passageira – uma idosa – fraturou um dos joelhos ao cair no vão existente entre o trem e a plataforma e, diante do ocorrido, ajuizou ação pleiteando indenização. Em sua defesa, a empresa alegou culpa exclusiva da vítima.

Para o relator do recurso, desembargador João Camillo de Almeida Prado Costa, é responsabilidade da empresa transportar os passageiros ilesos aos seus destinos, fato que não ocorreu. “O certo é que o defeito do serviço resulta inquestionável da constatação da falta de segurança no que tange à organização e prevenção no sentido de que os usuários do trem não sejam submetidos à utilização de serviços deficientes.”

Os desembargadores Ricardo Pessoa de Mello Belli e Cláudia Grieco Tabosa Pessoa também integraram a turma julgadora, que votou de forma unânime.

Apelação n° 0035687-66.2013.8.26.0007

Jornal Jurid – 30/08/2016

Comentário do SINFERP

Esse descaso só terá fim no dia que gestores da CPTM pagarem, com dinheiro do bolso,  valor dessas justíssima condenações.

Manifestação contra demissões no Metrô percorre ruas do centro em São Paulo


Contra demissões arbitrárias da empresa, metroviários reivindicam reintegração imediata de funcionários demitidos no último mês, em SP.



A manifestação que começou na Estação Sé e seguiu até o prédio da administração central do Metrô reuniu dezenas de metroviários contra as demissões arbitrárias da empresa no último mês.

Abaixo reproduzimos declaração da Chapa 5-Nossa Classe Pela Base sobre a manifestação:

"Hoje teve um ato importante na Sé, que foi até o prédio Cidade 2 exigir a reintegração dos 4 metroviários demitidos no último mês. Depois de uma postura intransigente, o metro aceitou receber diretores do Sindicato e da Fenametro. Nessa reunião simplesmente anotaram os relatos pela reversão das demissões, e disseram que vão encaminhar os pedidos para o Diretor Mario Fioratti, para então se posicionar. Para manter a mobilização na próxima semana terá um adesivo para todos usarmos pela volta dos companheiros."

Mundo Operário – 26/08/2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Moradores de Santa Teresa (RJ) lembram acidente e pedem volta plena do bonde


Secretaria informou que bonde está circulando desde a semana anterior aos Jogos Olímpicos.

Cinco anos após o acidente ocorrido em 27 de agosto de 2011, quando o descarrilamento de um bonde deixou seis mortos e mais de 50 feridos, moradores de Santa Teresa, na região central do Rio, realizaram neste sábado (27) uma manifestação pelo funcionamento pleno do tradicional meio de transporte, que é um dos cartões-postais do bairro.

Em alusão à Rio 2016, o protesto, intitulado Prova olímpica pelo resgate do bonde popular, consistiu na ocupação dos veículos, que hoje circulam de forma precária, por grupos de moradores que levavam cartazes e gritavam palavras de ordem pela volta do serviço.

“O morador não está contente. Queremos bonde é na hora do batente” e “Turista no bonde. Morador a pé, qual é?” foram alguns dos slogans da manifestação, que começou por volta do meio-dia no Largo dos Guimarães, considerado o coração do bairro e atualmente ponto final provisório da única linha em funcionamento de um sistema que já serviu a toda Santa Teresa. Ao longo dos cinco anos desde o acidente, o principal e, por muito tempo, único meio de transporte dos moradores do bairro de muitas ladeiras íngremes e sinuosas passou a ser micro-ônibus de uma mesma empresa, que já provocaram dezenas de acidentes. 

“O direito à nossa mobilidade está profundamente prejudicado sem o bonde. Tem uma obra da qual falta um terço, a verba já foi gasta, sete aditivos e um escândalo, que é uma ação que nós, da Amast [Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa] ganhamos na Justiça, por meio do Ministério Público, que obriga o estado a fazer as obras. Não se pode dizer que não tem dinheiro. Não se pode deixar buracos, obra inacabada, sem nenhum respeito aos nossos direitos”, desabafou Ana Lúcia Magalhães Barros, uma das diretoras da entidade.

A Amast organizou a manifestação, que também serviu para lembrar o trágico acidente de 2011.

Segundo Ana Lúcia, não há incompatibilidade entre o uso do bonde pelos turistas e pelos moradores, que, no entanto,  rejeitam a visão do meio de transporte como meramente turístico. “Nós adoramos conviver com os turistas, e eles adoram conviver com os habitantes de um bairro que é ativo, que protesta, que fala. Não há racismo, nem luta de classes dentro do bonde”, disse.

Para Ana Lúcia, a falta de conclusão das obras do sistema de bondes de Santa Teresa, prometida para este ano, foi “um estelionato olímpico”. “Vamos continuar com a ação contra os poderes que nos impedem de ter o que nos é de direito”, disse a diretora da Amast, destacando que os moradores querem o bonde servindo todo o bairro, com uma linha indo do Largo da Carioca até o Silvestre e outra, até a Paula Matos.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Transportes informou que o bonde está circulando, desde a semana anterior aos Jogos Olímpicos, no regime de “operação assistida”, razão pela qual não é cobrada  tarifa, e com lotação máxima de 32 passageiros sentados, “por questão de segurança”. Segundo a secretaria, não há nenhuma prioridade para os turistas, em detrimento dos moradores do bairro.

O bonde circula de segunda-feira a sábado, das 8h às 16h, com intervalos de 10 minutos, e a secretaria estuda a ampliação progressiva desse horário. Já a retomada das obras depende da liberação de recursos, para os quais não há previsão.

