segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Justiça quebra sigilos de matarazzo e mais 10

Homem forte de todos os governos tucanos, passando por Mario Covas, José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso, o vereador Andrea Matarazzo teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado por determinação da Justiça; ele é suspeito de ter arrecadado propinas de US$ 20 milhões junto à empresa francesa Alstom; parte dos recursos foi usada no caixa dois da campanha à reeleição de FHC; escândalo atinge em cheio o ninho tucano; ex-presidente do Metrô, José Fagali Neto, também teve sigilo quebrado, assim como outros nove personagens da trama
247 - A Justiça Federal de São Paulo tomou uma decisão que atinge o coração do PSDB. Determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de 11 pessoas, incluindo do vereador Andrea Matarazzo, que participou da arrecadação do caixa dois da campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e ajudou a levantar cerca de US$ 20 milhões junto à Alstom.

A quebra do sigilo autorizada pela Justiça abrange o período entre 1997 a 2000. O furo de reportagem é do jornalista Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo. As pessoas atingidas pela decisão judicial são: Andrea Matarazzo (atual vereador do PSDB e ex-secretário de energia), Eduardo José Bernini, Henrique Fingerman, Jean Marie Marcel Jackie Lannelongue, Jean Pierre Charles Antoine Coulardon, Jonio Kahan Foigel, José Geraldo Villas Boas, Romeu Pinto Júnior, Sabino Indelicato, Thierry Charles Lopez de Arias e Jorge Fagali Neto, (ex-presidente do Metrô).

Em 6 de agosto deste ano, o 247 publicou a informação de que Matarazzo já havia sido indiciado pela Polícia Federal. No dia 13 de agosto, outra reportagem apontou que R$ 3 milhões levantados junto à Alstom foram direcionados para o caixa dois da campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – o que, à época, chegou até a ser denunciado por Folha e Veja.

No entanto, apesar de todos os indícios, Matarazzo e o comando do PSDB em São Paulo vinham sendo poupados. Com a determinação de quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos, rompe-se o cerco, muito embora ainda exista certa cautela. O G1, por exemplo, noticia a quebra do sigilo de 11 pessoas. O que importa, no entanto, é a presença de Andrea Matarazzo no time. Lá, ele não é apenas um entre onze.

O advogado de Andrea Matarazzo, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, considera que a decisão judicial não significa quebra de sigilo fiscal e tributário de seu cliente. “O ofício judicial enviado à Receita e ao Banco Central requisita informações relativas aos investigados se declararam manter contas bancárias no exterior naquele período. A medida visa saber se (os investigados) informaram sobre contas mantidas ou não no exterior”, afirma Mariz de Oliveira

247 – 30/09/2013

Colisão entre trens em Chicago deixa 33 feridos

Acidente ocorreu em subúrbio da cidade; causas estão sendo investigadas.
Uma colisão nesta segunda-feira entre dois trens metropolitanos em Chicago, nos Estados Unidos, deixou 33 pessoas feridas, segundo o jornal americano Chicago Tribune. De acordo com as autoridades locais, os feridos foram levados para nove hospitais da região, mas não correm perigo. 

O acidente ocorreu na estação Harlem Station em Forest Park, um subúrbio da cidade, às 7h45 (5h45 no horário de Brasília), durante a hora do rush matinal. Segundo o órgão de tráfego de Chicago, um trem vazio entrou no mesmo ramal ferroviário onde uma composição lotada de passageiros estava realizando uma parada. 
Os dois trens acabaram batendo de frente. Imagens mostram que os primeiros vagões das composições ficaram amassados. No choque, dezenas de passageiros foram arremessados uns contra os outros. 
As causas do acidente estão sendo investigadas. De acordo com o Chicago Tribune, funcionários da empresa responsável pelos trens não entendem como uma das composições entrou no ramal da outra sem que dispositivos de segurança tivessem sido alertados. 


Veja – 30/09/2013

Trem é depredado em Caieiras, SP, após atraso em linha da CPTM

Enquanto isso...
Nesta sexta-feira (27), perto das 7h, um trem foi depredado na estação Caieiras da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em Caieiras, na Grande São Paulo, após ficar 40 minutos parado por causa da quebra de um trem a frente na estação Pirituba. A leitora Camila Nascimento de Farias fez vídeo do momento da confusão.

"Ficamos com mais de 20 minutos sem explicações da razão da paralisação. Depois informaram que um trem à frente estava quebrado e, por isso, a composição que estávamos estava sem previsão para prosseguir viagem. Com isso, muitos usuários, no mesmo instante, começaram a manifestar as suas insatisfações e disseram: 'Quem quer quebrar o trem fica, quem não quer sai'. E acabaram quebrando um vagão inteiro. Após a passagem ser liberada, prosseguimos viagem no mesmo trem depredado, sem janelas dos dois lados, com as portas todas danificadas e o teto todo quebrado. Lamentável a situação.

Nota da Redação: a depredação do trem foi provocada pela revolta dos passageiros pela demora na remoção de outra composição que seguia no sentido Luz e que apresentou um problema de tração perto da estação Pirituba na manhã desta sexta-feira (27). Às 7h30, a circulação começou a ser normalizada, segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).


Diário da CPTM – 27/09/2013

Procon faz vistoria para verificar irregularidades nos trens, no Rio de Janeiro

Fiscais estão em algumas estações, entre elas, São Cristóvão.  Mês passado, a Supervia foi multada em um milhão e 900 mil reais.

Fiscais do Procon estão fazendo agora uma vistoria em algumas estações de trem da supervia, entre elas, São Cristóvão e Cascadura. Segundo ainda o Diretor de Fiscalização, Fábio Domingos, as quatro equipes estão fazendo a inspeção para verificar a circulação e possíveis atrasos das composições.

