domingo, 30 de setembro de 2012

Grupo liderado pela Rail Europe aposta no potencial dos turistas brasileiros


Um grupo de empresas europeias, liderado pela comercializadora franco-suíça de passagens de trens Rail Europe, aposta no potencial dos turistas brasileiros e intensifica suas estratégias de mercado, informou neste domingo a companhia.
A decisão foi tomada depois que os brasileiros apareceram como o quarto principal consumidor da Rail Europe, com um crescimento de 20%, praticamente o mesmo índice de crescimento global da empresa, que foi de 21% em volume de vendas e de 23% em número de usuários.
Entre janeiro e junho deste ano, a Rail Europe faturou US$ 12,8 milhões no Brasil e a meta é superar até o mês de dezembro os US$ 21,8 milhões alcançados em 2011.
O mercado brasileiro em termos de faturamento representou 7,5% das vendas globais neste ano, e 53% das realizadas na região.
No grupo de empresas também aparecem a operadora Eurostar; a Galeries Lafayette, da França, e o centro comercial londrino Westfield.
Para essas quatro empresas, o Brasil passou nos últimos três anos do oitavo para o quarto lugar na lista de consumidores de seus produtos e serviços, ficando atrás somente da Austrália, Coreia do Sul e Japão.
A gerente na América do Sul da Rail Europe, María Corinaldesi, afirmou em comunicado que o "perfil do turista brasileiro mudou", pois agora já não se centra mais nas capitais europeias, como Roma, Paris, Londres e Madri, mas procura destinos no interior de cada país e dão preferências às viagens de trem.
Os bilhetes mais vendidos no Brasil correspondem aos da operadora Eurostar, com trens que cobrem a rota Londres-Paris-Bruxelas e cujas vendas no país aumentaram 40% nos seis primeiros meses do ano.
Em segundo lugar, apareceram os trens que percorrem as cidades italianas e, em terceiro, os da Espanha, que através da operadora Renfe reportaram o maior crescimento de vendas no Brasil, com um avanço de 75%, a mesma percentagem do aumento obtido no país para as vendas na internet.
No segundo semestre, a empresa terá conexões diretas com a alemã Deustche Bahn e a italiana Trenitalia.

Terra – 30/09/2012

Engenheiros e capital


Há um apagão de engenheiros no país  - nossa tradição é a do bacharelismo. Importá-los pode ser uma solução, mas temos de trazer também os investidores.

Em artigo publicado nesta Folha em 27/8, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira escreveu sobre a falta de engenheiros no Brasil. Editorial do mesmo jornal em 11/9 voltou a tratar do tema, defendendo a importação de engenheiros para atender à carência de profissionais.

É notória a falta de engenheiros na produção industrial, na construção civil e nas obras públicas. A solução a curto prazo pode ser a importação de profissionais, mas precisamos pensar nisso como parte de um projeto amplo de desenvolvimento.

Não devemos nos limitar a trazer os "cabeças de obra" (engenheiros, projetistas), mas também aproveitar a situação internacional para atrair capitais externos de risco e tecnologia, formando o tripé: mão de obra, recursos e know-how.

Devemos começar a pensar nisso hoje. Não podemos ficar dependentes de mão de obra e tecnologia importadas se quisermos ser uma nação realmente desenvolvida. Precisamos incentivar a formação de profissionais brasileiros nas áreas exatas, para que possam atender às necessidades do processo produtivo e também desenvolver tecnologia e inovação.

Esse apagão de engenheiros se deve ao fato de que no Brasil, historicamente, cultivou-se estudar ciências humanas e não exatas. Isso em razão das dificuldades impostas pelas exatas, que requerem muita técnica e estudo, e também da valorização do bacharelismo.

Cristalizou-se a ideia de que o estudo de exatas era difícil e enfadonho, o que permeou tanto a cabeça dos estudantes como dos professores, que passaram a "fugir" para as ciências humanas. Por isso, o número de candidatos aos cursos de exatas é proporcionalmente reduzido em relação às oportunidades do mercado de trabalho.