R7 – 27/08/2016

Dificuldades continuam na instalação de portas de segurança em plataformas de trem no Japão


Japão encontra dificuldades na instalação de portas de segurança nos trens e no metrô.

Devido a fatores como altos custos e espaço limitado, empresas ferroviárias no Japão estão enfrentando dificuldades em instalar portas de segurança em plataformas para evitar quedas acidentais de passageiros nos trilhos.

Os custos para a instalação de portas de segurança somam cerca de ¥ 1 bilhão por estação. O ministério planeja instalar tais barreiras em cerca de 800 estações no país até o ano fiscal de 2020.
Entretanto, as instalações das portas podem ser realizadas apenas durante a noite, quando não há trens funcionando. Além disso, algumas estações não têm espaço suficiente para tal trabalho.

A instalação de portas de segurança vem sendo foco de atenção desde janeiro de 2011, após um deficiente visual ter caído de uma plataforma e ser atingido por um trem na estação Mejiro na linha Yamanote da Japan East Railway, na central de Tóquio.

Em outro caso, que aconteceu em 15 de agosto deste ano, um deficiente visual caiu em morreu em uma estação de metrô do Japão. Ele andava com seu cão-guia ao longo da plataforma na estação Aoyama-itchome, na linha de metrô Ginza, em Tóquio, acabou caindo nos trilhos e foi atingido por um trem.
Portal Mie – 30/08/2016

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Como os candidatos falam bobagem sobre o trânsito de São Paulo


É incrível como candidatos a prefeito de São Paulo falam bobagens sobre temas relacionados ao trânsito — principal problema da cidade, maior causador do estresse que faz tantos querer ir embora, provoca doenças e reduz a produtividade.

Doente ou são, empregado ou desempregado, assaltado ou assaltante, com filho na escola ou não, todo mundo sofre nas ruas algumas horas por dia. O congestionamento é o que nos faz a todos iguais, por isso falamos dele como os ingleses falam do tempo. É, portanto, imperdoável o descaso com que os políticos discutem mobilidade na campanha eleitoral. 

Uma grande bobagem repetida por aqueles que não estão no poder é a história de que existe uma "indústria da multa". Qualquer pessoa sincera e atenta vê uma infinidade de infrações de trânsito sem punição todos os dias. Uma pesquisa da CET indica 10 milhões de infrações por hora na cidade e só uma a cada 4,5 mil é multada. Os hipócritas alegam que o poder público deveria orientar as pessoas a não cometerem irregularidades. Bobagem: todos conhecem as principais regras de trânsito e alguns as quebram conscientemente: excesso de velocidade, desrespeito aos pedestres, desobediência aos sinais, parar em local proibido A maioria das pessoas não comete infrações enquanto uns poucos afrontam recorrentemente as leis de trânsito. Tanto que 5% dos motoristas são responsáveis por 50% de todas as multas. Indiretamente, quem ataca a "indústria da multa", como Celso Russomanno e João Dória, promete um relaxamento da punição aos motoristas infratores.

Outro tema tratado como se os eleitores fossem tontos é a inspeção veicular ambiental. Ela é necessária para melhorar a qualidade do ar, os especialistas defendem, mas os políticos discutem com superficialidade e mudam de posição como as nuvens. Implantada na administração Kassab, ela foi abandonada pela gestão atual. Haddad alega que proprietários passaram a registrar seus carros nas cidades vizinhas para escapar da taxa. Se isso for verdade (não creio), bastaria uma ação conjunta da Prefeitura e do governo do Estado para eliminar a maquiagem ilegal e preservar a redução da poluição.

No debate da semana passada, Haddad experimentou o próprio veneno: na campanha de 2012, ele atacou a taxa da inspeção e prometeu torná-la gratuita para os donos de veículos. Ignorava o fato de que Kassab tinha devolvido o valor pago no primeiro ano, até o Ministério Público questionar a prática (pagar com o imposto de todos um benefício aos poluidores). Prometia uma ilegalidade, portanto. Eleito, em vez de acabar com a taxa, eliminou a inspeção. Agora, Marta Suplicy e João Dória prometem retomar a inspeção de forma gratuita (que além de ilegal é imoral). E Haddad teve que atacar como errada a promessa que fez em 2012. Os três devem achar que a opinião pública tem amnésia. E talvez estejam certos.

João Dória fez um agrado à minoria de motoristas do Morumbi, ao dizer que vai estudar mudanças na faixa exclusiva de ônibus da avenida Giovanni Gronchi, que beneficia a maioria, usuários dos coletivos. E Marta disse que não dará prioridade às ciclovias, tentando atacar essa política acelerada pela gestão Haddad sem se indispor totalmente com os ciclistas. A ex-prefeita prometeu criar seis novos corredores de ônibus. O mais provável é que a prefeitura não tenha dinheiro para completar nenhum de vários já planejados e licitados.

"Não me comprometa" foi o tom das manifestações de Marta e Major Olímpio sobre o que fazer com o Minhocão, adiando uma decisão que, quando for tomada, levará ainda anos para ser implantada.

E ninguém defendeu um programa para melhorar a vida dos pedestres, que de alguma forma são 100% dos cidadãos. A julgar pelo início da campanha eleitoral, teremos poucos avanços na área de mobilidade nos próximos quatro anos.

Folha de São Paulo – Marlene Bergamo - 29/08/2016
Comentário do  SINFERP
A todos nós que nos interessamos e nos preocupamos com mobilidade e transporte, resta a responsabilidade dos esforços para que incompetentes, aventureiros e inconsequentes não ocupem a cadeira de prefeito na capital dos paulistas.