No mês passado, a supervia foi multada em um milhão e 900 mil reais após terem sido constatadas diversas irregularidades como acessibilidade a cadeirantes e não cadeirantes, portas abertas e janelas quebradas, entre outras.

Tudo foi constatado durante a Operação Via Crucis, quando os fiscais fizeram algumas viagens nos trens para listar os problemas enfrentados pelo consumidor.


G1 – 30/09/2013

Comentário do SINFERP

Bem que o Procon de São Paulo poderia fazer a mesma coisa...

domingo, 29 de setembro de 2013

Usuários do metrô de Teresina (PI) se arriscam em trens com portas abertas

Não há entrada para ventilação e o ar condicionado não funciona.  G1 voltou ao metrô de Teresina e o que viu foi muita gente reclamando.

Usuários do Metrô de Teresina continuam a se arriscar nos trens que circulam com as portas abertas. Em fevereiro desde ano o G1 já havia mostrado o problema no transporte público. Após noves meses, a equipe de reportagem voltou ao local para conferir a situação. Trabalhadores e estudantes reclamam do serviço precário. De acordo com os passageiros, os vagões estão sempre sujos, não tem ar condicionado, há poucas estações e falta segurança.

Durante a viagem o G1 pôde constatar o desconforto dos passageiros e a temperatura elevada dentro dos vagões. Não há entrada para ventilação e o ar condicionado não funciona. Os usuários também denunciaram que as portas ficam abertas durante a viagem, fato flagrado pela reportagem.

Segundo a técnica em prótese dentária Antônia Alencar, o valor da passagem passou de R$ 0,50 para R$ 0,80 e nada mudou. “Isso aqui é um absurdo, teve aumento de passagem e mesmo assim continuamos no calor, com vagões sujos e o principal, sem segurança nenhuma, pois as portas sempre ficam abertas”, relatou.

Para a estudante Miliana Ferreira de Goes, a precariedade da locomotiva, com falhas na manutenção, incluindo nos trilhos por onde passam, causa desconforto nos passageiros, maioria residente na Região Sudeste da capital.

“São estações sujas e sem iluminação. O metrô está sem condições de funcionar. Não tem mais ar condicionado, é quente, e por isso, sempre viaja com as portas abertas, o que é um perigo. Já aconteceram muitos acidentes com pessoas que caem do transporte”, contou a estudante.

A viagem do terminal do Dirceu até o terminal Alberto Tavares e Silva no Centro de Teresina levou quase uma hora. A estação do centro não tem acessibilidade, já que o elevador e a escada rolante não funcionam. A única forma é percorrer os 40 degraus da escada.

Na época da primeira reportagem do G1, no dia 24 de fevereiro desse ano, o superintendente da Companhia Metropolitana de Transportes (CMTP), Antonio Sobral, afirmou que em 2013 seria implementado um projeto de reestruturação da linha. A CMTP falou na compra de cinco novos trens e na duplicação de uma linha, o que diminuiria o tempo de espera para 15 minutos. Sobral disse ainda que a segurança seria reforçada com grades nos terminais e que a sinalização na região do Dirceu deveria ser melhorada.

Segundo os usuários nada disso ainda foi feito e a população cobra melhorias. “Queremos um transporte público de qualidade, pois desse jeito aqui chegamos no trabalho mais estressados”, afirmou.

O metrô de Teresina foi inaugurado em 1991 e tem 12 quilômetros de extensão. “Na época em que inaugurou tínhamos muito conforto ao andar de metrô, mas hoje utilizamos o serviço com medo de cair nos trilhos, já que a porta fica sempre aberta”, disse Francisco das Chagas Teixeira Junior.

A equipe do G1 voltou a procurar a Companhia Metropolitana de Transportes (CMTP), mas até a publicação da reportagem  ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.


G1 – Ellyo Teixeira - 29/09/2013

Grafiteiros fazem arte em tapumes das obras do VLT na Baixada Santista

Eles estão fazendo desenhos para mostrar como funcionará o VLT.  Presidente da EMTU esteve em Santos e falou sobre o impasse do trajeto.

Vários grafiteiros começaram a fazer arte nos tapumes das obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) em Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo. Eles estão fazendo desenhos para mostrar para a população como funcionará o VLT. O presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) foi até um dos pontos ver o trabalho e falou sobre a polêmica envolvendo o trajeto dos trens.

As obras abrangem uma área de 2 km de tapumes divididos em onze pontos de Santos e São Vicente. As divisórias servirão como telas para que os grafiteiros misturem arte e informação e mostrem para a população, através de desenhos, como funcionará o VLT.

Impasse

O presidente da EMTU, Joaquim Lopes, veio a Santos acompanhar o início dos trabalhos dos grafiteiros na avenida Francisco Glicério. As obras estão paradas no local por causa do impasse com o Ministério Público, que questiona o traçado do VLT que passa pelo canteiro central da avenida e não pela antiga linha do trem.

No dia 6 de setembro, após uma reunião com o MP, a EMTU ficou de apresentar estudos que comprovem o melhor trajeto. Os documentos ainda não foram apresentados. O presidente da empresa garante que tudo será verificado. "Eu prefiro demonstrar os dados, todos que a gente tem aqui, desde o início do projeto, que nós elegemos e estamos trabalhando na melhor solução para a cidade de Santos neste trecho", falou ele. Lopes também garantiu ainda que não haverá atrasos e que o projeto será entregue no prazo. "Nós vamos terminar em junho de 2014, isso está dentro da nossa janela e esse trecho está considerado", disse ele.

