sexta-feira, 31 de julho de 2015

Supervia admite que autorizou trem a passar por cima de corpo no RJ

Homem foi atropelado por um trem e o corpo ainda estava nos trilhos. Empresa diz que autorizou a passagem para não atrapalhar o fluxo.

A Supervia, empresa que administra a rede ferroviária do Rio de Janeiro, admitiu, em nota, que autorizou o maquinista a passar com o trem por cima de um corpo, que estava nos trilhos. Um homem havia sido atropelado por um trem e seu corpo ainda estava no local.

“A gente não tava sabendo e já tava horrorizada com a situação. Aí depois anuncia que é meu filho. Tem como? Tem...”, relata Eunice de Souza Feliciano, mãe de Adilio Cabral . Ela e o irmão da vítima estiveram na delegacia, nessa sexta-feira (31), para prestar depoimento.

A polícia registrou o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Adílio tinha 33 anos e tinha saído da cadeia há seis meses, onde cumpriu pena por furto. Por causa disso, ele não conseguia emprego e decidiu trabalhar como ambulante.

Na última terça-feira (28), segundo a Supervia, Adilio invadiu os trilhos e foi atingido por um trem. “Eles pulam a linha do trem e passam ali por baixo, porque se eles passam ali por cima, acho que os doces são apreendidos”, conta o irmão de Adilio, Élcio Feliciano Junior.

Imagens feitas logo depois do acidente mostram que funcionários da Supervia estavam perto dos trilhos. Um deles acenou para o maquinista e o trem avançou. Outro vídeo mostra que o trem passou por cima do corpo.

A reportagem do Jornal Hoje perguntou à Supervia se alguém atestou a morte do Adilio antes de o trem passar, mas até agora não teve resposta. A reportagem também tentou gravar uma entrevista com algum representante da concessionária, mas a empresa disse que só vai comentar qualquer assunto relacionado ao acidente por nota.

Em posicionamento divulgado na tarde de quinta-feira (30), a Supervia admitiu que autorizou a passagem do segundo trem por cima do corpo. A nota diz que o trem que trafegou sobre o corpo tinha altura mais do que suficiente para fazer isso sem risco de atingir a vítima e que o centro de controle operacional decidiu, em caráter excepcional, autorizar a passagem do trem porque a paralisação da linha criaria transtornos para toda a movimentação do horário.

“Não se justifica autorizar que um trem passe por cima de um corpo na linha férrea. Nós entendemos que a agência reguladora deva apurar com rigor o caso e aplicar as sanções cabíveis nessas circunstâncias. Nós achamos injustificável o procedimento tomado”, disse Carlos Roberto Osório, secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro.

“Que tomem alguma providência. Que façam alguma coisa, porque restituí-lo não vai. Ele não volta mais”, desabafa a mãe.

Ninguém da polícia quis gravar entrevista. Em nota, a delegacia de polícia do bairro de Madureira declarou que vai ouvir todos os funcionários da Supervia que estão envolvidos. A Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro divulgou nota dizendo que o incidente se transformou em barbaridade. Além disso, tal prática, segundo a OAB, prejudica as investigações policiais.

O enterro de Adilio Cabral dos Santos acontece na tarde desta sexta-feira e a Supervia informou que vai pagar todas as despesas.


G1 – Diego Haidar - 31/07/2015

Atraso nas obras da linha 4 do metrô (SP) deve trazer duplo prejuízo à gestão Alckmin

Jornal GGN - A quebra do contrato das obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo, anunciada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), além de atrasar por mais, pelo menos, um ano a entrega, deve duplicar o prejuízo financeiro, de acordo com informações da Folha de S. Paulo.

Depois que o contrato da obra das novas estações foi rescindido, justificando-se pelo fato de que o consórcio Isolux Corsán-Corviam não respeitou prazos, normas de qualidade e segurança e deixaram de pagar subcontratadas e fornecedores, uma nova licitação será aberta. Segundo o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, a expectativa é que entre final de agosto e início de setembro, a licitação seja publicada, para retomar as obras no início de 2016. 

O prazo, no entanto, é ousado, uma vez que a licitação para obras desse porte geram uma demanda maior de tempo. A última previsão para a conclusão da linha era para 2018. Com a mudança, pelo menos mais um ano deve ser necessário para a entrega das obras.