A carência de professores habilitados a lecionar exatas nos ensinos básico e fundamental é outro fator. Em razão dessa mentalidade, o sistema de ensino não responde à oferta de emprego como seria esperado, gerando uma defasagem que pode se constituir em gargalo para a execução de projetos de infraestrutura.

Para um projeto amplo de desenvolvimento do país, com investimento em capital humano e infraestrutura, existe um caminho: as parcerias público-privadas (PPPs), com associações entre os governos e investidores estrangeiros.

As empresas internacionais podem trazer recursos financeiros, tecnologia e pessoal técnico para atuar em obras em parceria com governos. Mas a principal vantagem da PPP é que ela traz investimentos em forma de capital de risco e não de empréstimos. Enquanto o mundo desenvolvido está em crise, o Brasil é um país-continente, que necessita urgentemente atualizar e expandir sua infraestrutura.

A PPP é uma oportunidade para a parceria "ganha-ganha". Ganham as empresas, os governos e o cidadão. Vamos importar capitais, tecnologia e engenheiros com as PPPs e atacar o problema estrutural do ensino das ciências exatas, a fim de que o país possa ser capaz de conduzir seu desenvolvimento. O mundo nos oferece muitas oportunidades no curto prazo, mas o futuro nós precisamos construir a partir de agora. Não há mais tempo a perder.

GUILHERME AFIF DOMINGOS, 69, é vice-governador de São Paulo e preside o Conselho Gestor do Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas. Foi secretário do Emprego e Relações do Trabalho de SP (gestão Serra)

Folha Uol – 30/09/2012

Comentário do sindicato:

As afirmações do vice-governador não correspondem a nossa história. Desde o Império o Brasil formava médicos, advogados e engenheiros. É a esse trio que se denominava de bacharelismo, isto é, da mentalidade que tomava o “canudo” como critério de valor social.

Nunca, porém, o país fomentou pesquisa. Isso foi e continua sendo verdadeiro para universidades e empresas. O neo-bacharelismo sustenta-se, nos dias de hoje, ainda nos “canudos” dos MBAs e doutorados. Nada de pesquisas.

No setor metroferroviário, por exemplo, o que temos visto é a chegada de tecnologias do exterior, enquanto a nossa USP, por exemplo, pouco ou quase nada tem a oferecer. Talvez fosse o caso de importarmos pesquisadores, comprometidos com pesquisa e ensino, mas não com empresas e negócios. 

sábado, 29 de setembro de 2012

Governo oficializa cancelamento de VLT de Brasília (DF) para a Copa de 2014


Impossibilidade de conclusão da obra já havia sido anunciada pelo GDF. Assessoria do Metrô diz que cancelamento vai possibilitar nova licitação.

Foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (28) resolução que oficializa a retirada da obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Distrito Federal da Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo, que trata das áreas prioritárias de infraestrutura das 12 cidades que vão receber os jogos do mundial de 2014, como aeroportos, portos, mobilidade urbana, estádios e hotelaria. O VLT foi retirado da lista porque a obra não ficará pronta a tempo do evento.

A impossibilidade de conclusão já havia sido anunciada pelo secretário de Obras do DF, David de Matos, em abril deste ano. Na ocasião, ele afirmou que o adiamento das obras ocorreu por causa do embargo da licitação inicial e do prazo de, pelo menos 18 meses, para a chegada dos trens após a oficialização da compra.

Orçado a um custo de R$ 780 milhões, o primeiro trecho do VLT iria ligar o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek ao final da Asa Sul.

A assessoria de imprensa do Metrô-DF, responsável pela obras, afirma que a retirada do VLT da lista de obras da Copa de 2014 ocorreu a pedido do governo do Distrito Federal , diante da perda do prazo, para que seja possível realizar uma nova licitação, que enquadre o VLT em outro programa.

Ainda segundo a assessoria, a intenção é não desperdiçar o que já foi construído.