A EMTU também anunciou que uma central de atendimento para tirar dúvidas da comunidade foi criada e já está funcionando no canteiro de obras da avenida Martins Fontes, próximo ao número 718, em São Vicente.


G1 – 28/09/2013

sábado, 28 de setembro de 2013

Trem pagador

E-mails, agenda e depoimento de secretária ao Ministério Público revelam como operava Jorge Fagali Neto, o homem da propina no escândalo do Metrô de São Paulo
Uma disputa travada na Justiça do Trabalho revelou como opera um dos principais agentes do propinoduto montado por empresas da área de transporte sobre trilhos em São Paulo para drenar dinheiro público dos cofres da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô paulista. Trata-se do consultor Jorge Fagali Neto, indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de receber e intermediar o pagamento de propinas da multinacional francesa Alstom a autoridades do PSDB paulista. ISTOÉ teve acesso ao depoimento e a uma série de e-mails comprometedores entregues ao Ministério Público, em junho de 2010, por sua ex-secretária Edna da Silva Flores. A documentação deixa clara a proximidade de Fagali Neto com agentes públicos e o seu interesse em contratos do Metrô paulista e da CPTM. Nas mensagens, o consultor revela, por exemplo, preocupações com a obtenção de empréstimos e financiamentos junto ao Banco Mundial (Bird), BNDES e JBIC que viabilizem investimentos nas linhas 2 e 4 do Metrô paulista.
O material entregue por Edna ao Ministério Público demonstra pela primeira vez a ligação direta de Fagali Neto com os irmãos Teixeira, Arthur e Sérgio, apontados como lobistas do esquema Siemens e responsáveis por pagar propina a políticos por intermédio de offshores no Uruguai, conforme revelou reportagem de ISTOÉ em julho. Em um trecho de seu depoimento ao MP, Edna diz que os três mantinham “relacionamentos empresariais” e “atuavam antes da assinatura de contratos” com o governo de São Paulo. Copiados por Fagali em uma série de e-mails envolvendo contratos com as estatais paulistas de transporte sobre trilhos, os irmãos Teixeira também têm seus nomes citados na agenda pessoal de Fagali Neto. Em uma das páginas da agenda, está registrado um encontro com Sérgio Teixeira, hoje falecido, às 11 horas na alameda Santos, no Jardim Paulista, região nobre de São Paulo. Em outra, constam o telefone, o e-mail e o nome da secretária de Arthur Teixeira.
A ex-funcionária narra também os cuidados do antigo chefe com eventuais investigações. No período de 2006 a 2009, em que trabalhou para Jorge Fagali Neto organizando o seu escritório, ele a mandava se ausentar do seu gabinete quando precisava se reunir com clientes. Também a pedido de Fagali Neto, ela comprou quatro celulares para que os aparelhos fossem usados por ele apenas para tratar de negócios. O consultor acreditava que assim dificultaria interceptações policiais. A espécie de “faz tudo” da empresa era proibida até de mencionar ao telefone os nomes de representantes de companhias às quais Fagali prestava consultoria. Ela ainda recebeu orientação para se referir a personagens do círculo de negócios do consultor por apelidos. José Geraldo Villas Boas – também indiciado pela PF por ter participado do esquema de corrupção – era chamado de “Geólogo”. O temor do consultor em não deixar rastros era tão grande que ele fazia questão de pagar tudo em espécie. “Ele sempre mantinha algumas quantias em local desconhecido em sua casa”, disse. 

A ex-secretária afirma no depoimento que ele costumava emitir, por meio da empresa BJG Consultoria e Planejamento Ltda., notas de R$ 260 mil e R$ 180 mil, mesmo tendo apenas ela como funcionária. Pelo jeito, dinheiro não faltava para o operador do esquema do propinoduto tucano. Em 2009, o ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo (1994) e ex-diretor dos Correios (1997) na gestão Fernando Henrique Cardoso teve uma conta atribuída a ele com mais de R$ 10 milhões bloqueada por procuradores suíços. Procurado, o advogado de Fagali Neto, Belisário dos Santos Jr., diz que os e-mails foram obtidos pela ex-funcionária por meio de fraude junto ao provedor. Ele, no entanto, não quis se pronunciar sobre o teor das mensagens.
Apesar das tentativas de Fagali de manter a discrição, segundo sua ex-secretária, o elo do homem da propina no escândalo do Metrô com agentes públicos ligados ao PSDB é irrefutável. Em 2006, Fagali trocou mensagens e recebeu planilhas por e-mail de Pedro Benvenuto, então coordenador de gestão e planejamento da Secretaria de Transportes Metropolitanos, órgão responsável pelas estatais. Entre o material compartilhado, como revelou o jornal “Folha de S.Paulo” na última semana, estavam as discussões sobre o Programa Integrado de Transportes Urbanos do governo até 2012, que ainda não estava definido. Até a quarta-feira 25, Pedro Benvenuto ocupava o cargo de secretário-executivo do Conselho Gestor do Programa de PPPs (Parcerias Público-Privadas) do governo de São Paulo, quando pediu demissão na esteira das denúncias.

IstoÉ - Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas27/09/2013

Prefeitura de Curitiba (PR) define projeto do metrô e vai a Brasília buscar verba

Projeto aprovado deve custar cerca de R$ 4 bilhões e vai substituir canaleta. Expectativa da administração municipal é lançar licitação até o fim de 2013.

A Prefeitura de Curitiba definiu, nesta sexta-feira (27), o novo projeto para o metrô na cidade. A linha, que será a primeira da capital paranaense, deve ter 17,6 quilômetros de extensão e vai ligar a CIC Sul, ao Cabral.