Outro ponto ainda não esclarecido é o valor do certame de concorrência, que não foi calculado. O secretário estima quantia "elevada". Dos R$ 559 milhões previstos, o consórcio anterior Isolux recebeu R$ 201 milhões. Para a nova licitação, o orçamento deverá ser recalculado. 

Por outro lado, o governo espera multar a construtora e pedir na Justiça a reparação de danos. 

Outro prejuízo para a gestão Alckmin é o processo movido pela ViaQuatro, concessionária responsável por 30 anos da operação da linha. A empresa diz ter sido prejudicada pela demanda perdida, uma vez que a linha deveria estar pronta desde 2010, transportando 1 milhão de pessoas por dia. A cada atraso no cronograma, a concessionária pede um valor maior de ressarcimento. 


GGN – 31/07/2015

SuperVia (RJ) diz que trem tinha 'altura suficiente' para passar sobre corpo

Concessionária admite que autorizou passagem de trem sobre a vítima e alegou que havia cerca de 6 mil passageiros em três trens lotados aguardando para seguir viagem
Rio - A cena chocante de um funcionário da SuperVia mandando uma composição passar por cima de um corpo contou com o aval da concessionária. Segundo a empresa, apesar de lamentar a morte de Adílio Cabral dos Santos, morador do Morro da Serrinha, a decisão foi tomada para não atrasar o fluxo dos mais de 200 mil usuários do sistema ferroviário. 

A concessionária afirma que verificou, antes, que o trem era mais alto do que o corpo, e que, portanto, não seria violado. A empresa alega que, a partir dessa constatação, e diante do risco de se criar um problema maior com a retenção de diversos trens, tomou a decisão, em caráter excepcional considerando que na linha havia três trens lotados (cerca de seis mil passageiros) aguardando para seguir viagem. O homem, segundo a Supervia, teria sido morto em um atropelamento ocorrido pouco antes da manobra.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, definiu como 'injustificável' a atitude tomada pelos agentes na estação de trem da Zona Norte. No entanto, Osório afirmou que cabe à Agetransp punir a SuperVia.

"A fiscalização é da Agetransp, nós somos o poder concedente, uma vez que somos diretamente interessados. Temos como objetivo que o serviço seja feito de maneira adequada. Em Madureira, a situação foi injustificável. Já conversei com o presidente da Agetransp, a investigação foi aberta ontem (quarta-feira) e todos os materiais já estão sendo analisados. Nós queremos uma solução rápida e transparente”.

Osório considerou desumana a atitude da SuperVia. “Foi um desrespeito autorizar um trem passar por uma via que está interrompida por um corpo de uma pessoa morta.” Segundo ele, a secretaria entrou em contato com a Agetransp para investigar o caso. “Na semana que vem, vou me reunir com defesa civil, Bombeiros e a SuperVia para estudarmos um procedimento em caso de mortes na via.”

A Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) disse, em nota, que a ação dos agentes da SuperVia foi "uma barbaridade, por tratar um corpo como algo descartável". Segundo o advogado David Nigri, a atitude da concessionária é repreensível e cabível de punição criminal. “Houve crime de vilipendiar cadáver. Não houve intenção, mas foi culposo”, afirma.O crime tem pena de um a três anos de reclusão, mais multa, que poderá ser aplicada sobre o maquinista e o agente que ordenou o atropelamento, segundo Nigri. Ele afirma ainda que a família da vítima também tem direito a uma indenização por danos morais.

Na última terça-feira, um agente da SuperVia autorizou um maquinista a passar o trem sobre o corpo de uma vítima fatal de um acidente ocorrido na Estação de Madureira na terça-feira. O homem fora atropelado após acessar indevidamente os trilhos. O agente da concessionária, em vez de aguardar a remoção do corpo, dá sinal para que o trem siga viagem. O que se vê em seguida é a composição passando com todos os vagões sobre o homem morto.

A 29ª DP (Madureira) abriu investigação sobre o caso. O Procon Estadual também abriu investigação para apurar a responsabilidade da SuperVia. Segundo o órgão, a concessionária tem um prazo de 15 dias úteis para responder. As imagens do Canal 'Supervia Vergonha do Povo Carioca' mostram os vagões passando sobre o corpo, para o espanto dos passageiros.

