terça-feira, 29 de abril de 2014

Roubos no Metrô e na CPTM quase dobram no 1º trimestre

Foto Tiago Chiaravalloti
A estação da Sé teve o maior número de registros do crime em todo o sistema metroviário.
Quase dobrou a quantidade de roubos no Metrô e na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Divulgada na última semana, a tabela com estatísticas criminais da SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública) indica que no primeiro trimestre deste ano houve 115 roubos no sistema, ante 67 casos no mesmo período do ano passado. Em contrapartida, os casos de furto (quando não há ameaças ou violência contra a vítima) caíram de 1.226, entre janeiro e março de 2013, para 1.010 nos três meses iniciais deste ano. 
A reportagem questionou o Metrô e a CPTM sobre quais estações da rede mais tiveram mais roubos e furtos no período, mas não obteve resposta das duas empresas, ambas controladas pelo governo do Estado. Contudo, dados oficiais obtidos pelo Estado via Lei de Acesso à Informação ajudam a ter uma ideia sobre a distribuição desse tipo de violência nas paradas. 
No caso do Metrô, na Estação da Sé, que conecta as Linhas 1-Azul e 3-Vermelha, houve o cômputo de 136 roubos entre janeiro e o início de dezembro de 2013. Foi o ponto onde mais se praticou esse crime no sistema inteiro. Em seguida, figura a Estação Palmeiras-Barra Funda, na Linha 3, com 77 casos, seguida de outra parada com grande movimento, a República, onde, no período, 60 roubos foram anotados. Em seguida, aparece a Estação da Luz, na Linha 1-Azul, com 38 casos. A Estação Brás vem em quinto lugar, com 36 roubos. Essas duas paradas são importantes pontos de conexão com a malha da CPTM. 
Em se tratando de quantidade de furtos naquele período, a lista de estações é a seguinte: Barra Funda (13), Sé (12), República (8) e Luz (7). A CPTM não respondeu, mesmo por meio da Lei de Acesso à Informação, quantos roubos e furtos houve em cada estação. 
Linha 4 
Isoladamente, a Linha 4-Amarela, operada pela concessionária privada ViaQuatro, registrou 75 furtos em suas seis estações ao longo de 2013, revelam dados também obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. No ano anterior, houve 37 casos. Já os roubos saltaram de dois para 12 no mesmo período. Aberta em 2010, a Linha 4 cresce mais do que as outras em números de passageiros ano a ano. 
Resposta 
Em nota, a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, responsável pelo Metrô e pela CPTM, informou que diariamente os dois sistemas são usados por 7,6 milhões de passageiros e que o indicador de ocorrências de segurança pública no sistema "vem se mantendo estável nos últimos anos, com menos de uma ocorrência por milhão de passageiros transportados". 
Além disso, informa o texto, a rede do Metrô "conta com agentes de segurança e 3.077 câmaras distribuídas ao longo de cinco linhas e 65 estações". Já na CPTM, há "um contingente de 1.300 homens dedicados à segurança, além de um moderno sistema de monitoramento de imagens nas 92 estações e câmeras internas nos trens". 
A pasta disse ainda ter uma "estreita parceria" com as polícias Civil e Militar, trabalhando no intuito de prover segurança aos usuários e aos empregados. 
R7 – 29/04/2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Passageiro vai à Justiça contra a CPTM