Segundo a prefeitura, o projeto vai substituir a atual canaleta de ônibus, que não chega à CIC Sul, mas sai do bairro Pinheirinho no sul de Curitiba e segue até o Terminal Santa Cândida, no extremo norte da cidade.

No projeto aprovado, a construção do metrô vai ser feita de forma mista. Os primeiros 2 quilômetros, entre a CIC Sul e o bairro Pinheirinho, devem ser terrestres. O restante do percurso será subterrâneo. Ao todo, serão 14 estações no trecho.

A construção deve ser feita com o chamado “tatuzão”. O método elimina a necessidade de grandes intervenções no trecho. Além disso, à medida que o equipamento avança, o túnel é concretado imediatamente, reduzindo o tempo de construção. “Você tem algum transtorno, porque tem que tirar essa terra lá do fundo, mas nada comparado com a tecnologia que estávamos propensos a adotar na administração anterior”, explica o secretário municipal de Planejamento e Gestão e da Administração, Fábio Scatolin.

A obra do metrô curitibano está orçada em cerca de R$ 4 bilhões. O projeto, porém, não deve custar nada aos cofres públicos, já que será pago pela empresa que vencer a licitação.

Além do projeto escolhido, outros três consórcios apresentaram sugestões, um deles formado por integrantes do Movimento Passe Livre, o único de iniciativa popular. Porém, dois deles, incluindo a do movimento, foram considerados inadequados com a proposta que a prefeitura havia sugerido para a consulta.

Para conseguir o dinheiro, uma equipe da prefeitura deve ir até Brasília para solicitar ao governo federal parte dos recursos, que já foram liberados pela presidente Dilma Rousseff. O valor será destinado a fundo perdido, ou seja, sem a necessidade de a prefeitura devolver o dinheiro. A expectativa é de que a licitação para o início das obras seja feita até o fim de 2013.

G1 – 27/09/2013

Comentário do SINFERP

Ora, ora... Começa a entrar areia no discurso dos que usam Curitiba como modelo para defesa dos BRTs.

Não é só a mobilidade: que faremos com a poluição?

Enquanto isso...
Nas recentes discussões sobre "mobilidade urbana", custo dos congestionamentos para o usuário em tempo e horas de trabalho, baixo investimento em transporte de massa - todas exacerbadas pela onda de protestos nas ruas -, tem merecido pouca atenção o tema do impacto da poluição do ar (agravado por todas essas causas) na saúde da população e no número de mortes, principalmente nas metrópoles. E foi essa exatamente a discussão sobre a "Avaliação do impacto da poluição atmosférica sob a visão da saúde no Estado de São Paulo", promovida no início da semana na Câmara Municipal de São Paulo, com base em pesquisa desenvolvida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, coordenada pelos professores Paulo Saldiva e Evangelina A. Vormittag, ambos doutores em Patologia, com a participação de mais cinco pesquisadores.
É um trabalho sobre o qual deveriam debruçar-se os administradores públicos da cidade de São Paulo, de sua região metropolitana e de cada uma das cidades paulistas, tantas são as informações que podem orientar seu trabalho. A começar pela conclusão de que, se houvesse uma redução de 10% nos poluentes na capital entre 2000 e 2020, poderiam ser evitados nada menos que 114 mil mortes, 118 mil visitas de crianças e jovens a consultórios, 103 mil a prontos-socorros (por causa de doenças respiratórias), 817 mil ataques de asma, 50 mil de bronquite aguda e crônica, além da perda de atividades em 7 milhões de dias e 2,5 milhões de ausências ao trabalho. Em apenas um ano (2011) a poluição da atmosfera contribuiu para 17,4 mil mortes no Estado.
Ainda é tempo de refletir e mudar, pois, diz a pesquisa, o tráfego e a poluição explicam 15% dos casos de enfarte na cidade de São Paulo. Quem acha que o adensamento habitacional em certas áreas pode aumentar a mobilidade deve prestar atenção a esse mesmo estudo: "O aumento do tráfego em 4 mil veículos/dia numa via até a 100 metros da residência mostrou ser um fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão". E tudo isso embora os programas de controle da poluição do ar por automóveis, implantados a partir da década de 1990, tenham levado a uma redução de 95%, assim como a 85% na de caminhões. Até os cinco primeiros anos desta década, a diminuição de 40% na concentração de poluentes evitou 50 mil mortes e gastos de R$ 4,5 bilhões com saúde - além da redução no consumo de combustíveis e na emissão de poluentes.
Mas, apesar das evidências, ainda prevalece, aqui e no mundo, uma situação dramática. A cada ano, em uma década, 2 milhões de pessoas morreram vitimadas pela poluição do ar em todos os continentes - uma década antes foram 800 mil. E, segundo os pesquisadores, a poluição do ar "deve se tornar a principal causa ambiental de mortalidade prematura". Com a preocupação adicional, para nós, de que as médias anuais de poluição em todas as estações paulistas onde se coletam dados estiveram, em todos os anos, em 20 a 25 microgramas por metro cúbico de ar, acima do padrão de 10 microgramas por metro cúbico de ar, que é o da Organização Mundial da Saúde. Em São Paulo, o índice é de 22,17 microgramas. E a poluição não é só de material particulado, mas também de ozônio.
Com frequência o noticiário informa que na Região Metropolitana de São Paulo um terço dos veículos não passa por inspeção - e são exatamente os mais antigos, mais poluidores. Mesmo assim, a implantação do controle na capital reduziu em 28% as emissões de material particulado. Se fosse estendida a toda a área metropolitana, poderia evitar 1.560 mortes e 4 mil internações, além de levar a uma redução de R$ 212 milhões nos gastos públicos. Outro dado impressionante da pesquisa: se todos os ônibus a diesel usassem etanol, seria possível reduzir em 4.588 o número de internações e em 745 o número anual de mortes por doenças geradas/agravadas pela poluição. E o sistema de metrô reduz em R$ 10,75 bilhões anuais os gastos com a poluição.
Já passou da hora de implantarmos sistema semelhante ao da Suécia, onde é limitado o número de anos (20) em que um veículo pode ser usado, para não agravar a poluição. Por isso mesmo o comprador de um carro novo já paga uma taxa de reciclagem; e o respectivo certificado passa de proprietário em proprietário; o último, ao final de duas décadas, pode receber a taxa de volta.
Também não há como fugir à questão: que se vai fazer, em matéria de mobilidade e poluição, se continuamos a estimular, com isenção de impostos e outros benefícios, o aumento da frota de veículos (hoje, no País todo, mais de 3 milhões de veículos novos a cada ano)? Eles respondem por 40% das emissões totais, enquanto ao processo industrial cabem 10%. E os veículos respondem por 17,4 mil mortes anuais nas regiões metropolitanas paulistas - 7.932 na de São Paulo e 4.655, só na capital. Ou seja, a cada seis anos morre uma população equivalente à de uma cidade de 100 mil pessoas em consequência da poluição.
O professor Ricardo Abramovay, da USP, lembra (Folha de S.Paulo, 13/7) que nossas emissões do setor de transporte devem dobrar até 2025, como prevê a Agência Internacional de Energia. E o professor Paulo Saldiva afirma, em entrevista ao site EcoD, que "a poluição em São Paulo é um tumor maligno". Apesar de tudo, o patologista - um dos coordenadores da pesquisa discutida esta semana - considera-se "otimista, porque ninguém muda para melhor ou repensa seus hábitos se não tiver algum tipo de problema antes (...). As doenças costumam fazer as pessoas saírem da zona de conforto. Como estamos insatisfeitos, talvez estejamos criando as bases para melhorar a cidade". E o problema central, sob esse ângulo - acentua ele -, não é o da mobilidade, pois, "se a frota de carros elétricos correspondesse a 100% da existente, melhoraria a questão da poluição, mas não a da mobilidade".
Oxalá a realidade das pesquisas faça governantes e governados se moverem de forma mais adequada.   