Suspensão

Principal projeto para melhorar a mobilidade urbana em Brasília para o torneio, o VLT teve  as obras suspensas pela Justiça e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) cinco vezes antes da anulação do contrato pela 7ª Vara de Fazenda Pública do DF, em abril do ano passado.

Na avaliação do juiz José Eustáquio de Castro Teixeira, havia também indícios de fraude no processo licitatório, que teria sido direcionado para privilegiar empresas ligadas a um ex-presidente do Metrô/DF.

O Iphan alegou que havia indícios de que não foi realizado um estudo de impacto ambiental do projeto, que prevê a derrubada das árvores da W3, uma das principais avenidas de Brasília, e a passagem de trens nas proximidades do zoológico do DF.

Em maio do ano passado, o governador Agnelo Queiroz chegou a afirmar que uma nova licitação seria feita ainda em 2011, mas isso não ocorreu.

Projeto

Orçado em R$ 1,55 bilhão, o projeto completo do VLT liga o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek ao final da Asa Norte, em um percurso de 22,6 quilômetros e 25 estações. A expectativa é que o veículo atenda 12 mil pessoas por dia.

 
G1 – 28/09/2012

PAC Mobilidade destina 64% dos recursos para ferrovias


O projeto, a ser desenvolvido em 15 cidades, envolve 213 quilômetros de extensão, com a meta de atender mais de 53 milhões de pessoas.
São Paulo - A solução para os problemas de mobilidade nas grandes cidades está na substituição do transporte individual para o coletivo, disse hoje (28), o secretário executivo do Ministério das Cidades, Alexandre Cordeiro Macedo, no encontro Infraestrutura de Transportes, Logística e Mobilidade Urbana no Brasil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Dados do Ministério das Cidades indicam que está prevista a aplicação de R$ 22 bilhões por meio do PAC Mobilidade Grandes Cidades, dos quais 64% estão destinados a transportes sobre trilhos. O projeto, a ser desenvolvido em 15 cidades, envolve 213 quilômetros de extensão, com a meta de atender mais de 53 milhões de pessoas.
Macedo apontou que, entre as melhorias na elevação da qualidade de vida da população garantidas pelo transporte coletivo, estão reduções de emissões de monóxido de carbono, acidentes, gastos e tempo de locomoção. “Não basta fomentar o uso de bicicletas, é preciso investir em transporte público de qualidade”, defendeu.
O dirigente defendeu o desenvolvimento do PAC Mobilidade Grandes Cidades, observando que a iniciativa provocará maior interação entre pessoas de classes sociais diferentes que estão viajando em um mesmo veículo de transporte coletivo, quer em trem ou em ônibus. Para o secretário, o Brasil “deveria adotar as boas práticas do mundo”.
No mesmo evento, o secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato, informou que, nos próximos 10 anos, deverão ser investidos em torno de R$ 300 bilhões no Programa Nacional de Logística em Transportes (PNLT), que já consumiu R$ 130 bilhões de um montante total de R$ 430 bilhões.
Exame.com – Marli Moreira - 28/09/2012

Homem morre atropelado por trem da Supervia após tentar embarcar em composição em movimento


Ele ficou pendurado na janela e caiu nos trilhos.

Um homem morreu atropelado por um trem da Supervia nesta sexta-feira (28) na estação Central do Brasil, no centro do Rio de Janeiro. 

Segundo a Supervia, o passageiro tentou embarcar pela janela em uma composição em movimento do ramal Japeri. Ele ficou pendurado na janela, caiu na via férrea e morreu atropelado pela composição.  

O Núcleo de Policiamento Ferroviário foi acionado. O caso será registrado na Delegacia da Praça da República (4ª DP).

Alerj pede cancelamento de contrato

Nesta sexta-feira, a Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa solicitou ao Ministério Público o cancelamento da prorrogação do contrato da Supervia devido aos inúmeros incidentes ocorridos com o trem da concessionária. Na última terça-feira (25), 19 passageiros ficaram feridos em um acidente na estação de Madureira.