Metrô-SP contrata consórcio para obra do monotrilho parada desde janeiro


Consórcio que ficou em terceiro em licitação vai fazer pátio de manobras. Linha prevista para 2014 deverá funcionar apenas a partir de 2018.
O Metrô de São Paulo contratou um novo consórcio para tocar obras do monotrilho que vai ligar o aeroporto de Congonhas à Marginal Pinheiros e que estavam paradas pelo menos desde janeiro. Trata-se da construção de um pátio de manobras na Avenida Jornalista Roberto Marinho, nas proximidades da Avenida Washington Luís, e que é essencial para que a linha possa funcionar.
As responsáveis pela obra serão as construtoras Tiisa, Triunfo e DP Barros, que receberão R$ 162 milhões para tocar a obra. O Metrô prevê emitir a ordem de serviço ainda nesta semana. Com isso, o consórcio terá um prazo de até 30 dias para começar os trabalhos. O prazo de vigência do contrato é de 24 meses.
A previsão atual do Metrô é colocar o monotrilho em funcionamento em 2018, quatro anos após a previsão inicial do governo de São Paulo de inaugurar o serviço em 2014.
Diversos atrasos dificultaram o andamento das obras do monotrilho, e as frentes de trabalho foram totalmente paralisadas nos últimos 12 meses por problemas na execução dos contratos. A construção de estações já havia sido retomada em junho e, agora, o Metrô faz um novo contrato para a retomada da construção do pátio de manobras. A assinatura foi na última quinta-feira (25).
O Metrô tenta ainda retomar a construção dos pilares e da via em si, já que o contrato está em renegociação judicial. 
A Linha 17-Ouro terá 7,7 km e 7 estações. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) congelou a construção dos outros trechos previstos para a linha e que atenderia regiões da periferia. Um deles iria da Estação Morumbi da CPTM e passaria por Paraisópolis e pelo estádio do Morumbi. A outra ligação começaria na Vila Santa Catarina, perto do aeroporto de Congonhas, e chegaria à Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul.
Atrasos
Em janeiro, a companhia do metropolitano anunciou o rompimento do contrato com o Consórcio Pátio Monotrilho, responsável pelo pátio de manobras, e trocou acusações com a empresa Andrade Gutierrez, alegando abandono dos canteiros. Já o consórcio afirmou que o Metrô era o responsável pelos atrasos e que não fornecia, por exemplo, projetos executivos necessários à obra. O Metrô negou.
Uma das dificuldades para retomar a construção do pátio de manobras foi a declaração de inidoneidade da empresa Mendes Júnior pelo governo federal nas investigações da Operação Lava Jato. Assim, a Mendes Júnior, que tinha sido a segunda colocada na licitação para a construção do pátio de manobras, não pôde assumir a obra. O consórcio contratado agora, formado por Tiisa, Triunfo e DP Barros, tinha ficado em terceiro.
O secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, prevê que o monotrilho  deverá funcionar apenas com operação assistida em 2018. Isso significa que os trens deverão operar inicialmente apenas em parte do dia, possivelmente em intervalos de menor fluxo.
"Em 2018 ainda a gente quer ter trens sendo testado, pelo menos trens sendo testados, pelo menos operação assistida, com as obras já concluídas", afirmou Clodoaldo Pelissioni ao SPTV. A operação comercial, ou seja, durante todo o dia, é uma "possibilidade", segundo o secretário. "Vamos trabalhar para isso".
A operação assistida também foi adotada no trecho já inaugurado do monotrilho da Zona Leste, a Linha 15-Prata. A linha funcionou em horário reduzido por cerca de um ano, entre 2014 e 2015, no trecho entre as estações Oratório e Vila Prudente.

G1 – Márcio Pinho – 28/08/2016

Comentário do SINFERP

Um novo consórcio? O terceiro colocado vai fazer pátio de manobras, é? A partir de 2018, é? Ano par, é? Bem, tudo sempre do mesmo jeito...

domingo, 28 de agosto de 2016

CPTM faz intervalo de 30 minutos entre trens e estações lotam


Por volta das 6h30, havia muita gente esperando na estação Pinheiros. 7 linhas estão com alteração; CPTM informa ser modernização de linhas.
Os trens de sete linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estão com intervalos maiores neste domingo (28), de 15 minutos, 20 minutos e até 30 minutos. Segundo informações disponibilizadas no site da CPTM, isso ocorre para que haja "modernização das linhas".
A Linha 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú) está com intervalo de 30 minutos em toda a linha, segundo a CPTM. A partir das 9h, "o intervalo médio será de 20 minutos em toda a linha".
Por volta das 6h30, havia uma multidão esperando o embarque na estação Pinheiros, na Zona Oeste da capital, sentido Grajaú. Ninguém sabia o que estava acontecendo e um aviso sonoro informava aos usuários que o intervalo entre os trens estava sendo maior devido a obras na linha, mas em nenhum momento informava que chegava a 30 minutos.

 
Nas demais estações do trecho também havia muita gente esperando.

No site e na página do Facebook da CPTM, um quadro de informações sobre o aumento do intervalo entre os trens neste fim de semana foi publicado na sexta-feira (26) à tarde, afirmando que "obras de modernização alteram circulação dos trens neste fim de semana".