Washington Novaes
O Estado de São Paulo – 27/09/2013

Comentário do SINFERP
Temos insistido nisso e de forma sistemática. Enquanto perdurar o transporte individual sobre o transporte púbico, e os poluentes sobre os sustentáveis (ou menos poluentes), essa conta não fecha.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Princípio de incêndio atinge trem da CPTM

Enquanto isso...
Ouvintes da BandNews FM relataram que passageiros quebraram os vidros do vagão; Corpo de Bombeiros foi acionado.

Um trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) registrou um princípio de incêndio na manhã desta sexta-feira, segundo relatos de usuários da Linha 10-Turquesa, na região de Mauá. 

De acordo com os ouvintes da BandNews FM, os passageiros quebraram vidros por causa da fumaça, mas não há registro de feridos.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para atender a ocorrência. A assessoria de imprensa da CPTM informou que está apurando o que aconteceu na Linha 10.

Falha em composição

Por volta das 6h20 desta sexta-feira, um defeito em uma composição na estação Utinga afetou a circulação dos trens da Linha 10-Turquesa. 

Uma composição, que ia sentido Rio Grande da Serra, apresentou uma falha no sistema de tração. O trem foi esvaziado e recolhido para manutenção. Às 7h30 a situação estava normalizada.

Linha 7 - Rubi 

Uma composição com defeito de tração ficou parada na estação Pirituba, da Linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) por volta das 7h desta sexta-feira. A assessoria de imprensa da CPTM informou que a situação entrou em processo de normalização às 7h30, e às 10h30 os trens da linha já circulavam normalmente.

Band – 27/09/2013

Comentário do SINFERP


Enquanto isso, “dá-lhe” Propinoduto, empreiteiras para todos os lados, terceirização de boa parte dos serviços tipicamente ferroviários, etc. 

Falha em trem causa lentidão na linha 7-rubi da CPTM

Enquanto isso...
Uma falha em um trem causou lentidão na manhã desta sexta-feira na linha 7-rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A falha ocorreu por volta das 6h30 na estação Pirituba, na zona norte da capital paulista.

Os trens circularam com velocidade reduzida no sentido da estação Luz, no centro de São Paulo. Segundo a CPTM, a circulação foi normalizada às 7h30.

Ontem, na mesma linha, um trem apresentou problema na estação Palmeiras-Barra Funda e os passageiros tiveram que embarcar em outra composição.


Folha de São Paulo – 27/09/2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Trens apresentam problemas e causam transtornos no Rio de Janeiro

Enquanto isso...
Pelo terceiro dia na mesma semana, trens da Supervia apresentaram falhas técnicas e causaram transtornos no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira, uma composição do ramal de Japeri, na Baixada Fluminense, apresentou um problema mecânico por volta das 6h. A falha foi no comando de portas do trem, que seguiu da estação de Comendador Soares para a de Mesquita, onde os passageiros passaram para outra composição. 
Segundo a nota da Supervia, o trem avariado que parou na estação de Mesquita foi retirado de circulação, já que o maquinista não conseguiu fechar as portas. A concessionária afirmou que o Centro de Controle de Operações disponibilizou outra composição que se encontrava em um desvio próximo à estação de Mesquita. Toda a operação durou cinco minutos e não gerou atrasos na circulação, segundo a Supervia. Na plataforma, no entanto, os usuários reclamavam do atraso e do transtorno provocado pelo problema mecânico.
No mesmo horário, a estação de Gramacho, também na Baixada Fluminense, estava lotada e os passageiros reclamavam do atraso dos trens. Uma das composições saiu muito cheia e uma mulher ficou com a mão presa na porta. O acidente deu início a uma confusão, que foi controlada por seguranças da concessionária. A Supervia informou que ofereceu auxílio médico à passageira, mas ela não aceitou e foi levada pelo marido para um hospital.
Terra – 26/09/2013

Comentário do SINFERP


O que os usuários não sabem, e as operadoras disfarçam não saber, é que elas têm responsabilidade objetiva por TUDO o que acontece com os passageiros, desde o momento que entram até que saem das estações. 