Segundo o presidente interino da comissão, deputado Dionísio Lins (PP), os casos que envolvem a Supervia precisam ter um fim.

— O que vem ocorrendo é um absurdo. Quase toda semana temos notícias de que uma composição teve problema em um ramal, gerando atraso e constrangimento aos usuários, além de vítimas. Isso precisa ter um fim.

O documento pede ainda que a SuperVia encaminhe para a comissão, em um prazo de 15 dias, um relatório contendo o quanto a empresa arrecadou desde o início do ano, onde foi aplicada essa verba e que tipo de melhorias foram proporcionadas aos usuários.

Lins vai solicitar também na próxima segunda-feira (1º), a Mesa Diretora da Casa, a criação de uma comissão de trabalho que seria composta por um membro do Ministério Público, um do Executivo estadual, do Sindicato dos Ferroviários e da sociedade civil.

— Vou pedir ainda a realização de uma audiência pública com a finalidade de cobrar mais respeito aos milhares de usuários da Supervia, além de tentar encontrar caminhos para que problemas como os que vêm ocorrendo deixem de acontecer.

Em nota, a Supervia disse que não foi informada oficialmente da representação, mas informou que nos dois primeiros anos da atual gestão está investindo mais de R$ 400 milhões, maior volume aplicado na empresa em toda a sua história. Além de 30 trens chineses adquiridos pelo governo do Estado, dos quais 24 já estão em circulação (os outros seis entram em operação até o final de outubro), a SuperVia iniciou a reforma de 73 composições. Oito delas já estão em circulação.

Mais sete trens reformados circularão até dezembro. No início da atual gestão, a SuperVia fazia 700 viagens por dia. Hoje, faz 818 viagens. São 118 viagens a mais por dia. Entre outras iniciativas para modernizar um sistema de transporte ferroviário haverá a troca de 180 km de trilho, de 122 mil dormentes e de 200 mil metros de cabos aéreos; também está prevista a reforma de todas as 99 estações, entre elas a Central do Brasil, com acessibilidade, elevadores e banheiros; a implantação de um novo sistema de sinalização para os trens (praticamente já instalado no Ramal Deodoro) e a operação iniciada este ano de um Centro de Controle Operacional com o mesmo padrão tecnológico de empresas ferroviárias europeias.

R7 -28/09/2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Metrofor inaugura novo trecho da Linha Sul em Fortaleza (CE)

A Linha Sul do Metrô de Fortaleza (Metrofor) chega à Estação do Benfica, nesta sexta-feira, quando acontecerá a viagem inaugural do trecho Parangaba-Benfica. São mais 5,2 quilômetros, perfazendo 20 Km, dos 24 Km, que é o total da extensão da linha que vai de Pacatuba ao Centro de Fortaleza.

Desde junho, o primeiro trecho da Linha Sul, que vai de Pacatuba a Parangaba, está em operação assistida. De acordo com o Metrofor, já foram recebidos mais de 200 mil passageiros.

Esta linha do metrô, que encontra-se, inclusive, em operação assistida (fase de testes com acompanhamento de 8h às 12h), desde junho último, compreende o trajeto entre a estação Carlito Benevides (antiga Vila das Flores, em Pacatuba) até Parangaba. A partir de sexta-feira (28), integra-se mais o trecho Parangaba-Benfica.

Os trechos restantes que complementarão o percurso são os da Estação São Benedito (antiga Lagoinha), que ficará concluído até fim de outubro, e o da Estação Chico da Silva (Central), cuja previsão de conclusão é para o fim de dezembro deste ano.

Previsão

Depois da conclusão do trecho até a Estação do Benfica, só restarão mais quatro quilômetros até a Estação Chico da Silva. Então, até o fim de dezembro próximo, estaremos concluindo a Linha Sul, que ligará Pacatuba até o Centro da Capital cearense, destacou Fernando Mota, que responde pela assessoria da presidência do Metrofor.