foto M. Maranhão
O digitador Weslei Duarte, que caiu no vão entre o trem e a plataforma, se diz vítima da companhia.
Levantamento exclusivo do DIÁRIO, fornecido por meio da Lei de Acesso à Informação junto ao Tribunal de Justiça do estado de São Paulo, mostra que, em dez anos, o número de ações indenizatórias contra a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) por danos materiais ou morais, perdas e danos e acidentes de trânsito cresceu 37,5%. 
Foram 141 processos abertos no ano de 2004, contra 194 em 2013. Se comparados os números de 2012 e 2013, a diferença é ainda maior: 106 para 194, um aumento expressivo de 45%.
As reclamações na ouvidoria, fornecidas pela CPTM e registradas desde 2006, ano em que teve início o levantamento, também cresceram, porém, em menor escala. Enquanto em 2006 o número registrado foi de 2.184, em 2013 as ações chegaram a 2.350. O pico foi em 2009, com 4.407 queixas. Conforto (lotação), regularidade (intervalo) e atendimento (informação) são os principais problemas alegados pelos usuários.
Ações judiciais envolvendo acidentes também não são raras. O caso do digitador Weslei Duarte, de 46 anos, que caiu no vão entre o trem e a plataforma, resultou em uma delas. A CPTM nega a versão dele (veja mais abaixo).
A companhia informa que em 2004 transportava a média de 1,2 milhão de passageiros por dia útil. Hoje, são 2,8 milhões. “Como se pode notar, a companhia mais que dobrou o número de passageiros transportados neste período, enquanto o número de ações se manteve estável”, diz a empresa.
SPTrans/ Na contramão dos trens, os ônibus da capital paulista apresentaram queda de 43% no número de ações indenizatórias dos usuários do sistema. Dez anos atrás, 265 processos foram abertos. Em 2013, o número foi de 150 ações judiciais. O ano em que os advogados da Prefeitura tiveram mais trabalho nessa questão foi 2006, quando 740 ações foram abertas na Justiça.
A SPTrans, responsável pelo do transporte municipal, preferiu comentar somente os números de reclamações de 2013 para cá, período da administração Fernando Haddad (PT). A empresa destaca a utilização das queixas dos usuários como ferramenta para melhorar continuamente o trabalho.
Entrevista com o digitador Weslei Duarte. 
O digitador Weslei Duarte, de 46 anos, se diz vítima da companhia estadual. Em agosto de 2012, ele esperava um trem na Estação Presidente Altino, localizada na Linha 8-Diamante da CPTM. Quando entrava no trem, a porta fechou sem que o aviso sonoro tivesse soado, diz. Segundo conta, o braço ficou preso e ele acabou caindo no vão entre o trem e a plataforma ao dar um passo para trás.
DIÁRIO_ O que houve naquele 29 de agosto de 2012?
WESLEI DUARTE_ Eu retornava do trabalho, por volta das 19h30, e o trem parou. Quando entrei, a porta fechou de repente, sem que o aviso sonoro tivesse soado. Meu braço ficou preso, mas consegui me soltar. Só que acabei dando um passo para trás e caí no vão. Ninguém da CPTM veio me ajudar. Tive de sair sozinho do buraco. Sorte que o trem não andou.
Mas você não foi socorrido?
Duas senhoras viram meu desespero e chamaram os seguranças. Eles me levaram de cadeira de rodas até a sala de operações. Eles riam da minha cara e demoraram demais para pedir autorização a uma pessoa para chamar uma ambulância.
Você se machucou muito?
Quebrei o ombro em quatro partes, passei por cirurgia e fiquei quase um ano afastado do trabalho. O pior de tudo foi que fiquei com sequelas. Não consigo mais levantar o braço. Moro sozinho e não levo mais uma vida normal.
Você ainda pega o mesmo trem?
Infelizmente, sim. Moro em Perus e trabalho no Jaguaré (Zona Oeste). É sempre um trauma aquela estação. Outro trauma é a cicatriz de 14 centímetros que herdei da cirurgia.
Usuário tomou consciência
O aumento no número de processos contra a CPTM é um termômetro que aponta uma conscientização do usuário. Os passageiros descobriram que podem reclamar, que podem buscar seus direitos. O fato de o número de usuários ter crescido não pode servir de desculpa para a má qualidade do serviço prestado. A responsabilidade objetiva dos problemas é da companhia e ela tem o dever de dar qualidade a quem utiliza o transporte.
Defensora pública critica serviços da companhia

Para a defensora pública Betânia Devechi Ferraz Bonfá, advogada de Weslei Duarte, casos como o do digitador só evidenciam a “falta de segurança” nos serviços da CPTM. “O número de usuários cresceu, sim, mas a segurança não acompanhou (o aumento na demanda). E o fato de os agentes terem demorado para prestar socorro também aponta problemas no atendimento desse tipo de ocorrência”, afirma ela.
Porém, a CPTM tem outra versão para o caso e enviou ao DIÁRIO imagens das câmeras de segurança do dia do acidente. No vídeo, o digitador aparece correndo nas escadas e tenta entrar no trem enquanto a porta já se fechava, após a sinalização sonora.
“Como não houve tempo hábil para ele entrar na composição, ele acabou caindo no vão de 20 centímetros (e não de 45 centímetros, como diz a defesa). Dois agentes o socorreram, como revelam as imagens anexas ao processo judicial”, destacou a companhia.
buraco/ Outro questionamento da Defensoria diz respeito à largura do vão do trem, o que, argumenta a defensora Betânia, representa perigo à vida dos usuários. A CPTM explica que o tamanho, de 20 centímetros é devido ao compartilhamento entre os trens de passageiros e os de carga, que são de tamanho diferente e de responsabilidade do governo federal. “Para reduzir esse espaço, a frota está equipada com estribos (extensores de piso).”
Ainda conforme a CPTM, nos últimos dez anos o estado investiu R$ 7 bilhões em construção e modernização de estações e foram adquiridos 105 novos trens. Para os próximos três anos “estão encomendadas mais 65 composições”.

Diário de São Paulo – Ulisses de Oliveira – 28/04/2014

domingo, 27 de abril de 2014

Em Cuiabá (MT), presidente Dilma Rousseff faz defesa da implantação do VLT

VLT deveria ter sido concluído em março, mas só deve ficar pronto em 2015. Dilma também visitou a Arena Pantanal, que vai receber 4 jogos da Copa.

A presidente Dilma Rousseff, em visita oficial a Cuiabá nesta quinta-feira (24), fez uma defesa pública da implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na capital mato-grossense. "O VLT é a base, o início para todo um sistema integrado de transporte, que será essencial", disse Dilma, durante a solenidade de entrega de casas do Programa Minha Casa Minha Vida em um bairro da capital. O VLT, ressaltou Dilma, é um investimento que a cidade precisa para crescer com qualidade no transporte de massa.

A obra de implantação do VLT em Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana da capital, está orçada em R$ 1,4 bilhão e deveria ter sido concluída em março. O atraso nos dois eixos do VLT já levou o governo a descartar a previsão inicial, que era implantar o novo sistema até o Mundial de futebol, para reconhecer que o modal só começará a ser utilizado pela população a partir de 2015.