O texto diz ainda que "a CPTM ressalta que executar as obras de modernização, mantendo simultaneamente o atendimento aos usuários, é um grande desafio. As ações exigem medidas como promover intervenções em horários de menor movimentação de passageiros aos finais de semana, feriados e madrugadas".
Veja as informações disponibilizadas pela CPM no site sobre as alterações deste fim de semana:

Linha 7-Rubi (Luz – Francisco Morato)
Domingo: das 4h à meia-noite, serão realizadas obras de modernização no sistema de rede aérea entre as estações Perus e Caieiras. Das 8h às 16h30, também ocorrerão intervenções na Estação Franco da Rocha. O intervalo médio dos trens será de 15 minutos entre as estações Luz e Pirituba e, de 30 minutos, entre Pirituba e Francisco Morato.
Linha 8-Diamante (Júlio Prestes – Itapevi)

Sábado e Domingo:  das 22h de sábado até às 18h de domingo, em razão de serviços nos equipamentos de via permanente entre as estações Imperatriz Leopoldina e Presidente Altino e da reforma da Estação Quitaúna, os trens circularão com intervalos de 20 minutos em toda a linha.
Linha 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú)
Sábado: das 22h até o fim da operação comercial, devido a serviços nos equipamentos de via permanente da Linha 8-Diamante, a circulação ficará interrompida entre as estações Presidente Altino e Osasco. Para prosseguir viagem, o usuário deverá utilizar a Linha 8-Diamante. O intervalo médio entre os trens será de 20 minutos entre as estações Presidente Altino e Grajaú.
Domingo: das 4h às 7h, por conta das obras na Linha 8-Diamante a circulação continuará interrompida entre as estações Presidente Altino e Osasco. Os usuários deverão usar a Linha 8-Diamante para seguir viagem. O intervalo entre os trens será de 30 minutos entre Presidente Altino e Grajaú. 
Das 4 à meia-noite também serão realizados serviços no sistema de rede aérea entre as estações Jurubatuba e Autódromo. Das 4h às 9h, haverá obras de modernização no sistema de rede aérea entre as estações Vila Olímpia e Berrini.  Das 8h às 19, os trabalhos estarão concentrados nos equipamentos de via permanente entre as estações Morumbi e Granja Julieta.
Das 7h às 9h, o intervalo médio entre os trens será de 30 minutos em toda a linha. A partir das 9h até à meia-noite, o intervalo médio será de 20 minutos em toda a linha.
Linha 10-Turquesa (Brás – Rio Grande da Serra)
Domingo: das 7h às 19h, haverá intervenções no sistema de rede aérea em toda a linha. Das 7h40 às 18h, os serviços estarão concentrados na Estação Brás. Das 8h30 às 17h30, ocorrerão intervenções nos equipamentos de via permanente nas imediações da Estação São Caetano. Assim, das 7h às 19h, o intervalo médio entre os trens será de 15 minutos em toda a linha.
Linha 11-Coral – Expresso Leste (Luz – Guaianases)
Domingo: das 7h às 21h, em razão de serviços no sistema de rede área e nos equipamentos de via permanente entre as estações Luz e Tatuapé, o intervalo médio entre os trens será de 15 minutos, entre as estações Luz e Brás, e de 30 minutos, entre Brás e Guaianases.
Extensão Linha 11-Coral (Guaianases – Estudantes)
Sábado: das 22h até o fim da operação comercial, por conta das intervenções nos equipamentos de via permanente entre as estações Ferraz de Vasconcelos e Poá, o intervalo médio dos trens será de 20 minutos entre as estações Guaianases e Estudantes.
Domingo: das 6h às 21h, prosseguirão os serviços nos equipamentos de via permanente entre as estações Ferraz de Vasconcelos e Poá, além das obras de modernização da Estação Poá. O intervalo médio entre os trens será de 22 minutos entre as estações Guaianases e Estudantes.
Linha 12-Safira (Brás – Calmon Viana)
Domingo: das 4h até meia-noite, serão realizadas obras no sistema de rede aérea nas proximidades da Estação Itaquaquecetuba. O intervalo médio entre os trens será de 15 minutos entre as estações Brás e Eng. Manoel Feio e, de 30 minutos, entre as estações Eng. Manoel Feio e Calmon Viana.
G1 – 28/08/2016

sábado, 27 de agosto de 2016

Concessionária de trens no Rio terá que fazer obras de acessibilidade nas estações


O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou a Supervia, concessionária que opera os trens do município, a fazer obras de acessibilidade nas estações de trem de Austin e do centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
O recurso foi movido pelo pai de um passageiro com deficiência física e mental contra uma decisão anterior que isentava a empresa de concluir as mudanças para acesso às estações ferroviárias.
A concessionária Supervia também foi condenada a pagar, por danos morais, a quantia de R$ 20 mil a cada um dos autores, acrescido dos juros e correção monetária.
O prazo de cumprimento da ordem é de 90 dias e se a obra não for concluída neste prazo a concessionária fica sujeita a multa diária de 2 mil reais.
Em nota, a Supervia diz que vai recorrer da decisão e que não pode fazer as adaptações nesse prazo, pois precisa seguir as determinações do contrato de concessão, mas prevê intervenções futuras nas estações citadas.
Segundo relatório da desembargadora Regina Lucia Passos os autores da ação têm dificuldade de locomoção e o uso das estações é limitado pela falta de rampas ou elevadores.
De acordo com o documento, a ação representa um desejo de melhora também para o acesso coletivo às instalações, e a empresa deve responder pelas falhas na concessão que lhe foi dada para a exploração do serviço de transporte.
Uma lei federal garante às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida o direito de ter acesso a espaços de uso público. Ela obriga agentes públicos ou privados a fazerem obras de acessibilidade como rampas, elevadores e outras adaptações a locais como parques, ruas, jardins, praças, terminais de ônibus e trens.
EBC – 26/08/2016