Desde que foi inaugurado, o primeiro trecho da Linha Sul, de Pacatuba à Parangaba, já recebeu mais de 200 mil passageiros, segundo informa o Metrofor. O órgão acrescenta que a fase de testes de metrô dura seis meses e, dependendo da avaliação, é possível prorrogar. O que significa que, pelo menos até o fim de dezembro, o acesso ao metrô continuará sendo gratuito.

Trajeto

Ainda de acordo com o Metrofor, com a chegada à Estação São Benedito, os testes com a operação assistida seguirão de Pacatuba até o Centro. A Linha Sul, com 20 estações, irá receber um total de 20 trens, que formarão dez composições de 80 metros, cada. O investimento do percurso total na Linha Sul está orçado em R$ 1,7 bilhão. As primeiras viagens comerciais deverão ser realizadas no início de 2013.

Em projeto

A Linha Leste já está com seu projeto pronto. As máquinas estão sendo colocadas nos trechos para que se iniciem os trabalhos. Já a obra do Veículo Leve sobre o Trilho (VLT) de Parangaba - Mucuripe também foi iniciada e, até 2014, este ramal deverá ser concluído. A Linha Leste e o ramal Parangaba-Mucuripe serão de uma importância vital para a mobilidade urbana de Fortaleza. Como esta linha, que tem 

aproximadamente 13 quilômetros, será toda subterrânea, sua complexidade exigirá maior tempo de duração das obras. Enquanto o ramal Parangaba Mucuripe deverá ficar concluído até 2014, finalizou o assessor do Metrofor, Fernando Mota.

Diário do Nordeste – 26/09/2012

TRF suspende liminar e obras do VLT de Cuiabá (MT) são retomadas


O Tribunal Regional Federal, da 1ª Região (DF), determinou o retorno das obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Várzea Grande, na região metropolitana. O modal de transporte foi escolhido pelo governo do estado para a Copa do Mundo de 2014, mas tinha sido suspenso pelo juiz federal Marllon Souza, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, no dia 19. No entanto, a decisão foi revogada nesta quinta-feira (27) pelo desembargador federal Mário César Ribeiro.

Uma Ação Civil Pública interposta pelos Ministérios Públicos de âmbito estadual e federal no dia 12 de setembro, consta que há indícios de que a obra orçada em R$ 1,4 bilhão possa estar superfaturada, além de apresentar supostas irregularidades na licitação pelo Regime Diferenciado de Contratação (RDC).

A denúncia levou a suspensão das obras por duas vezes pela Justiça Federal. A ação interposta pelo governo do estado no TRF argumenta que as sucessivas decisões, ora suspendendo, ora permitindo a continuidade da obra, causam “insegurança jurídica, repercutindo sobre a viabilidade da realização da Copa do Mundo FIFA 2014 na cidade de Cuiabá”.

O desembargador federal avalia em seu despacho que debater a viabilidade da obra em pleno andamento não é oportuno. “Discutir, agora, a viabilidade do empreendimento, seja do ponto de vista dos custos operacionais, seja do ponto de vista financeiro, ou se é possível concluir a obra até a Copa do Mundo de Futebol em junho de 2014, quando elas já estão em pleno andamento, não me parece oportuno”, consta trecho da decisão.

Para o magistrado, os supostos indícios de superfaturamento, de fraude ou de decisão arbitrária na eleição do VLT devem ser apurados. Contudo, ressalta que a “decisão ora impugnada não aponta elementos suficientes para justificar medida tão drástica, prejudicando o já apertado cronograma da obra”.

Por outro lado, o juiz federal de Mato Grosso Marllon Souza avalia a questão de forma diferente e aponta ser mais temeroso liberar do que barrar as obras do modal pelos "sérios indícios de superfaturamento, irregularidades do procedimento do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), tais como a alegação de subtração de nota técnica atestando a inviabilidade da implantação do VLT em Cuiabá, bem como desrespeito aos preceitos que regem a administração pública".