Dilma Rousseff também minimizou o impacto que as obras tanto do VLT quanto as demais obras de mobilidade têm provocado na população cuiabana, com interdições e desvios nas principais avenidas da cidade. Ela disse que é importante ter "a casa arrumada para a Copa", mas que os mato-grossenses devem estar abertos para recepcionar bem os turistas. Segundo a presidente, as grandes intervenções no trânsito "a princípio é um problema, mas depois se torna solução".

Casas e formatura

Dilma Rousseff participou na manhã desta quinta-feira da entrega de 638 casas casas do Residencial Altos do Parque II, do programa Minha Casa Minha Vida. Em seguida, a presidente visitou a Arena Pantanal, estádio construído em Cuiabá para receber quatro jogos da Copa do Munod. À tarde a presidente deve participar da formatura de 1.200 estudantes do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).


G1 – 27/04/2014

O preço da tarifa congelada

Os pagadores da farra dos contratos
Como era inevitável, já começam a aparecer as consequências do congelamento da tarifa dos meios de transporte coletivo da capital em R$ 3, o que vem lembrar às autoridades estaduais e municipais - responsáveis respectivamente pelo sistema metroferroviário e o serviço de ônibus - que em algum momento, que não vai tardar, terão de enfrentar o problema. Tarefa difícil, pois não haverá como escapar das decisões corajosas e impopulares que o caso exige.
O prejuízo do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aumentou no ano passado, como mostram estudos das duas empresas, segundo reportagem do Estado. E o governo reconhece que uma das causas disso é a revogação do reajuste da tarifa, que de R$ 3,20 voltou para R$ 3, em resposta às manifestações de rua de junho passado. Os números impressionam. A subvenção para a CPTM, por exemplo, aumentou 43,7%, indo de R$ 537,5 milhões em 2012 para R$ 772,2 milhões no ano passado. Quanto ao Metrô, ele não recebe subvenção direta, mas compensações como a referente à gratuidade para idosos.
Quanto ao prejuízo, o da CPTM foi de R$ 507,4 milhões ante R$ 217,2 milhões no período considerado, um aumento de 133%. O do Metrô foi igualmente muito grande, pois passou de R$ 28,6 milhões para R$ 76,4 milhões. Prejuízos dessa ordem só podem ser explicados pela contenção da tarifa em níveis claramente irrealistas. O reajuste de R$ 0,20 já ficara abaixo da correção exigida pela inflação registrada entre um aumento e outro.
Ele foi, aos olhos do governo estadual e da Prefeitura, o máximo de concessão possível para evitar reações dos usuários. Mas, mesmo assim, os protestos não só vieram, como adquiriram dimensões impressionantes, com as manifestações que, a partir de São Paulo, se espalharam pelas principais cidades do País. Com a revogação do aumento, em resposta ao movimento, o peso dos subsídios ao transporte coletivo ficou muito maior do que aquilo que o Estado e a Prefeitura de São Paulo julgavam tolerável, ainda que com sacrifício.
Para enfrentar essa situação, o Metrô afirma em nota oficial que, "diante do congelamento das tarifas, a empresa, em sintonia com as diretrizes do governo do Estado para a racionalização e eficiência da utilização dos recursos, intensificou as ações de combate ao desperdício e promoveu a renegociação de contratos". Em outras palavras, está cortando tudo que é possível para fazer economia. O mesmo faz a CPTM. Segundo o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, o ponto principal desse esforço, "a economia forte que nós fizemos, foi nas licitações, com reduções de até 40% no valor das obras".
Mas nada disso livra o governo de dois problemas. Em primeiro lugar, embora ele insista em que os cortes de gastos estão sendo feitos de forma a não prejudicar a segurança do sistema, é muito difícil de evitar que, conjugados com a superlotação dos trens do metrô e da CPTM, eles não a afetem. Certamente não é por acaso que as panes no sistema metroferroviário se tornaram mais frequentes.
Em segundo lugar, é evidente que, por mais importantes que possam ser as economias, elas não conseguirão cobrir por tempo muito longo os custos acarretados pelo congelamento da tarifa. Segundo o governador Geraldo Alckmin, "não tem nenhuma notícia de aumento de passagem" neste ano. Com a Copa do Mundo, as eleições e o temor de novas manifestações, não seria mesmo de esperar outra coisa. E tudo que vale para ele vale igualmente para o prefeito Fernando Haddad. Mesmo às voltas com subsídios ao serviço de ônibus, que com a tarifa congelada chegaram às alturas de R$ 1,6 bilhão, também ele certamente não a aumentará logo.
Mas, não importa por que motivos, quanto mais demorar o descongelamento, mais grave será o problema. O reajuste terá de ser maior, assim como crescerá o rombo financeiro. E não se terá como evitar o seu reflexo na segurança do sistema de transporte coletivo. Tudo à custa da população que, em última instância, é quem paga a conta com seus impostos.
O Estado de São Paulo – 26/04/2014

Comentários do SINFERP


Que conversa fiada: se vão combater desperdício é porque existe desperdício, e se irão renegociar contratos é porque os valores deles estão repletos de gorduras. Neste governo CPTM e Metrô tornaram-se balcões de negócios, onde ele, governo, faz as tais PPPs junto a seus parceiros privados. Para garantir lucratividades para os parceiros privados, corria-se facilmente ao bolso dos usuários pelos reajustes de tarifas. Na CPTM não são poucas as áreas com duplicidade de atividades e funções entre funcionários da empresa e das terceirizadas. Abrem editais para contratar até mesmo supervisores. Inevitável, portanto, é que com o congelamento das tarifas a farra dos contratos não viesse a público.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Cinco anos após reforma que custou R$ 40 milhões, CPTM "encosta" trens por falta de peças

Companhia diz que aguarda processo de licitação para que vagões parados voltem a circular.
Dois trens que custaram à CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) R$ 40 milhões para serem reformados e foram entregues em 2007 estão abandonados e sucateados em um pátio da companhia, na zona leste da cidade de São Paulo.