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Doria mostra desconhecimento sobre mobilidade nas primeiras sabatinas


Desde antes do começo da campanha, o candidato João Dória vem repetindo erros como associar o trânsito paulistano à implantação de ciclovias, e desassociar a queda de mortes no trânsito da cidade à redução das velocidades nas vias. Apesar de defender propostas de incentivo à mobilidade ativa como as Ruas Abertas e as ciclofaixas de lazer (que funcionam apenas aos finais de semana) o candidato vem ameaçando rever as velocidade de todas as vias da cidade e aumentar as velocidades das marginais “na primeira semana de governo”, além  de engrossar o equivocado coro da “indústria da multa”. Ainda, o candidato sugeriu privatizar as ciclovias de São Paulo, sem explicar de onde viria a receita das empresas que irão manter a infraestrutura, repetiu insistentemente que vê ciclovias e ônibus como um incômodo ao comércio e mostrou desinformação a respeito do Código de Trânsito Brasileiro, e da realidade da cidade em perguntas sobre a licitação de ônibus que está em andamento na capital. Pela predominância de pontos negativos, a média do candidato foi a mais baixa dentre os seis principais candidatos, deixando-o na lanterninha.
Veja o que disse o candidato:
Sabatina UOL
“Na semana que eu assumir, retornam as velocidades das marginais”: 600 pontos negativos
“5 milhões de pessoas (sic) circulam de carro, moto, ônibus e caminhão pelas marginais, pessoas andando não podem “atrapalhar a maioria””: 200 pontos negativos
“Prefeitura vem promovendo uma indústria da multa”: 400 pontos negativos
“Bom programa, população gosta de ocupar os espaços públicos. Adicionaria economia criativa e musica. Manter e aprimorar” 724 pontos (50% do compromisso 2.5.5)
Privatizar as ciclovias, para que o setor privado as mantenha. No caso, as mesmas empresas que custeiam as ciclofaixas de lazer e sistemas de bikesharing: 400 pontos negativos.
Sabatina Estadão
“Há ciclovias em áreas remotas da cidade que prejudicam fortemente o comércio varejista”: 200 pontos negativos
“Vamos manter as ciclofaixas de lazer, elas funcionam bem”: (10% do compromisso ciclofaixas de lazer)
Total: 1333 pontos positivos e 3000 pontos negativos. Balanço negativo. Normalizando com as demais pontuações, João Doria fica com apenas 30 pontos.
Fontes: Sabatina UOL, Folha e SBT e Sabatina Estadão (julho de 2016)
Mobilidade Ativa – 17/08/2016
Comentário do SINFERP
Pois é... Mas se diz preparado para ser prefeito de nossa capital, de nossa metrópole. Afinal, gosta de dizer que é empresário de sucesso, como se precisássemos disso, e não de um estadista.

Associações avaliam propostas dos candidatos sobre mobilidade urbana em São Paulo


Organizações que reúnem ciclistas e pedestres organizaram plataforma de propostas para temas relacionados à mobilidade urbana e pretendem fiscalizar posicionamento dos candidatos.