Supervia e Bombeiros apresentam versões diferentes

Na nota enviada à imprensa, a Supervia afirma que acionou os Bombeiros para a ocorrência de um corpo na Estação de Madureira na tarde de terça-feira,.por volta das 17h.  A corporação militar, no entanto, nega que o acionamento tenha acontecido para este caso, mas sim para o atendimento a uma vítima de trauma. Durante o atendimento a este passageiro é que a equipe de salvamento teria sido informada que havia um corpo na linha férrea. A retirada do corpo teria ocorrido apenas às 20h, após o pedido da delegacia de Madureira uma hora antes. 

Eis a nota da SuperVia: 

Sobre o episódio ocorrido nas proximidades da estação Madureira no dia 28/7, terça-feira, por volta de 17h, início do horário de pico do movimento de passageiros, a SuperVia lamenta e reforça que está investigando o fato, resultante de um procedimento totalmente fora dos padrões operacionais da empresa.

O aparecimento de um corpo na linha, entre os trilhos, obrigou a SuperVia a interromper o tráfego de trens naquele trecho e acionar as autoridades competentes (Corpo de Bombeiros e Polícia Civil) para os procedimentos legais, o que foi feito.

A SuperVia reforça que sua área de segurança não tem poder de polícia.

A empresa lamenta a perda de mais uma vida por invasão dos trilhos.

As primeiras apurações indicam que as circunstâncias do acidente e o tráfego intenso de trens com milhares de passageiros naquele momento levaram o Centro de Controle Operacional da empresa a trabalhar com um procedimento de exceção, sob absoluto controle, considerando os seguintes pontos em benefício da segurança do sistema:

- Foi constatado que o trem que trafegou sobre o corpo tinha altura mais do que suficiente para fazê-lo sem risco de atingir e vilipendiar a vítima.

- Apenas a partir dessa constatação, confirmada com toda segurança por agente da empresa no local, e diante do risco de se criar um problema maior e mais grave com a retenção de diversos trens, o CCO tomou a decisão, em caráter absolutamente excepcional, de autorizar a passagem do trem.

- Na linha interrompida havia 3 trens lotados (cerca de 6 mil passageiros, no total) impedidos de seguir viagem.

- A paralisação da linha criaria transtornos para toda a movimentação do horário, quando viajam cerca de 200 mil pessoas pelo sistema.

- Passageiros retidos em trens parados tendem a descer irregularmente na linha, aumentando riscos de incidentes, como já ocorreu em outras vezes.

- A vítima estava posicionada num ponto em que a liberação de um dos 3 trens retidos permitiria remanejamentos para evitar a paralisação do tráfego.

Reforçando que lamenta o que aconteceu, a SuperVia criou uma comissão para estudar a adoção de práticas que ajudem a encaminhar os procedimentos capazes de atenuar o impacto de situações como essa sobre a rotina do serviço.

A SuperVia registra mais uma vez que o episódio é consequência de um problema de infraestrutura causada pela falta de isolamento da malha ferroviária, que é atravessada por cerca de 180 passagens de nível (só 38 são oficiais) e incontáveis pontos de travessia de pedestres, o que coloca em risco, diariamente, a vida de pessoas.

O Dia – Felipe Martins e Tássia Di Carvalho – 30/07/2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

SuperVia (RJ) apura atropelamento de morto por trem após autorização de funcionário

A SuperVia, empresa responsável pelo serviço de trens do Rio de Janeiro, apura a atitude de funcionários que autorizaram a passagem de um trem sobre o corpo de um homem morto, que estava estirado nos trilhos, na altura da Estação Madureira, na zona norte da cidade. O caso aconteceu na tarde desta quarta-feira (29).