Em 2005, durante a primeira gestão do governador Geraldo Alckmin, o Estado de São Paulo abriu licitação para remobilizar, recuperar e modernizar 45 trens da CPTM. O consórcio BT Brasil — formado pelas empresas Bombardier e Tejofran — venceu a disputa para reformar um lote com quatro composições da frota 5500, fabricadas em 1980, e recebeu para isso R$ 83,2 milhões dos cofres públicos. 

Denúncia recebida com exclusividade pelo R7 e entregue pela reportagem ao Ministério Público do Estado de São Paulo aponta que os trens foram inutilizados depois de apresentar uma série de problemas. Como cada um deles custou cerca de R$ 20 milhões, o equivalente a R$ 40 milhões estão parados.

Fotos feitas por funcionários mostram que peças estão sendo retiradas das composições paradas. Elas estão em um pátio no Brás, em processo de sucateamento. As imagens deixam claro que foram removidos equipamentos dos painéis e das laterais dos vagões.
Questionada, a CPTM diz que não aposentou os dois trens e que eles “estão em processo de manutenção corretiva, aguardando por peças que estavam em falta no estoque”. A empresa ainda acrescenta que um deles entrou na oficina em junho e outro em dezembro do ano passado e que já abriu licitação para a compra das peças. Segundo a companhia, não há prejuízo à população.
O contrato inicial assinado com o consórcio para a recuperação da série 5500 era no valor de R$ 61,5 milhões para a reforma de três composições, mas, ao longo do processo, recebeu um aditivo de R$ 21,7 milhões [valor de mais um trem], que extrapolou o limite legal. Mesmo assim, o Tribunal de Contas do Estado entendeu que não houve irregularidades na execução do contrato.
A maioria das frotas reformadas continua em circulação até hoje. A série 1100, por exemplo, fabricada na década de 50, que opera na linha 7-Rubi, foi modernizada na mesma época, mas apresenta iluminação interna precária, não possui ar-condicionado nem sistema de câmeras de segurança.
O professor Gustavo Fernandes, do Departamento de Gestão Pública da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, diz que o problema não é a realização de reformas nos trens, mas a dificuldade das empresas em contornar eventuais problemas decorrentes disso.
— De fato, faz sentido reformar. Se você analisar outras linhas de metrô mais antigas como Londres, Nova York, eles mesmos renovam. O que causa estranhamento, e que requer providências, é que, se o trem está quebrado, precisa reparar. Mas, às vezes, os processos dentro das companhias e a velocidade de resposta são tão lentos que as coisas acabam paradas.
Outro lado

Em nota, a Bombardier diz que “entregou os trens reformados ao cliente atendendo a todos os aspectos exigidos na licitação e que não detectou nenhuma reclamação por parte do cliente no que diz respeito a problemas técnicos das composições”. A Tejofran também foi procurada pelo R7 para comentar o caso, mas não havia retornado até a publicação desta reportagem. 


R7 – Fernando Mellis - 25/04/2014

Comentários do SINFERP

Sem contar trens novos, que são canibalizados para fornecer peças para outros trens igualmente novos.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Com atraso, Alckmin reinaugura trecho da CPTM com menos estações

Estação Cimenrita
Linha 8-Diamante foi reaberta oficialmente com promessa de construção de mais duas estações que já existiram.

SÃO PAULO - Depois de quase quatro anos de obras e mais de dois anos de atraso, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reinaugurou oficialmente nesta quarta-feira, 23, o trecho de 6,3 km da extensão operacional da Linha 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em Itapevi, na Grande São Paulo, fechado para a reforma em maio de 2010. O ramal, que antes tinha cinco estações, foi reaberto com três: Itapevi, Santa Rita e Amador Bueno.

Durante a cerimônia de descerramento das placas de reinauguração das Estações Santa Rita e Amador Bueno, o tucano prometeu reconstruir as outras duas paradas que existiam nesse trecho antes da revitalização, Ambuitá e Cimenrita, também em Itapevi. Elas não estavam no projeto original de reforma, lançado no governo José Serra, antecessor de Alckmin também filiado ao PSDB. O projeto de Ambuitá já está pronto, garantiu o tucano.
O trecho em questão passa a ser atendido por trens antigos com apenas quatro vagões e sem ar-condicionado, como os novos que operam no restante da Linha 8. Além disso, para que os passageiros de distritos populosos de Itapevi, como Amador Bueno, possam seguir para a região central de São Paulo, onde termina o ramal, têm que fazer baldeação na Estação Itapevi, já que os trilhos não são complementares.
O governo informou ter gasto R$ 83,5 milhões para a modernização, iniciada em 2010. Naquela época, a promessa de entrega do trecho reformado era o fim de 2011, o que não se concretizou. A gestão Alckmin creditou a demora a questionamentos feitos pelo Ministério Público a respeito das passagens de nível (locais em que as pessoas ou carros atravessam os trilhos) desse tramo da Linha 8.
Trenzinho. "Aqui não tem uma demanda para oito carros (vagões), então é um trem com quatro carros", afirmou Alckmin durante coletiva à imprensa na Estação Amador Bueno. E para ar-condicionado, o governador acredita que o trecho tem demanda? "Pode ter. A CPTM fez a reforma, ela mesma, nas suas oficinas", respondeu o tucano, acrescentando que o tipo de composição que atendem o trecho "não é trenzinho, é trem, trem, normal".