No período em que Marllon Souza esteve em férias, no último mês, a suspensão das obras do VLT decidida por ele foi derrubada pelo também juiz federal Julier Sebastião da Silva. Para emitir o parecer, Julier convocou o secretário extraordinário da Copa do Mundo em Mato Grosso, Maurício Guimarães, e os representantes do consórcio VLT Cuiabá para prestar explicações sobre a viabilidade da construção do veículo que vai consumir mais de R$ 1,4 bilhão dos cofres públicos.

A competência de Julier em julgar o caso também chegou a ser questionada pelo Ministério Público em pedido de exceção de suspeição. No pedido, os órgãos colocaram em xeque a isenção do magistrado em julgar a ação por ser irmão de um servidor da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), pasta que organiza as obras relacionadas ao Mundial de 2014, entre elas, o VLT. Julier refutou o pedido e se considerou apto a julgar a ação.

G1 – 27/09/2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Mulher atropelada por trem no Rio continua internada em estado grave


Tatiana Cristina Lopes da Silva é funcionária da SuperVia.  Vítima foi atingida próxima à estação Central do Brasil, no Centro.

A maquinista Tatiana Cristina Lopes da Silva, de 29 anos, continua internada em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio de Janeiro,  na manhã desta quinta-feira.  As informações do estado de saúde da ferroviária foram passadas pela Secretaria municipal de Saúde. Tatiana foi atropelada por um trem próximo à estação Central do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, na quarta-feira (26) à tarde.

Segundo a concessionária SuperVia,  a funcionária estaria atravessando a linha férrea quando ocorreu o acidente. Ainda de acordo com a Secretaria municipal de Saúde, após dar entrada no Souza Aguiar, a paciente passou por cirurgia para retirada do baço.

Este é o terceiro acidente grave nas linhas da SuperVia em pouco mais de 24 horas. Na tarde desta terça (25), um homem morreu atropelado em São Cristóvão ao tentar trocar de plataformas pela linha férrea. Pela manhã de terça (25), 16 pessoas foram feridas após o descarrilamento de um trem no ramal de Japeri, na Baixada Fluminense. A composição, que seguia para a Central do Brasil, no Centro do Rio, saiu dos trilhos quando estava chegando à plataforma da estação de Madureira, no subúrbio.