Um vídeo publicado pelo site comunitário Guadalupe News mostra um agente da concessionária sinalizando com a mão para que o maquinista da composição que havia parado seguisse viagem, passando por cima do corpo. O homem que estava nos trilhos havia acabado de ser atropelado por outro trem.
O caso está sendo investigado também pela 29ª Delegacia de Polícia, em Madureira. Em nota, a SuperVia disse que "o procedimento adotado na tarde da última quarta-feira, em que um trem seguiu viagem em velocidade reduzida na linha bloqueada em função de um atropelamento, está fora dos padrões adotados pela concessionária".
Uol Notícias  - 30/07/2015

Comentário do SINFERP


Tinha que ser na SuperVia...

Metrô de SP é condenado a pagar R$ 20 mil a jovem molestada dentro de vagão

A Justiça de São Paulo condenou nesta quarta-feira (29) o Metrô a indenizar uma usuária que foi vítima de assédio sexual dentro de um vagão. A Companhia do Metropolitano terá de pagar R$ 20 mil à jovem A.P.T.S., 17.

Em 2 de setembro do ano passado, A.P. estava em um trem da linha 1-azul e foi atacada por um homem na estação São Joaquim, na Liberdade, na região central da capital paulista.
Segundo o advogado Ademar Gomes, defensor da vítima, o acusado atacou a garota por trás e chegou a colocar o órgão genital para fora. Gomes vai recorrer da decisão para pedir uma indenização maior, de R$ 50 mil, para a garota. O agressor foi indiciado e ainda pode ser condenado na esfera criminal.
O Metrô informou que ainda não se decidiu se vai recorrer da decisão judicial. Em nota, a Companhia do Metropolitano afirmou que "repudia abuso sexual" e "faz um trabalho intenso de coibição e prevenção, com campanhas de cidadania e de alerta aos usuários sobre condutas de suspeitos que possam colocar em risco a segurança de todos". Também disse que o SMS-Denúncia (97333-2252) é uma ferramenta para "promover agilidade no combate às práticas irregulares, infrações ou crimes".

Uol – 30/07/2015

Comentário do SINFERP

Boa, boa. E vai continuar assim até que os coronéis aposentados da PM que atuam como gestores de segurança da CPTM, Metrô e mesmo Linha Amarela descubram que a missão mais importante a cumprir é a segurança dos usuários, e não simplesmente do patrimônio.

Metrô de SP rescinde contrato de construções de estações da linha 4

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) rescindiu os contratos com o consórcio Isolux Córsan-Corviam para a construção das novas estações da linha 4-amarela do metrô de São Paulo.

Essa linha, que já opera com sete estações, é uma das principais artérias do metrô, com interligação com as linhas norte-sul e leste-oeste, o ramal da Paulista e as estações de trem da Luz e de Pinheiros.

Uma nova concorrência será aberta nos próximos dias, diz a gestão tucana.
O Metrô afirma que tomou a decisão porque a empresa não respeitou os prazos estabelecidos em contrato, abandonou as obras, não atendeu normas de qualidade e segurança e deixou de pagar subcontratadas e fornecedores.

Segundo a companhia, o consórcio foi notificado sobre a decisão unilateral nesta quarta-feira (29), e a multa pode chegar a R$ 23 milhões. A informação da rescisão foi antecipada pelo "SPTV", da TV Globo.

Após o anúncio do rompimento, o consórcio, liderado por uma construtora espanhola que está entre as maiores do mundo, afirmou que o Metrô apresenta “limitações gerenciais” e que foi a própria empresa que pediu a rescisão do contrato.

A Corsán era responsável pelas obras da segunda fase da linha, que prevê a construção de cinco estações: Oscar Freire, Higienópolis-Mackenzie, Vila Sônia e São Paulo-Morumbi, além da Fradique Coutinho, que já está em operação.
Há dois lotes de obras nessa segunda fase da linha.

Fazem parte do primeiro lote as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, além da construção do pátio e do terminal de ônibus da Vila Sônia. O valor era de R$ 173 milhões.

Já o segundo lote prevê a construção das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, um túnel e 1,5 km de trilhos em direção a Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O valor total desse lote era de cerca de R$ 386 milhões.

As obras da segunda fase da linha 4-amarela foram iniciadas em abril de 2012, com contratos de R$ 559 milhões no total. Até o momento, foi entregue apenas a estação Fradique Coutinho, em novembro do ano passado.

Com o término da segunda fase, a linha terá um total de 11 estações, com 12,8 km de extensão. A previsão inicial do governo do PSDB era de que toda a linha ficasse pronta em 2010.