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que há 3,5 mil passageiros no trecho entre Amador Bueno e Itapevi, um número bem inferior ao do restante da linha. Por isso, a CPTM decidiu cortar os trens antigos, que antes tinham oito vagões, para composições menores, mais adequadas à demanda do local.
"A frequência que temos lá (no resto da Linha 8-Diamante) é de (um trem por sentido de) quatro em quatro minutos na hora do pico, chegando agora a três. Então, (aqui) não há passageiro suficiente para você servir com o mesmo trem que está lá. Cada trem aqui é para mil passageiros, o que é bastante suficiente para dar acesso aos 3,5 mil passageiros por dia. No horário de pico da manhã, por exemplo, dá em torno de 700 passageiros. Um trem cheio levaria todo o pico da manhã", afirmou Fernandes.

Antes da reforma o trecho só tinha uma via, fazendo com que o trem fosse e voltasse pelos mesmos trilhos, impedindo a CPTM de aumentar o seu intervalo. Agora, a oferta será de quatro saídas de trem por hora.
O secretário Fernandes disse ainda que a licitação e as obras começam das Estações Ambuitá e Cimenrita começam no ano que vem. "Não é uma obra tão grande, mas uma estação sempre leva 12 meses." Segundo ele, as duas podem ser entregues em 2016.
Desde o início do mês, o trecho Amador Bueno-Itapevi funcionava em operação assistida, apenas durante uma parte do dia. A partir dessa quinta-feira, 24, o horário será integrado ao restante da operação da CPTM, ou seja, das 4h à meia-noite. Com a reintegração dos 6,3 km da extensão operacional da Linha 8-Diamante, a CPTM passa a contar com 261,3 km de trilhos.

O Estado de São Paulo – Caio do Valle – 23/04/2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Caçamba se choca com VLT de Maceió (AL) e provoca pânico

Técnicos da companhia se deslocam para o local para avaliar a situação. 

Um acidente envolvendo o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e uma caçamba deixou várias pessoas com escoriações leves no final da manhã desta quarta-feira, dia 23, na região do ABC, na periferia de Maceió. 

As causas do acidente ainda não foram determinadas, mas a desatenção do condutor da caçamba – que não teve a identidade divulgada – pode ter contribuído para a colisão. 

De acordo com informações fornecidas por passageiros, algumas pessoas tiveram ferimentos leves, uma vez que com o impacto, os passageiros sofreram deslocamentos abruptos. Há relatos, ainda, de algumas pessoas desmaiadas, mas não há registro de feridos com gravidade. 

Acidentes entre veículos de passeio, e tração, e o VLT já foi alvo de campanha da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, que lançou a campanha “você pode parar, o trem nem sempre”. O CBTU pedia a atenção aos sinais sonoros e luminoso principalmente nas passagens de nível da linha. 

Devido à colisão desta quarta, o transporte de passageiros está temporariamente suspenso na região do ABC. Técnicos da companhia se deslocam para o local para avaliar a situação.


Alagoas 24 horas – Claudia Galvão – 23/04/2014

terça-feira, 22 de abril de 2014

Falhas prejudicam a circulação das linhas de trem e do metrô, no começo da manhã desta terça-feira em São Paulo

Uma falha técnica afeta a circulação na linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) desde por volta das 4h30 desta terça-feira (22), segundo informações da assessoria de imprensa da empresa. O problema aconteceu perto da estação Ribeirão Pires, sentido Brás, e lotou as plataformas. 
Os trens circularam com velocidade reduzida e maior intervalo entre as composições entre as estações Brás e Rio Grande da Serra. Ainda segundo a empresa, o defeito foi resolvido por volta das 6h e, uma hora mais tarde, a operação foi normalizada. Na linha 8-Diamante, uma pessoa se jogou na via e a circulação ficou alterada por cerca de 1 hora, mas já foi normalizada.
A linha 1-Azul apresentou problemas na sinalização da porta de um dos carros de uma composição na estação São Bento, que seguia para o Jabaquara. O vagão foi esvaziado e o trem seguiu viagem até o seu destino. A falha ocorreu por volta das 7h43 e durou até as 7h52, porém, ainda provoca reflexos em toda linha que segue com velocidade reduzida. A linha 3-Vermelha também registrou, nesta manhã, maior tempo de parada devido.
As linhas de ônibus municipais circulam normalmente nesta manhã, segundo as empresas responsáveis pelo serviço. 

R7 – 22/04/2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sistema Aeromovel de Porto Alegre passa a operar

O segundo veículo do sistema Aeromovel de Porto Alegre passou a operar experimentalmente entre a Estação Aeroporto do metrô da cidade e o Terminal 1 do Aeroporto Salgado Filho, na última segunda-feira (14/04). O A200 tem capacidade para 300 passageiros, o dobro do A100, que já circulava também em caráter experimental desde a abertura ao público da conexão metrô-aeroporto, em agosto de 2013.