Falhas em trens causam lentidão nas linhas 7-Rubi e 11-Coral da CPTM

Problemas de tração atingiram composições das duas linhas nesta manhã. Trens pararam e passageiros precisaram desembarcar.

As linhas 7-Rubi e 11-Coral, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, tiveram suas circulações prejudicadas por conta de problemas em composições na manhã desta quinta-feira (26), em São Paulo. As falhas fizeram com que as linhas operassem com velocidade reduzida e maior tempo de parada em alguns trechos. A operação estava parcialmente paralisada na Linha 11-Coral às 10h.

Em ambas as linhas, um trem apresentou problema de tração, parou e precisou ser esvaziado. Na 11-Coral, o problema ocorreu em um carro que seguia no Expresso-Leste, sentido Estação da Luz, às 8h35. Às 10h, a operação da linha estava suspensa entre as estações Corinthians-Itaquera e Tatuapé por conta da falha. No horário, a composição permanecia parada à espera do reboque, na região de Vila Matilde.

Funcionários da CPTM utilizavam escadas para auxiliar os usuários a desembarcarem. Alguns passageiros preferiram não esperar a chegada de outro trem para seguirem viagem e caminhavam pelos trilhos. Devido à paralisação no trecho, a CPTM anunciou integração gratuita com o Metrô nas estações Corinthians-Itaquera e Tatuapé.

Já na 7-Rubi, a falha ocorreu em uma composição que seguia no sentido Francisco Morato e atingiu toda a extensão da linha, que operou entre as 7h50 e as 8h20 com lentidão. O trem quebrado foi rebocado e os passageiros embarcaram no que vinha na sequência. A operação na linha era considerada normal às 10h.

A Linha 7-Rubi liga a Estação da Luz, no Centro da capital, até a cidade de Jundiaí, no interior paulista. A Linha 11-Coral faz a conexão da Estação da Luz até a Estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.


G1 – 26/09/2013

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Passageiros colocam fogo em trem no Rio, diz polícia

Enquanto isso...
Composição apresentou problemas na estação São Francisco Xavier. Usuários teriam ficado revoltados e depredado veículo.

Policiais do 3º BPM (Méier) foram acionados para a estação ferroviária de São Francisco Xavier, Zona Norte do Rio, porque passageiros estariam colocando fogo em um trem da concessionária SuperVia. A ocorrência teria acontecido por volta das 18h40 desta terça-feira (24). Não há informações sobre feridos e nem sobre problemas na circulação das composições.

“Pego o trem dia sim dia não e é sempre superlotado. Uso essa estação e já vi uma situação dessa. O povo fica revoltado. O trem quebra e ninguém informa nada, fica tudo fechado é um desespero”, disse a segurança Elaine Monção.

A Supervia informa que a solução de um problema mecânico registrado no trem às 18h05 na plataforma da estação São Francisco Xavier foi impedida por um grupo pequeno de pessoas, que desceram irregularmente na via, depredaram o trem e tentaram incendiar a cabine do maquinista. A concessionária diz que havia disponibilizado outro trem vazio, em apenas 11 minutos, mas os manifestantes impediram esse procedimento.

“O serviço é péssimo. Eles insistem em botar trens com quatro vagões na hora de pico. Fico esperando sentado porque está tão cheio que não consigo entrar. Dizem que em 2014 vão chegar trens novos mas acho difícil”, disse o técnico em eletrônica, Edson dos Santos.

Problemas aumentam 25%

Após um aumento de 25% no número de problemas com os trens do Rio em 2013, fiscais da Agetransp realizaram uma fiscalização nas composições da Supervia na estação de Deodoro, na Zona Oeste da cidade, na manhã de terça-feira (17). Os agentes verificaram itens como portas abertas, abertura de janelas, iluminação e os intervalos.

Além disso, os agentes fiscalizaram a rede aérea e a conservação dos trilhos. As irregularidades encontradas foram repassadas ao Centro de Controle da Agetransp. As operações são feitas diariamente por cerca de 60 técnicos da agência nas estações e nos locais de manutenção.

No dia 11 de setembro, um trem do ramal de Saracuruna, em Duque de Caxias, seguia em direção à Baixada Fluminense, por volta das 18h15, quando sofreu uma pane. Passageiros revoltados atearam fogo na composição e o problema atingiu diversas estações.

No início do mês, foram registrados pelo menos quatro dias de transtorno em apenas uma semana. Em um deles, passageiros desembarcaram no trilho e, revoltados, atearam outro trem foi incendiado. Uma das reclamações dos passageiros é a respeito da devolução das passagens, já que a empresa costuma devolver os bilhetes.

Plano de contingência

O secretário de Estado de Transportes, Júlio Lopes, anunciou que a Supervia tem até o fim de outubro para apresentar um plano de contingência. A intenção é que a concessionária se organize para atender melhor os passageiros em casos de pane, como a opção de outro transporte aos passageiros.

R$ 5 milhões em multas

A Agetransp informou que mais de R$ 5 milhões foram aplicados em multas contra a empresa, desde o início da concessão, em outubro de 1998. Até esta terça-feira, apenas R$ 2,6 milhões tinham sido quitadas.