A ViaQuatro, responsável pelo operação da linha 4-amarela, disse que não comenta a quebra de contrato para a construção das estações, que é de responsabilidade do Metrô e do consórcio Isolux Córsan-Corviam.

HISTÓRICO

Segundo o Metrô, desde o final do ano passado, a Corsán desacelerou o ritmo das obras. Em outubro, as obras da futura estação Oscar Freire ficaram paradas depois que a energia do canteiro foi cortada por falta de pagamento da conta de luz.

O Metrô diz ter notificado o consórcio várias vezes até decidir acionar o Banco Mundial, que financia as obras da segunda fase da linha 4-amarela.

Em março, após vistoria nos canteiros, o banco decidiu rescindir o contrato para a construção das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia –cuja última previsão de entrega era 2018.

O banco, no entanto, decidiu manter o contrato das estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, que eram previstas para ser entregues no ano que vem.
Segundo a Folha apurou, o governo pressionou o Banco Mundial a também cancelar esse contrato, mas, para evitar o fracasso do processo, o órgão financeiro aceitou a garantia da empresa espanhola de que retomaria as obras até o fim de abril.

De acordo com o Metrô, os operários do consórcio chegaram a retomar as obras, mas a falta de materiais e equipamentos nos canteiros fez com que os serviços não avançassem.

ADITIVO

Em junho, o governo acertou pagar um aditivo de R$ 20 milhões ao consórcio para que as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire fossem concluídas.
"Nossa posição sempre foi de rescindir o contrato. Nós temos um financiamento, e o Banco [Mundial] insistiu muito para que se buscasse um entendimento para que a obra continuasse", afirmou Alckmin. O governador justificou que o aditivo era necessário devido a alterações no projeto das estações, que exigiam mais obras –sem especificar quais.

"Geralmente se tem o costume de elogiar empresa privada e falar mal da empresa estatal, mas tem muita empresa estatal boa e tem muita empresa privada muito ruim e quebrada, empresas que se aventuram a fazer obras e quebram", disse Alckmin na ocasião.

Após anunciar o aditivo, o governador informou que a nova licitação das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia seria feita em julho –o que ainda não ocorreu.
Segundo o Metrô, estão sendo preparados "novos processos licitatórios para contratação das obras para a conclusão da segunda fase da linha".
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SEGUNDA FASE DA LINHA 4-AMARELA DO METRÔ

Lote 1 - Estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, e construção do pátio e do terminal de ônibus da Vila Sônia. Valor total: R$ 173 milhões

Lote 2 - Estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, e túnel de 1,5 km. Valor total: R$ 386 milhões 


Folha de São Paulo – André Monteiro e Sidney Gonçalves do Carmo - 30/07/2015

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Manchete da pág. 29 de O Estado de São Paulo de 30 de julho de 2000: “Sucessão de fatalidades” causou choque de trens.

Explicação é da CPTM para o acidente que deixou 9 mortos e 120 feridos na Estação Perus; técnicos da empresa  tiveram de 8 a 9 minutos para tentar evitar a colisão dos dois trens.

Uma “sucessão de fatalidades” é a explicação dada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para o choque entre trens ocorrido na Estação Perus, zona oeste de São Paulo, na noite de sexta-feira. O acidente deixou 9 mortos e 120 feridos. Cinco pessoas permaneciam internadas em estado grave, ontem.

Uma sindicância promete revelar as causas do acidente em 15 dias, segundo o presidente da CPTM, Oliver Hossepian Salles de Lima. Sabe-se, no entanto, que o trem que colidiu com a composição que estava parada em Perus percorreu 5,5 quilômetros e demorou de oito a nove minutos para causar o acidente. Mesmo assim, não foi possível, segundo a CPTM, evitar a tragédia.

Para o diretor da Companhia, João Roberto Zaniboni, a primeira questão a ser esclarecida é a queda da rede de alimentação elétrica no trecho entre Jaraguá e Perus, na Linha A, que vai do Brás até Francisco Morato, na Grande São Paulo.

A falta de energia foi constatada às 19h15 e o trem VA-127 permaneceu parado no trecho. Estavam na composição apenas o maquinista, identificado como Oswaldo, e o auxiliar Celmo Quintal, um dos mortos no acidente.