Segundo o engenheiro da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb) e coordenador do projeto de implantação da linha, Sidemar Francisco da Silva, esse momento é importante para avaliar o comportamento do sistema, especialmente as fontes de energia, o veículo e a via. Testes e ajustes serão feitos até que o veículo apresente condições estáveis para atuar em tempo integral.

A conexão metrô-aeroporto via tecnologia Aeromovel percorre um trajeto de 814 metros em dois minutos. A linha funciona ainda em caráter experimental, das 6h30 às 16h, apenas em dias úteis. O meio de transporte 100% nacional apresenta baixo custo de implantação e operação, reduzido impacto ambiental e é a primeira linha comercial da tecnologia no Brasil. O usuário paga o bilhete do metrô e o ingresso na linha do aeromovel não é cobrado.


Mercado e Eventos – 21/04/2014

sábado, 19 de abril de 2014

FCA vai devolver à União ferrovias em pior estado

Empresa indenizará governo em R$ 870 milhões, que serão aplicados nela mesma. Nos próximos meses, cerca de 4.200 km de ferrovias podem ser desativados no Brasil. Os trechos fazem parte da malha que hoje é administrada pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que tem a Vale em sua composição acionária. A empresa pretende devolvê-los ao governo até o meio do ano, alegando que são “antieconômicos” ou que coincidirão com outros trechos que estão em projeto. Cerca de 1.000 km já estão desativados e os outros devem parar de funcionar, caso não haja novos interessados. A FCA vai devolver a malha à União em condições bem piores do que recebeu.

O tema foi debatido em audiência pública realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ontem, em Belo Horizonte. Por não ter conservado a malha, a empresa pagará uma indenização de cerca de R$ 870 milhões (R$ 760 milhões acrescidos de 15 % a título de vantajosidade para o setor público). O valor é o estimado para recuperar os trechos. O dinheiro, porém, não será aplicado pelo Ministério dos Transportes nas ferrovias devolvidas e, sim, na parte que continuará sendo administrada pela FCA.

“No contrato de concessão, a empresa se compromete a não desativar um quilômetro de trilhos sequer. E desativou muitos, logo depois da concessão. Em vez de ser punida, ela vai ser premiada pelo governo. Não é um negócio da China, é um negócio que só acontece no Brasil”, critica Antônio Augusto Moreira de Faria, professor da UFMG.

O representante da ANTT, Fernando Formiga, explicou que as obras que serão realizadas na malha da FCA não são de responsabilidade da empresa. “São pontos conflitantes entre a cidade e a ferrovia. Não seriam, de forma nenhuma, obrigação da concessionária”, diz ele, citando como exemplo a eliminação de passagens de nível.

Por meio de nota, a empresa disse que entrou em acordo com o governo “que seria mais vantajoso para a sociedade a substituição do valor dos investimentos que seriam gastos na recuperação destes trechos por novos investimentos em obras, que não constam originalmente nas obrigações da concessionária, em regiões mais relevantes para o planejamento logístico nacional”. A empresa ressalta que as obras foram definidas pelo Ministério dos Transportes. Elas serão executadas até o término da concessão da FCA.

Alguns trechos devolvidos pela FCA são contemplados pelo Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado pelo governo federal em 2012 e que pretende construir 10 mil km de ferrovias no país. As obras, no entanto, não têm sequer projeto executivo pronto.
Contrato
Prazo. A FCA recebeu a concessão das ferrovias em 1996. Ela poderia administrar os trechos por 30 anos (até 2026), prorrogáveis por mais 30 anos, mas desistiu de parte deles 12 anos antes.


O Tempo – Ana Paula Predrosa - 19/04/2014

Área do antigo VLT acumula lixo e criadouros de dengue em Campinas (SP)

Falta manutenção da Prefeitura e descaso da população geram o problema. Cidade passa por epidemia de dengue e confirma 14 mil casos da doença.

A falta de limpeza e fiscalização do poder público, além do descaso da população, deixam a área do antigo Veículo Leve sobre Trilhos (VTL) no Jardim Campos Elíseos, em  Campinas (SP), com acúmulo de lixo e pneus, a maior parte deles com água parada, potencial criadouro para o mosquito transmissor da dengue. A cidade passa pela maior epidemia da história e já confirmou 14 mil casos da doença.

"Há campanhas, o pessoal do postinho de vez em quando desce nas nossas casas querendo saber, mas o pessoal não se conscientiza, infelizmente", disse o professor Tiago Fonseca, morador da região. Na avaliação dele, o problema é reflexo tanto da falta de consciência da população que joga o lixo quanto do poder público.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Campinas informou que a limpeza na extensão das linhas do VLT já foi iniciada. Segundo  a administração municipal, os serviços de manutenção na área devem durar três semanas.

Epidemia de dengue

A Prefeitura já considera a epidemia de dengue deste ano a maior da história da cidade e trabalha com a projeção de 14.002 casos da doença em Campinas. Além disso, a administração municipal investiga mais uma morte, de uma moradora do Jardim Satélite Iris, de 27 anos. Com isso, além de um óbito comprovado, são sete suspeitos.