G1 – 27/09/2012

Transporte sobre trilhos cresce no país


O uso do modal metroferroviário (que engloba metrôs, VLTs - veículos leve sobre trilhos –, entre outros) vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Em 2010, foram cerca de 1,9 bilhão de passageiros transportados. No ano passado esse número subiu para 2,3 bilhões e, para 2012, a expectativa é chegar a aproximadamente 2,5 bilhões.
Conforme dados da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos (ANPTrilhos), o País tem 15 sistemas urbanos desse tipo de transporte, distribuídos em 11 estados e mais o Distrito Federal. Esses complexos são operados por 15 empresas (entre as quais a Trensurb, no Rio Grande do Sul), sendo que três são privadas. 
Atualmente, esse tipo de locomoção representa uma participação de 3% do transporte urbano nacional. O presidente da ANPTrilhos, Joubert Fortes Flores Filho, afirma que há espaço para aumentar esse percentual. Entre as vantagens atribuídas a esse modelo está o menor impacto ambiental. Ainda de acordo com a ANPTrilhos, os veículos que operam nesse modal, em uma média mundial, emitem 60% a menos de CO2 por passageiro/quilômetro, se comparados com os carros, e 40% a menos do que os ônibus. A capacidade de transporte é outro ponto salientado. Uma única linha de metrô, por exemplo, é capaz de transportar cerca de 60 mil pessoas por hora/sentido. A existência do sistema metroferroviário de passageiros no Brasil é responsável pela retirada de 1 milhão de carros e mais de 14 mil ônibus por dia dos centros urbanos onde essas soluções foram implantadas.
O presidente da ANPTrilhos destaca que o transporte de passageiros sobre trilhos, tanto nas grandes cidades quanto regionais, é um modal que ficou muito tempo esquecido, mas agora está sendo retomado como uma solução. Ele afirma que, no momento, existem em torno de 60 projetos no Brasil para serem desenvolvidos nos próximos anos, que devem absorver mais de R$ 100 bilhões em investimentos. 
Flores Filho ressalta que, em várias nações desenvolvidas, o modal de transporte de massa de alta capacidade é o que melhora a qualidade de vida nos grandes centros, diminuindo o tempo que as pessoas levam para se deslocar até o seu trabalho. “Isso contribui também para o aumento da produtividade”, argumenta o dirigente. Ele defende que o aprimoramento desse meio de transporte no País precisa contar com apoio de todas as esferas governamentais: União, estados e municípios. “Entretanto, não se pode abrir mão da iniciativa privada, seja através de concessões ou de parcerias público-privada (PPP)”, reforça. 
Sobre o aproveitamento da atual malha ferroviária de cargas para o transporte intermunicipal ou interestadual de passageiros, Flores Filho comenta que o compartilhamento da linha, nas médias e longas distâncias, é possível desde que exista uma sinalização adequada, algo que implica investimentos elevados. Ele enfatiza que o compartilhamento só poderia ocorrer no que diz respeito aos trilhos e não da composição, já que os trens para passageiros e de cargas possuem velocidades distintas. 
No caso de trens que ligam cidades, ele recorda que na Europa há veículos que operam com velocidade de até 140 quilômetros por hora. “Tenho certeza que existe demanda para esse tipo de operação no Brasil também”, afirma o presidente da ANPTrilhos. Ele cita como uma oportunidade para a comprovação dessa tese a futura implantação do trem entre o Rio de Janeiro e São Paulo. 
Ampliação da Trensurb até Novo Hamburgo tem 90% do projeto pronto

O índice de conclusão da expansão da linha da Trensurb até Novo Hamburgo é de 91,88%. Fazem parte do empreendimento mais 9,3 quilômetros de linha e cinco novas estações - uma em São Leopoldo e quatro em Novo Hamburgo. Já estão em operação duas dessas novas estações - Rio dos Sinos e Santo Afonso - e 4,9 quilômetros da nova linha metroferroviária. O início da operação das outras três deve ocorrer no primeiro semestre de 2013.
Com as cinco novas estações, serão agregados mais 30 mil passageiros ao sistema. Em 2011, a Trensurb transportou 50.980.063 usuários. Neste ano, até agosto, foram transportados 34.099.127. No mesmo período do ano passado, foram transportados 33.205.892 passageiros. O diretor-presidente da Trensurb, Humberto Kasper, adianta que a perspectiva para 2012 é movimentar de 53 milhões a 55 milhões de usuários. “O investimento no transporte sobre os trilhos é fundamental para acompanhar as demandas da mobilidade geradas com o crescimento da economia”, sustenta.
A Trensurb planeja aumentar a frota. Em junho, como parte do PAC dos Equipamentos, anunciado pela presidente Dilma Rousseff, o governo comunicou um repasse de R$ 260 milhões para a compra de novas composições para a companhia. Desde 2011, a empresa trabalhava com o Ministério das Cidades buscando recursos para a compra de trens. Serão 60 novos carros, ampliando a frota, composta de 25 trens com quatro carros cada. A partir da assinatura do contrato de aquisição (que está em processo de licitação), o prazo para a entrega das primeiras composições é de 18 meses. 
A Trensurb também está envolvida com o desenvolvimento do aeromóvel para realizar a ligação da estação Aeroporto ao terminal 1 do aeroporto internacional Salgado Filho. O aeromóvel já tem 85% das suas obras concluídas. A previsão de inauguração é para o primeiro semestre de 2013. Na via elevada, já estão sendo instalados os trilhos e falta a colocação de apenas duas vigas, que correspondem à futura área de manutenção dos veículos, que estão em fase final de fabricação e devem chegar em outubro, quando a via já terá os trilhos. 
A expectativa é de que a linha do aeromóvel não seja apenas um meio de transporte entre a estação do metrô e o terminal da Infraero, mas uma referência para que essa tecnologia e modelos similares possam ser difundidos como soluções de mobilidade urbana no Brasil. Há, inclusive, termos de cooperação com as prefeituras de Porto Alegre e Canoas para estudos de viabilidade de implantação da tecnologia nos municípios.