Com o tráfego parcialmente interrompido, a CPTM adotou o Programa de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE). Os passageiros estavam sendo transportados de ônibus no trecho afetado e embarcavam no trem em Perus.

Freios

Ás 21h15, o maquinista avisou o Centro de Controle Operacional que os dois freios começaram a falhar e o trem passou a se movimentar. O trecho Jaraguá-Perus é de descida. Oswaldo desceu do trem e tentou encontrar pedaços de madeira para calçar a composição. Segundo Zaniboni, a central orientou o maquinista do trem VA-145 – que aguardava embarque de passageiros em Perus – que saísse do local. “A partir dali, o trecho inicia uma subida e a composição desgovernada não seguiria adiante”, explicou Zaniboni.

O maquinista não conseguiu partir rapidamente porque as portas do trem estavam abertas por causa do embarque de passageiros. Quando conseguiu condições para partir, a rede elétrica caiu. “O trem desgovernado derrubou duas vezes a corrente”, diz o diretor.

Ainda durante o percurso do trem desgovernado, os técnicos tentaram descarrilar a composição por meio de chaves nos trilhos. Também não deu certo. A orientação seguinte foi de retirar os passageiros do trem.

Segundo Zaniboni, muitos conseguiram sair. A composição, com oito vagões, chegou a estação com auxiliar a bordo, arrancou a passarela de pedestres arrastando-a por 150 metros e bateu violentamente no trem parado. O auxiliar de maquinista morreu na hora.

Apenas a perícia poderá revelar a velocidade alcançada pela composição. Um os vagões foi lançada para cima e destruiu parte da estação. Muitos passageiros foram atingidos por tijolos, telhas e pedaços de ferro retorcidos.

Indenização

O presidente da CPTM garantiu que a companhia vai indenizar todos os feridos e as famílias das vítimas. “Daremos toda a assistência possível”, declarou. Os valores serão analisados individualmente.

O Secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado, Cláudio de Senna Frederico, esteve no local durante a madrugada e disse que muitas são as perguntas e poucas as respostas. A principal é saber se houve falha humana ou técnica.

Comentário do SINFERP

Na mesma edição, e sob o título Para Covas CPTM “nunca teve tanta qualidade”, o governador, que esteve no local do acidente por volta das 10h45 do dia 29, garantiu “que o choque não foi provocado por problemas na linha dos trens, uma vez que toda a via permanente do trecho entre as estações Jaraguá e Perus e as composições foram trocadas nos últimos meses”.

Depois disso, como de costume, entrou em cena a operação “abafa”, e não se falou mais nisso. Inaugurava-se a blindagem em torno da administração da CPTM. Empresa modelo, exemplo de qualidade, perfeita, etc. Inaugurava-se também naquele momento, apesar de tímida, a tendência a empurrar as “causas” ao fator humano. Mais tarde inventaram novos personagens: vândalos e sabotadores.

Em 19 de novembro de 2012 – 12 anos depois do acidente - a CPTM foi condenada a indenizar as vítimas do acidente, e tudo acabou ai. Ficou o dito pelo não dito.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Estudante que perdeu braço em assalto em trem processará SuperVia (RJ): "Você se sente abandonado"

Segundo Naiara Ramalho, concessionária alega que responsabilidade é do governo.

Naiara de Sousa Ramalho, de 27 anos, que perdeu o braço direito em assalto em um trem da SuperVia diz que, até agora, não recebeu assistência da concessionária. A estudante afirmou que vai processar a SuperVia.  
— A SuperVia alega que é culpa de segurança pública, culpa do governo.
Ela estava na estação Édson Passos, em Mesquita, Baixada Fluminense, quando foi assaltada dentro do trem. Ao tentar sair da composição, a mochila dela ficou presa à porta. A estudante foi arrastada e caiu no vão entre o trem e a plataforma.  
— Em momento nenhum, eu não vi agentes da SuperVia na plataforma. Deveria ter um mínimo de agentes da SuperVia. Você se sente abandonado.  
Após a perda do braço, ela está tendo que reaprender a fazer atividades do dia-a-dia, como escrever, usar celular e, até mesmo, ter equilíbrio enquanto caminha.
Por meio de nota, a SuperVia afirmou que "a segurança pública no sistema ferroviário é atividade típica e exclusiva do governo do Estado, que atua nas estações e trens por meio do GPFer (Grupamento de Policiamento Ferroviário). Esta é uma das determinações do contrato de concessão".
R7 – 28/07/2015

Comentário do SINFERP


Conversa fiada. A responsabilidade objetiva pela segurança do usuário é da concessionária, pois foi com ela que o usuário firmou contrato de prestação de serviço..