G1 – 18/04/2014

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Metrô do DF reduz velocidade de trens devido a rachadura em trilho

foto Lucas Salomão
Problema é entre Arniqueiras e Guará; sindicato vê ameaça de acidente. Empresa diz que reparo provisório está sendo feito e nega haver riscos.

A velocidade do metrô do Distrito Federal entre as estações Arniqueiras, em Águas Claras, e Guará precisou foi reduzida para 40 quilômetros por hora desde terça-feira (17) devido a uma rachadura em um dos trilhos. A velocidade normal dos trens é de 60 quilômetros por hora.

A presidente do Sindicato dos Metroviários, Tânia Vieira, afirma que a rachadura coloca em risco a vida dos usuários e que o trem deveria ir e voltar numa única via. A direção do Metrô nega.

"Os trens não deveriam estar circulando sobre essa rachadura. Na verdade, para a segurança do usuário, o trem deveria, daqui de Águas Claras até o Guará, estar indo e voltando numa única via para preservar a vida das pessoas. Mas o metrô, com a negligência gerencial dele, está colocando em risco a vida das pessoas, passando por cima dessa rachadura que a qualquer momento pode descarrilar um trem."

O diretor do Metrô José Paiva confirma que o trecho está com problemas, mas afirma que a segurança dos passageiros não é afetada. Segundo ele, um serviço provisório está sendo feito no trilho durante a noite.

“O que ocorre é que nesse trecho onde foi detectada a necessidade desse trabalho é imposta uma redução da velocidade para 40 quilômetros por hora, porque as equipes de manutenção ainda precisam concluir o serviço e ele só pode ser feito durante o período da noite”, disse.

A diretora do sindicato, no entanto, afirma que com o equipamento adequado, o serviço poderia ter sido concluído em até duas horas. “Isso é uma questão urgentíssima para ser feita na hora que acontece. Não é esperar uma noite, duas noites”, disse.

Manutenção

O serviço de manutenção do Metrô é realizado pelo Consórcio Metroman desde 2007. O contrato venceu em setembro do ano passado e a mesma empresa foi contratada em caráter emergencial em novembro. Uma nova concorrência está prevista para ser aberta em maio.

O valor do contrato emergencial foi 30% inferior ao praticado anteriormente e corresponde a R$ 7 milhões por mês. À época, a então presidente do Metrô, Ivelise Longhi, justificou o valor menor à “experiência” do consórcio e à redução do serviço ao “estritamente necessário”.

Até o início do ano passado, o consórcio era formado pelas empresas Siemens e Serveng-Civilsan. Investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por suspeita de formação de cartel com a Alstom para obras de manutenção do Metrô de São Paulo e do DF, a Siemens deixou o consórcio no início do ano e foi substituída pela MGE.

Greve

Nesta quarta-feira (16), após determinação do Tribunal Regional do Trabalho, o metrô aumentou para metade da frota a quantidade de trens rodando durante a greve dos metroviários, iniciada no dia 4.

Na última sexta (11), após uma audiência que terminou sem acordo entre Metrô, empregados e o GDF, a diretora do sindicato Tânia Viana disse que a paralisação iria continuar por tempo indefinido. A greve foi retomada na segunda (14). O sindicato pedia redução de carga horária de 8 para 6 horas. O Metrô não aceitou.

Na semana passada, 40 pessoas foram presas durante um protesto contra  demora e superlotação de trens do Metrô. O problema ocorreu depois que representantes do sindicato bloquearam o acesso de pilotos e invadiram a sala de controle dos veículos, no sexto dia de greve. Os passageiros deixaram a estação de Ceilândia Centro e bloquearam o trânsito da Avenida Hélio Prates.

Os manifestantes teriam se irritado com a situação, que provocou um atraso superior a uma hora, e danificado alguns trens, além de acionar o botão de emergência. Por prevenção, a direção da autarquia decidiu suspender a operação em três estações de Ceilândia, desenergizando a via

G1 – Isabella Formiga - 17/04/2014

Comentários do SINFERP


E nada a ver com a greve. Fosse na CPTM, e seria “sabotagem”.

Índia: trem de passageiros descarrila e deixa vários feridos

Um trem de passageiros descarrilou na manhã desta quarta-feira no nordeste da Índia e deixou vários feridos, de acordo com informações da agência AP. O acidente aconteceu a cerca de 140 quilômetros de Gauhati, capital do Estado de Assam.

A empresa estatal ferroviária afirmou em comunicado que a locomotiva e nove, dos 13 vagões, descarrilaram perto da estação de Jagiroad. A causa do incidente ainda não foi descoberta, e está sendo investigada. 

Dos feridos, seis foram hospitalizados. Outras 36 pessoas tiveram ferimentos leves e foram autorizados a ir para casa depois de receber atendimento médico no local. 