O reparo dos trens também é acompanhado pela Agetransp, mas não há prazos máximos definidos para o retorno à circulação.

G1 – Gabriel Barreira – 24/09/2013

Comentário do SINFERP


Ah, a solução foi impedida pelos usuários. Tá certo...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Comissão da transparência cobra mais transparência do governo Alckmin no caso Siemens

Enquanto isso, a única transparência conhecida...
Integrantes de 'movimento' criado pelo governador para dar publicidade à apuração sobre cartel no setor metroferroviário reclamam de 'trabalho pouco efetivo' e até rebatizam grupo: 'Aquele nome foi ideia de marqueteiro do Palácio', diz Weber Abramo.

Criada no mês passado para ser uma resposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) às suspeitas de cartel e fraudes em licitações no sistema de trens e metrô de São Paulo, o Movimento Transparência já enfrenta críticas de seus próprios integrantes. O principal objetivo da iniciativa, conforme anunciou o tucano no dia 9 de agosto, é acompanhar as ações do governo e dar transparência às investigações decorrentes do chamado caso Siemens. Até agora, porém, isso não ocorreu, segundo membros do grupo.
Formado por 12 entidades da sociedade civil e coordenado pela Corregedoria-Geral da Administração (CGA) - órgão de controle e correição do Estado -, o Movimento Transparência foi criado pouco mais de um mês após a divulgação da investigação. Em 4 de julho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu publicidade à operação de busca e apreensão realizada naquele dia em parceria com a Polícia Federal com vistas à apuração de um suposto cartel no sistema metroferroviário de São Paulo.
Em maio, a multinacional alemã Siemens havia assinado um acordo de leniência com o Cade no qual denunciava a si mesma e outras 17 empresas pela prática anticoncorrencial em seis licitações ocorridas entre 1998 e 2008 nos metrôs de São Paulo e Brasília e também na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Após a divulgação do acordo de leniência e da revelação de que a Siemens era a responsável pela denúncia, Alckmin anunciou que o Estado processaria a empresa alemã, para que os cofres públicos fossem ressarcidos pelos prejuízos causados, e informou que o Executivo estadual faria sua própria investigação, no âmbito da Corregedoria-Geral.
"Em termos de resultado, o trabalho tem sido pouco efetivo", diz Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, que integra a comissão.
Renomeada. Incomodadas com o nome escolhido por Alckmin, as entidades decidiram rebatizar o projeto como Grupo Externo de Acompanhamento. "Aquele nome (Transparência) foi ideia de algum marqueteiro do Palácio (dos Bandeirantes)", diz Claudio Weber Abramo, presidente da ONG Transparência Brasil. Ele pediu na primeira reunião que a CPTM e o Metrô informassem qual é o procedimento para formar os preços de referências de suas licitações.

"A CPTM respondeu parcialmente e nós pedimos mais esclarecimento. O Metrô ainda não respondeu", relata Abramo. "Desde o início, o Instituto Ethos tem solicitado à CGA que o trabalho seja feito com a maior transparência. A Corregedoria tem demonstrado disposição em ajudar, mas não tem divulgado as coisas", afirma Itacarambi.
O dirigente do Instituto Ethos encaminhou um ofício com sugestões pela transparência. "Durante as reuniões (foram três até agora) a Corregedoria relata tudo que fez no período. Eu sugeri que isso fosse colocado na internet, junto com as atas, os documentos, as oitivas feitas com as empresas e o mapa das licitações que eles fizeram", disse. "É uma questão crucial. Estamos solicitando isso, mas eles não estão divulgando."
Apesar de ressaltar que não têm críticas à atuação da CGA, Abramo concorda. "A divulgação dos trabalhos deveria estar na internet. Não está. É ruim". 
O Estado de São Paulo – Pedro Venceslau - 23/09/2013

Comentário do SINFERP


Será que essas entidades acreditaram mesmo que isso é sério? Parece que começam a desconfiar que cederam seus nomes apenas para emprestar credibilidade aos que não tem. Só falta, agora, a crença de que o rebatismo do movimento vá mudar alguma coisa. 

Linha 6 do metrô vai favorecer os mais ricos, aponta estudo brasileiro premiado na Alemanha

Enquanto isso...
Tese de mestrado aponta que traçado aparentemente inclusivo é um mito diante dos números.

Em fase de licitação, a linha 6-Laranja do metrô de São Paulo vai trazer mais benefícios para as classes mais favorecidas do que para as comunidades carentes. A conclusão é do jornalista, economista e urbanista Thiago Guimarães em sua tese de mestrado, recentemente premiada na Alemanha. O estudo coloca em xeque os discursos dos governos municipal e estadual, que reiteradas vezes falam na necessidade de melhora da mobilidade nos extremos da capital.
A dissertação de mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, intitulada “Desenvolvimento de um indicador de acessibilidade para a avaliação de projetos de transporte da perspectiva da exclusão social – Estudo de caso da Linha 6 do metrô de São Paulo”, foi apresentada em 2011 na HafenCity Universität, em Hamburgo, na Alemanha, onde Guimarães vive atualmente.
Em entrevista ao R7, por e-mail, o brasileiro explicou que a impressão inicial a respeito da linha 6 – com 13,5 km de extensão e 15 estações, passando por bairros carentes de transporte de massa, como Brasilândia e Freguesia do Ó – cria a impressão de que a obra propicia a inclusão social em São Paulo. Entretanto, o seu estudo apontou em outra direção.