Três anos de problemas estaduais em mobilidade viram culpa da União

Reportagem do Valor responsabiliza falta de repasse do governo federal pela paralisação de obras de metrôs. Os exemplos, contudo, são de erros em governos estaduais e prefeituras,

Jornal GGN - O último livro de Umberto Eco ensina como contar uma inverdade sem mentir. Na edição de hoje, o jornal Valor Econômico deu uma boa demonstração de como se valer desses recursos.

A principal manchete de hoje é sobre as obras travadas do PAC mobilidade.

A reportagem tem duas versões: uma para a capa (com muito maior visibilidade) e outra para as páginas internas.

Na capa, todas as informações remetem a responsabilidade para o governo federal. O texto de capa informa que quase 100 quilômetros de linhas de metrô ou de veículos leves sobre trilhos, planejados há três anos, ficaram apenas no papel.

O jornal informa que em abril de 2012, a presidente Dilma Rousseff prometeu recursos para "espalhar linhas de metrô pelas maiores capitais do país", com um pacote de R$ 32 bilhões. No evento de anúncio do repasse de recursos, o Valor publicou que a presidente "atacou quem demonstrava complexo de viralata", referindo-se ao passado, quando "diziam" que o Brasil "não tinha condições de investir em metrô".

"Entre a promessa e a realidade, o retrato é frustrante", continua a matéria de capa. "Até o fim do primeiro trimestre, apenas R$ 824 milhões de tudo o que Dilma havia prometido tinham sido efetivamente pagos", aponta, como se o Orçamento da União fosse o único requisito para "tirar do papel" as construções de mobilidade. 

São Tomás de Aquino dizia que uma das formas de mentir consiste em não contar toda a verdade. Na capa se resumiu tudo, menos o essencial: das sete capitais analisadas, em seis delas os atrasos são de responsabilidade dos respectivos governos estaduais: problemas de projetos, mudanças societárias no consórcio vencedor da licitação e outras razões pontuais.

Mas o jornal optou por colocar a parte mais relevante da reportagem apenas nas páginas internas.

Em Brasília, o projeto básico de engenharia (que deve ser apresentado pelo governo) atrasou. Em Goiânia, "faltam 90% das desapropriações" - por ser uma obra PPP entre a Odebrecht e o governo estadual, a desapropriação e de responsabilidade do estado. Em Belo Horizonte, erros também no projeto básico de engenharia. Em Curitiba, a licitação para as obras realizada pela prefeitura foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado e, depois de liberada, a prefeitura pede reajuste dos valores. Em Porto Alegre, "o governo estadual que entraria com a maior parte dos recursos complementares vive crise financeira". 

No Rio de Janeiro, o impasse teve início porque o governo estadual espera o dinheiro ser liberado pela Caixa e do fundo perdido do Ministério das Cidades. Mas para liberar os recursos, a obra precisa ser licitada.  E a licitação não ocorre, porque o Estado quer garantia de que os recursos vão ser repassados.

De todas as sete capitais listadas pelo Valor, Fortaleza é a única que "deu sinais concretos de avanço". E nela, "mais de 70% dos investimentos previstos têm origem no Orçamento Geral da União (OGU)". A obra, contudo, está abandonada. "Especula-se que houve falta de repasses, mas ninguém confirma", disse o coordenador do sindicato dos trabalhadores da construção no Ceará. Parte interessada na denúncia, se houvesse, a própria Secretaria Estadual de Infraestrutura "nega problemas orçamentários e atribui a paralisia a mudanças societárias no consórcio vencedor da licitação".


Jornal GGN – Patrícia Faermann – 28/07/2015