Terra – 16/04/2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tribunal paralisa concorrência de nova linha do Metrô em SP

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo determinou a paralisação da concorrência de concessão da Linha 18-Bronze do Metrô. Avaliado em R$11,7 bilhões, o monotrilho liga a capital paulista a São Bernardo do Campo, no ABC. A decisão foi acatada pelo Metrô, que lamentou o posicionamento do TCE. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo despacho sobre  a concorrência, o TCE acolheu preliminarmente representação da PL Consultoria Financeira e RH. A empresa apontou "indícios de conluio estratégico na fase de definição das diretrizes fundamentais do projeto". A sessão pública para recebimento de propostas estava agendada para hoje e foi cancelada.
A PL se manifestou contra o edital e alegou a existência de apenas duas fabricantes de material rodante no mundo, a canadense Bombardier Transportation e a japonesa Hitachi. O conselheiro-relator Antonio Roque Citadini destacou em seu parecer que "a matéria, além de sua complexidade, é também, ainda que indiretamente, objeto de investigação noticiada nos autos, no âmbito do Conselho Administrativo e de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público Estadual" no caso de apuração de "suposto cartel no mercado de licitações públicas relativas a projetos de metrô ou trens de sistemas auxiliares".
Citadini considerou a alegação que aponta a "existência de cláusulas que impõem outras condicionantes que inviabilizam a competição e, em consequência disso, comprometem a eficiência do sistema".
A Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos se defendeu, destacando que a escolha pelo modelo do monotrilho já foi alvo de análise do TCE, sob relatoria de Citadini. Em nota, o Metrô alegou que "é de se estranhar que o pedido de suspensão tenha sido feito por uma empresa sem qualquer relevância no setor metroviário, com alegações sem qualquer embasamento".
A empresa informou ainda que vai apresentar os esclarecimentos para que a licitação e a obra não sejam prejudicadas, o que impede "o avanço e a expansão para regiões que necessitam de transporte".

Terra – 16/04/2014

Após decisão do TRT, Metrô-DF opera com mais trens nesta quarta

foto Luiza Cristina Maciel
Determinação provisória obriga que 50% dos veículos entrem em operação. Sindicato diz cumprir decisão; Metrô afirma que 10 dos 24 trens trafegam. 

Após determinação do Tribunal Regional do Trabalho, o Metrô do Distrito Federal aumentou o efetivo na manhã desta quarta-feira (16), durante a greve da categoria. A decisão provisória é de que o sistema opere com metade da frota, mas segundo o Metrô-DF, apenas 10 dos 24 trens trafegavam nas vias por volta das 7h30.

Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 50 mil por dia. Nesta manhã, os trens estavam trafegando em velocidade reduzida em alguns trechos e paravam entre algumas estações. Mesmo no horário de pico, a espera pelo transporte demorava até 30 minutos nesta quarta. Até esta terça, o sistema operava com 30% do efetivo.

A diretora do Sindicato dos Metroviários Tânia Viana afirmou que a determinação está sendo cumprida e o sistema opera com 12 trens nos horários de pico.

"Em um primeiro momento, nós vamos acatar a decisão. Depois nós vamos ver o que vamos fazer, pois até impedidos de entrar em qualquer lugar da empresa. Nenhum dirigente sindical pode entrar."

Segundo Tânia, o advogado do sindicato recebeu a determinação às 23h, uma hora antes de entrar em vigor. "Como eles querem que a gente se organize em uma hora?", diz a dirigente sindical.

Segundo o presidente do TRT-DF, André Damasceno, o percentual foi estabelecido devido à remota possibilidade de conciliação entre as partes antes do julgamento. “Evidentemente ainda não atende a necessidade da população. Mas ameniza os efeitos da greve até o julgamento.”

A decisão definitiva ainda não tem data marcada devido ao andamento do processo. De acordo com o tribunal, provas ainda estão sendo juntadas.

Na última sexta (11), após uma audiência que terminou sem acordo entre Metrô, empregados e GDF, a diretora do sindicato Tânia Viana disse que a paralisação iria continuar por tempo indefinido. A greve foi retomada na segunda (14).

“As principais reivindicações em relação à segurança dos empregados e dos usuários ficaram fora da pauta. Temos colegas que estão trabalhando nove horas e meia, sem refeição e em seis dias por semana, fazendo movimento repetitivo”, disse.

O sindicato pedia redução de carga horária de 8 para 6 horas. O Metrô não aceitou.

Entre as propostas da empresa estavam a reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 5% no ano passado, mais 1,5% sobre salários e benefícios, 110 bilhetes de quebra de caixa, implementação de previdência complementar a partir de janeiro de 2015 e correção de distorções salariais no período de 2005 a 2009.

A greve teve início à meia-noite do último dia 4. Segundo o secretário de Relações Intersindicais do Sindicato dos Metroviários do DF (SindiMetrô-DF), Dione Aguiar, a companhia interrompeu as negociações e negou quase todos os pedidos da categoria.

O Sindicato dos Metroviários reivindicava correção das distorções salariais do plano de carreira, redução da jornada de trabalho para seis horas, reajuste salarial de 10%, previdência complementar e aumento da quebra de caixa da bilheteria.

De acordo com o sindicato, o sistema conta hoje com 1.080 funcionários sendo 600 do setor operacional. Ao todo, 160 mil pessoas utilizam diariamente este tipo de transporte.

Na segunda (7), a companhia entrou com uma ação pedindo para que o TRT julgue abusiva a paralisação, afirmando que não há argumentos que justifiquem o ato, pois todos os acordos coletivos estão sendo cumpridos.

Na ação, a companhia solicitou que 100% dos empregados trabalhem nos horários de pico e 80% dos funcionários atue nos outros períodos. Desde o início da greve, 30% do quadro estão em serviço.

Na última quarta-feira (9), empresa e empregados participaram de outra audiência, também no TRT. Na ocasião, os metroviários aceitaram suspender a greve até a reunião de sexta-feira. No fim de semana, o sistema operou sem alteração no efetivo.


G1 – 16/04/2014