Organizações que reúnem ciclistas e pedestres organizaram plataforma de propostas para temas relacionados à mobilidade urbana e pretendem fiscalizar posicionamento dos candidatos
Ampliação de ciclovias, aumento da segurança na travessia de pedestres e redução da velocidade estão entre os temas.
São Paulo – As associações Ciclocidade e Cidadeapé criaram uma plataforma sobre mobilidade urbana para avaliar as propostas sobre o tema dos candidatos à prefeitura de São Paulo. As entidades monitoram os posicionamentos dos postulantes ao cargo, analisando propostas e opiniões expressas nos programas de governo, sabatinas, entrevistas, horário eleitoral e debates. A cada semana eles são ranqueados, de acordo com o potencial de suas propostas para melhorar ou piorar as condições da cidade para quem anda e pedala.
As entidades decidiram fazer o monitoramento cotidiano, em vez de apresentar uma carta-compromisso, devido à facilidade dos candidatos em assumirem posturas contraditórias apenas  para angariar votos. Há, no entanto, um documento do tipo destinado aos candidatos a vereador da capital paulista.
“É muito fácil um candidato à prefeitura assinar uma carta-compromisso com a mobilidade ativa em um dia e no outro dizer que há 'indústria da multa' ou que 'ciclovias pioram o trânsito'. Queremos compromissos sérios e ambiciosos por parte dos candidatos e candidatas, e queremos constrangê-los quando falarem essas 'abobrinhas', que derrubam nossos esforços de qualificar o debate”, explicou Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé.
Mesmo assim, não faltam temas para propor aos candidatos. Na página criada para divulgar as informações da plataforma estão listados vários tópicos, por ordem de importância, divididos em quatro temas: mobilidade por bicicleta, a pé, por ônibus e segurança viária e acalmamento de tráfego. Os tópicos foram escolhidos por meio de uma consulta pública realizada pelas organizações.
Uma das principais temáticas diz respeito à redução da velocidade implementada pela gestão do prefeito e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), que estabeleceu o máximo de 50 km/h como padrão em quase toda a capital paulista. As associações vão além: querem velocidade máxima de 40 km/h em regiões de grande concentração de pessoas ou comércio, com reforço na fiscalização e intervenções urbanísticas para reduzir a velocidade.
Em relação aos ciclistas, os temas mais relevantes são a adequação de acessos e travessias em pontes e viadutos, além de estabelecer ciclovias em, pelo menos, 10% delas; priorização de ligações cicloviárias entre centro e áreas periféricas, além de entre bairros; instalar bicicletários próximos às estações de metrô e em todos os terminais de ônibus; utilização de bicicletas compartilhadas com créditos do Bilhete Único.
Quanto aos pedestres, os principais temas são a ampliação da largura das calçadas em regiões com grande fluxo de pessoas andando a pé; construção ou requalificação das calçadas de 350 quilômetros de vias por ano; ampliação do tempo de travessia nos semáforos para pedestre, garantia de acessibilidade segura, eficiente e confortável aos terminais, paradas, estações e pontos de ônibus; fortalecer o programa Rua Aberta em toda a cidade, proporcionando estrutura mínima de lazer e cultura.
Ranking
As associações se reuniram com as campanhas de Haddad, Marta Suplicy (PMDB), João Doria (PSDB) e com o candidato Ricardo Young (Rede). A campanha de Celso Russomanno (PRB) não respondeu ao contato e a de Luiza Erundina (Psol) manifestou interesse na proposta, mas não apresentou uma data para se reunir com as organizações.
Avaliando na perspectiva da mobilidade urbana, as sabatinas, entrevistas e programas de governo, as associações ranquearam os candidatos, tendo o petista Haddad o melhor desempenho até o momento. Entre os destaques, ele defendeu a manutenção e a ampliação das políticas para a mobilidade de seu governo, como a criação de 400 quilômetros de rede cicloviária, a redução dos limites de velocidades nas principais vias da cidade, as faixas exclusivas de ônibus, entre outras medidas.
Em seguida está Erundina, que já defendeu a priorização do transporte coletivo, com a manutenção das faixas exclusivas de ônibus, e promoção das ciclovias. Ela também afirmou que manterá a redução de velocidade e que pretende ampliar o acesso aos ônibus a partir da redução de custos dos usuários e de um maior controle sobre as operadoras de transporte coletivo.
Ricardo Young está em terceiro no ranking. Ele defendeu as ciclovias na cidade, considerando que a melhoria da infraestrutura é fundamental para incentivar o uso das bicicletas. Ele também apoiou a manutenção da redução de velocidade, aumentar a segurança viária e melhorar o fluxo de veículos.
Marta ficou evidenciada por propostas consideradas negativas pelas associações. Dentre elas, implementar guarda-corpos e fiscalização para bloquear caminhos e travessias de pessoas próximo a vias, reduzir a quantidade de radares na cidade e revisar as ciclovias que não tiverem “aceitação local”. Apesar disso, a candidata propôs a instalação de bicicletários e transportou alguns dos temas da plataforma para seu programa de governo.
João Doria aparece em último na lista. Desde antes da campanha, ele vem afirmando que vai reverter a redução de velocidade de todas as vias da cidade, sobretudo nas marginais. Também sugeriu privatizar as ciclovias de São Paulo e disse várias vezes que ciclovias e ônibus incomodam o comércio.
RBA – Rodrigo Gomes - 25/08/2016
Comentário do SINFERP
Candidatos e partidos reacionários começarão a "desconfiar" que parcelas da população estão se organizando na defesa de temas, e não apenas empresários.  Quanto ao último da lista, semana que vem e estará defendendo a manutenção de velocidade nas marginais, não mais falará em privatizar ciclovias, esquecerá que elas e  ônibus incomodam o comércio, da mesma forma que não fala mais das novas 15 linhas do metrô municipal que "inventou".

Trem Vitória Minas já conta com internet wi-fi gratuito


Benefício começou a ser disponibilizado nesta sexta-feira (26); os usuários também contarão com entretenimento off-line gratuitos.
As mais de 13 horas de viagem no tradicional trem que liga o Espírito Santo a Minas Gerais contarão a partir desta sexta-feira (26) com internet wi-fi e conteúdo de entretenimento off-line gratuitos.
Ao abrir o ambiente virtual dentro da embarcação, o passageiro terá acesso a um espaço com filmes e shows de sua preferência, sem a necessidade de conexão, nem de instalação de softwares adicionais ou aplicativos.
O conteúdo estará disponível direto no aparelho celular, tablets e notebooks de cada passageiro, que conte com os sistemas operacionais IOS, Android e Windows. A Vale gerenciadora do trem garante internet com qualidade de cobertura 3G e 4G ao longo do trecho. 
Em alguns pontos da ferrovia, no entanto, a regularidade do serviço dependerá da disponibilidade de sinal das operadoras de telefonia móvel.
Transporte
O novo trem, que entrou em operação, há dois anos, já transportou 2 milhões de passageiros, volume que representa uma média de 82 mil usuários por mês. 
Ao todo, a locomotiva percorre um trajeto de 664 quilômetros entre os dois estados, passando por 30 pontos de embarque e desembarque, atendendo 42 municípios e chegando a carregar 1 milhão de passageiros por ano.
Investimento
Para a realização de todas as melhorias a Vale fez um investimento de U$ 80,2 milhões, o Novo Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas. A locomotiva conta com 56 novos carros, sendo 10 executivos e 30 econômicos, além de carros-restaurante, lanchonete, gerador e cadeirante (destinado a pessoas com dificuldade de locomoção).
Cada carro executivo tem capacidade para transportar 57 passageiros. Já os econômicos acomodam 75 pessoas. Em ambas as classes os carros são climatizados e contam com tomadas elétricas individuais nas poltronas para possibilitar o carregamento de equipamentos eletrônicos, como notebooks e telefones celulares.
Os carros da classe executiva contam com sistema de som e iluminação individualizados para dar maior conforto e comodidade aos viajantes. Outro diferencial são as poltronas, mais largas. Já o carro-restaurante conta agora com 72 lugares, o que representa um acréscimo de 56% em relação às antigas composições.
O equipamento também recebeu um novo sistema de abertura e fechamento das portas externas, bem como as localizadas entre um carro e outro, que é automático. A travessia entre os carros também mereceu melhorias e ficou ainda mais segura e confortável. Isso porque a conexão entre os vagões passou a ser vedada por um sistema de plástico emborrachado.
Os novos carros de passageiros apresentam ainda displays externos e internos, que exibem informações gerais sobre a viagem. Dados como destino e trajeto do trem, número dos carros, estações e paradas de embarque e de desembarque, entre outros, são algumas das orientações voltadas a facilitar ainda mais a viagem.
Serviço
Preço da passagem:
Executiva - R$ 95
Econômica - R$ 62
www.vale.com/tremdepassageiros
O Tempo – 26/08/2016