— O estudo avalia a distribuição dos ganhos de acessibilidade a postos de trabalho para diversos segmentos sociais. A facilidade de acesso físico a oportunidades de emprego é considerada por especialistas um dos fatores que contribuem para a inclusão social. Em princípio, pode-se imaginar que a linha 6 favoreça os mais excluídos. Afinal, a linha deve conectar bairros de uma periferia de padrão socioeconômico mais baixo ao centro da cidade. Mas o resultado a que cheguei foi bem diferente: grupos sociais sujeitos a baixos níveis de vulnerabilidade socioeconômica são os que mais se beneficiarão da linha 6, em termos de aumento da acessibilidade a postos de trabalho.
Para alcançar essa conclusão, Guimarães aplicou métodos e conceitos de planejamento urbano e ciências sociais em três etapas: a identificação e a classificação de situações de inclusão e exclusão social, por meio de um método estatístico exploratório; o cálculo da variação da acessibilidade a atividades como trabalho ou educação, com base nos tempos de viagem pela rede de transportes coletivos; e a avaliação da distribuição dos ganhos de acessibilidade gerados pelo projeto urbanístico entre os grupos identificados.
Os apontamentos feitos à linha 6 poderiam ser apenas um pontapé inicial para a busca de um planejamento mais consciente e realista do transporte público.
— O ponto de partida do estudo é o questionamento da retórica utilizada por planejadores e políticos, segundo a qual todo e qualquer investimento em transporte coletivo beneficia a sociedade inteira e, particularmente, os segmentos mais pobres da população. É apresentado um método consistente de se avaliar quais grupos sociais efetivamente se beneficiam e sua aplicação seria muito importante no Brasil, onde a questão da distribuição dos benefícios e dos impactos sociais de infraestruturas de transporte recebe uma atenção muito reduzida dos tomadores de decisão.
Profissionais do Metrô de SP tiveram contato com estudo

Thiago Guimarães explicou que o seu trabalho já é de conhecimento dos técnicos do Metrô paulista. Segundo o urbanista, os dados foram “muito bem recebidos” e o retorno foi “muito positivo”. Contudo, a própria infraestrutura da instituição, considerada precária por ele, prejudica o corpo técnico e atrapalha as iniciativas de se fazer um trabalho melhor na área.
— Há profissionais preocupados com os impactos sociais provocados por esse meio de transporte. O problema é que a equipe é pequena e há uma precária integração do trabalho do Metrô com o de outros órgãos de planejamento, mesmo dentro da estrutura da administração pública. Frequentemente o trabalho do Metrô é mal utilizado, quando não ignorado, desrespeitado ou mesmo violentado pela Secretaria de Transportes Metropolitanos. E isso parece não mudar com a troca de secretários ou de governadores.
O reconhecimento em São Paulo também chegou à Fundação Dr. h.c. Max Brauer, órgão vinculado à Hochbahn, operadora do metrô de Hamburgo e que é a segunda maior empresa de transporte coletivo da Alemanha. O brasileiro vai receber no próximo dia 11 de outubro o prêmio Max Brauer, honraria concedida a trabalhos diferenciados na área de transportes. Guimarães comentou o que tal reconhecimento representou para ele.
— Particularmente, compreendo a conquista do prêmio representa um grande incentivo para a busca de outros olhares e para aprofundar análises interdisciplinares sobre os transportes.
Voltando à linha 6 do metrô paulistano, o urbanista opinou, como hipótese, sobre o que poderia trazer reais benefícios à população mais carente da cidade com a construção da nova linha, que não deve começar a operar antes de 2020 e vai funcionar em regime PPP (Parceria Público-Privada), a exemplo do que já acontece com a linha 4-Amarela.
— Novos resultados seriam obtidos com a simulação de traçados marcadamente diferentes do atual e não com o mero deslocamento de uma estação em alguns quarteirões. Acredito que os resultados apresentados em meu trabalho estejam intimamente relacionados com o traçado radial da linha 6 e com um modelo de expansão das linhas do metrô na região central, mais rica e melhor servida de infraestruturas de transporte coletivo da metrópole. Suponho que resultados mais positivos do ponto de vista da equidade social poderiam ser obtidos com outros modelos de expansão da rede do metrô.
Futuro do transporte também passa pelos ônibus

A recente ampliação dos corredores de ônibus e a priorização do transporte público em pontos nevrálgicos da cidade, carro-chefe do primeiro ano da gestão do prefeito Fernando Haddad, foi elogiada pelo urbanista. Ele acredita, baseado no modelo implementado pelo arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, de que melhoras no transporte público de uma cidade podem ser sentidas em um prazo de três anos. Entretanto, o desafio em São Paulo é muito maior.
— O município ainda tem muito o que fazer com relação à ampliação dos corredores de ônibus, priorização semafórica para os coletivos, redução do tempo de espera nas paradas, melhoria da integração modal ônibus-bicicleta, melhoria das condições de acessibilidade universal nos veículos e melhoria da qualidade das informações à disposição dos usuários.
Guimarães completa:
— Além disso, é possível e necessário, em um processo de revisão das linhas de ônibus, hierarquizá-las. Os serviços de ônibus podem ter diferentes funções e algumas linhas podem ter a função de ligação expressa entre bairros distantes, enquanto outras devem servir melhor os bairros. Além disso, há aspectos regulatórios importantíssimos e muito mal resolvidos em São Paulo. Ou seja, a Secretaria Municipal de Transportes e a SPTrans tem muito a fazer.
R7 – 23/09/2013

Comentário do SINFERP


Continua o binômio metrô-ônibus.  Para público do filé mignon o metrô, e para para massa do filé miau o buzão, além dos trens da CPTM, nem mesmo citados.  Eis nossa tese de que São Paulo está dividida entre transporte de público e transporte de massa.