Público e massa: diferença conceitual e real nos meios de transporte (22/09/2012)


Fala-se muito em transporte público, contrapondo-o ao transporte particular, uma vez que o espaço que ocupam é o mesmo: o espaço urbano. Daí, fatalmente, a disputa a que se assiste todos os dias. Não há quem não saiba que os carros particulares há muito já complicam o trânsito nas cidades, e vão continuar complicando até um provável colapso, segundo os menos otimistas.  Eu observo as campanhas de conscientização, mas cada vez mais me convenço de que nada vai acontecer sem que, antes, mude o comportamento das pessoas em relação ao automóvel e em relação ao transporte público. E estou cada vez mais convencida disso, especialmente quando penso em termos de usuários e de públicos em relação aos modais dos quais se utilizam.

Sigo São Paulo TREM Jeito desde a primeira postagem nesse blog dedicado à campanha em prol do trem como solução à crise do transporte de passageiros. Observo que nunca se falou tanto em mobilidade urbana. Todos parecem estar para lá de conscientes de que alguma coisa precisa ser feita, de que há cada vez mais automóveis entrando em circulação, e de que mal se termina a construção de um viaduto, surge necessidade de outro. São óbvias as vantagens do trem, de um óbvio rodriguiano, e, ainda assim, ele continua a ser visto como um transporte de segunda classe.

Por quê? Porque trem não tem público. Trem possui apenas usuários, gente tratada como massa, como número, como quantidade. Público tem o metrô. Público têm as companhias aéreas. Público tem o automóvel. Público terá o trem bala, se acontecer. Se você pensar na população como um todo, os usuários de trem são predominantemente os excluídos de outros meios de transporte.  São massa, e por aí são concebidos, pensados e tratados, de sorte que não se tem, para trens, uma agencia reguladora exclusiva, agindo com eficiência e tendo destaque na imprensa, como, por exemplo, tem a Infraero relativamente às companhias aéreas. Muitas vezes, este papel de mediação entre público e transportador passa a ser desempenhado pelos sindicatos de empregados, uma vez que estes últimos constituem a interface que permeia usuário e trem, espécie de marisco entre o mar e rochedo. A Campanha São Paulo TREM Jeito, por exemplo, é apoiada por um sindicato. Na falta de políticas públicas mais eficientes, o sindicato faz o que pode, como pode, a partir de campanhas e até mesmo ― quem sabe ― tomando iniciativas para que se criem leis mais efetivas. Mesmo greves, por vezes, revelam mais problemas do que podem momentaneamente criar.

Massificação oprime. A massificação que oprime o usuário do trem, por enquanto, só tem um antídoto. Pensar em não precisar mais andar de trem, sonhar com o carro, cada um com a sua placa, o que remete à designação de uma individualidade, de um alguém que se resgata da massa e que assume uma identidade. O carro torna-se assim um sonho a realizar, um ideal a alcançar, uma tábua de salvação que resgata alguém do anonimato a que é reduzido na hora de escoar por uma plataforma ou sofrer na pele a sensação de viajar literalmente prensado. O automóvel simboliza um ideal, uma meta, um objetivo, e basta prestar um pouco de atenção às campanhas publicitárias que nos cercam para entender isso. A relação entre o automóvel e seu dono é uma relação de poder negada ao usuário do trem, que aceita passivamente as condições que lhe são impostas. Ele não tem escolha.

Alguma coisa vem acontecendo, é verdade. Há muitos discursos. Há, por exemplo, as bicicletas. Timidamente, elas vêm surgindo, novas e modernas, pilotadas por gente de classe média que veste roupas e usa equipamentos de grife. Nisso é evidente um comportamento que também tem tudo a ver com consumo: uma consciência Cult, digamos, de quem diz não ao carro sem deixar de aderir a uma condição da qual pretende auferir tanto ou mais status. As lindas bicicletas pilotadas por elegantes ciclistas equipados com roupas de grife, além de proporcionarem um belo espetáculo nas cidades, promovem o surgimento de uma nova tribo, não sem reflexos na política, fora o apoio que daí resulta a partir da adesão de outras tribos: os verdes, por exemplo, pessoas que podem pagar por produtos orgânicos enquanto desdenham os transgênicos, consumidos, é claro, pelos mais pobres. Há ainda os praticantes do tal despojamento, que procuram uma vida mais simples, vivida em menor espaço e com menos coisas.

É interessante notar que a relação entre transporte público e particular não é apenas uma questão de conscientização dos problemas envolvidos. Conscientes estamos todos de que há problemas, e isso não muda nada. No entanto, quando a coisa passa da consciência à sensibilidade, começam a se esboçar algumas mudanças. Não é sem razão que, timidamente, aparecem bicicletas, por exemplo, assim como pessoas que optam por mudanças radicais de vida, com reflexos em sua alimentação ― os verdes, por exemplo ― e em sua maneira de viver, ― os despojados.

Que mecanismo é esse, capaz de moldar sensibilidades, de alterar comportamentos? Acredito que seja a imitação, algo que leva alguém a aderir a uma campanha, alterar um hábito, mudar uma crença. Todo mundo imita, e imita o que adota como modelo, daí se dizer que a imitação vem de cima para baixo, parte-se do que não se tem, do que se almeja, do que se observa no outro.

Um automóvel de luxo representa hoje, no imaginário das pessoas, o que um casaco de vison já representou nos ombros de uma pin-up há alguns anos atrás. Todavia, não creio que hoje alguém se orgulhe de esfolar bichos para não passar frio, porque, finalmente, se sabe que um casaco de vison só é mesmo indispensável para o próprio vison. Talvez algum dia o sujeito que “vista” uma Ferrari vermelha seja tão ironizado quanto a pin-up que hoje se atrevesse a desfilar por aí coberta de peles.

Ora, pouco a pouco talvez essa sensibilização aconteça. As bicicletas chiques são um bom começo. Elas sinalizam uma pequena mudança que parte de pessoas que, em sua maioria, embora tenham acesso ao automóvel, aprenderam a dizer não a ele. São pessoas que, mesmo com plenas condições de possuir um automóvel, dizem não, e saem de bicicleta, ainda que não sem abrir mão do status que essa opção lhes confere a partir de uma “atitude” que desfruta de um bom grau de aprovação social. Não é por menos que atualmente já existe, embora ainda de forma tímida, a possibilidade de se alugarem bicicletas públicas. É a imitação funcionando.

Sem dúvida, o automóvel preserva nossa individualidade. Ninguém nega que há certo glamour envolvido em andar de avião, e até de metrô, com suas fascinantes estações subterrâneas, quando não são majestosas como a recentemente inaugurada na linha amarela. Não há como o usuário não se sentir valorizado quando se vê num lugar limpo, bonito, iluminado.  São estações que recepcionam bem o seu público e geram bem-estar. Aeroportos são assim também, tornando-se pontos de socialização inclusive. Mas e os trens?

Os trens já tiveram seu passado glorioso. No tempo em que visavam atender a um público. Testemunho disso nos dá a Estação da Luz, a Júlio Prestes, por exemplo, para ficar em São Paulo. No geral, contudo, atualmente, as estações são feias, pesadas e oprimem a quem quer que por ali passe. Se levarmos em conta, de um lado, o grande número de pessoas que transitam por uma estação de trens, e, de outro, o pouco ou nenhum apelo social, cultural ou comercial empreendido na grande maioria dessas estações, está aí uma relação que só confirma que os usuários de trens não são considerados como público, mas vistos e tratados como massa, como dado bruto do qual se extraem estatísticas.

São sem identidade. Fossem considerados como público, e não faltariam apelos comerciais e culturais que sempre visam a um alvo determinado. A massa não é alvo de nada. É temida e deve ser contida, dirigida, manobrada. A massa é reputada como tendo força, e não opinião. Ela responde a apelos emocionais e não a argumentos racionais. Se lhe nega a individualidade com que se distinguem os públicos. Estes, ao contrário das massas, possuem opinião e se comportam como consumidores, tornando-se um alvo a conquistar. As janelas dos trens nos mostram paisagens urbanas periféricas, as estações das quais se parte ou nas quais se chega não nos convidam a ficar um pouco mais. São vias de passagem, de escoamento, de circulação. O barulho e o apito dos trens, que outrora despertava nossa imaginação, hoje é associado à poluição sonora, e do próprio trem diz-se que produz as muito pouco desejáveis externalidades.

Parece que apenas românticos e passadistas ainda procuram encontrar nos trens um pouco de glamour, e essa ideia preocupa, porque aí reside uma tentativa de desqualificar os defensores desse meio de transporte, de todos, o que tem a oferecer as soluções mais eficientes, ao menos do ponto de vista custo-benefício, coisa que já está para lá de provada. Por que então essa resistência em investir em trens de passageiros? Como justificar a desativação de linhas? Difícil não encontrar aí um sinal de aparente descaso para com o usuário desse meio de transporte.

Conferir identidade a essa massa de usuários de trens me parece ser um bom começo, começo que passa, certamente, pelo investimento em estações por onde circulam milhares de pessoas que, embora não disponham do mesmo poder aquisitivo dos usuários de outros modais, nem por isso são menos representativas na hora de fazer valer, ao menos, seu número, seja votando, seja aderindo a campanhas ou mesmo mobilizando-se em função de algum bom projeto legislativo. Humanizar estações de trem pode ser um bom começo. Quem não gostaria de encontrar ali exposições, cafeterias, livrarias, música ao vivo, teatro? Certamente, isso mudaria o perfil desse usuário sofrido, que deveria ser valorizado tanto quanto o público afeito a outros modais. Enquanto isso não acontece, contudo, o jeito é sonhar com a Ferrari vermelha e com a pin-up, só que esta última já usando apenas couro ecológico, para felicidade do vison.

Maristela Bleggi Tomasini - Advogada em Porto Alegre (RS)