Na Capital gaúcha, seria utilizado em uma ligação do Centro com a zona Sul e, em Canoas, integrando o eixo dos bairros Mathias Velho e Guajuviras ao Trensurb. Além desses projetos, Kasper revela que, até o final do ano, a companhia pretende lançar a licitação para realizar a reforma de seus atuais vagões.
Estudos avaliam implantação de linhas intermunicipais para dois trens de transporte de passageiros no Estado

O Rio Grande do Sul, que no passado já contou com o transporte de trens de passageiros entre cidades, pode voltar a ter essa opção. Entre os projetos de trens regionais federais avaliados para serem materializados no País, dois encontram-se no Estado: Pelotas- Rio Grande e Caxias do Sul–Bento Gonçalves.

No caso do empreendimento na Metade Sul gaúcha, o deputado federal Fernando Marroni (PT) argumenta que, com o desenvolvimento do polo naval, está ocorrendo uma enorme circulação de pessoas nessa região. Ele acrescenta que já há uma linha férrea na localidade e, com a construção das linhas Norte e Sul, ela poderá ser melhor aproveitada para o transporte de passageiros.
Marroni recorda que o pedido do estudo de viabilidade quanto ao transporte de passageiros na região foi feito ao governo federal e aprovado, sendo hoje executado pelos técnicos do laboratório de trânsito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A expectativa é de que o levantamento seja concluído até março do próximo ano. Os recursos para realizar o trabalho, que somam R$ 800 mil, são oriundos do Ministério dos Transportes. 
A ideia é, inicialmente, compartilhar os trilhos existentes com os trens de cargas e, posteriormente, com a concretização da ferrovia Norte-Sul, utilizar a via apenas para o deslocamento de passageiros. Em princípio, serão utilizados VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) com capacidade entre 400 e 600 passageiros, com velocidade de 80 quilômetros por hora. De acordo com o deputado, o serviço poderá atender, além dos trabalhadores, aos estudantes de universidades e turistas.
O deputado salienta ainda que está prevista a implantação de um estaleiro em São José do Norte e até que se construa uma estrutura de moradia no município, grande parte da mão de obra será proveniente de outras cidades da região.
Marroni recorda que no passado havia o transporte de passageiros de trem na Metade Sul. “Eu mesmo quando era guri ia de trem para a praia do Cassino, era maravilhoso, todo mundo queria andar de trem”, relata. Ele salienta que há um romantismo nessa espécie de transporte, que está ligado à ideia de desbravamento e de desenvolvimento. 
Já o deputado federal Assis Melo (PCdoB-RS) informa que a UFSC também está na fase final dos estudos de viabilidade técnica e econômica do trem regional que ligará Caxias do Sul a Bento Gonçalves. “No meu entendimento, com o trem regional os turistas encontrarão formas alternativas de transporte, o que vai potencializar a vocação turística da Serra gaúcha”, conclui o deputado.
Porto Alegre espera que as obras do metrô iniciem no ano que vem
A atual expectativa da prefeitura da Capital gaúcha é de que as obras do metrô da cidade comecem no terceiro trimestre de 2013. A estimativa é de que elas levem cerca de quatro anos para serem concluídas.

Orçado em R$ 2,4 bilhões, o MetrôPoa deverá atender diariamente a um público médio de 310 mil passageiros, ampliando a oferta de transporte público e estimulando a redução do transporte individual. Serão 25 composições (trens), formadas cada uma por quatro carros que transportam em média 270 pessoas cada um.

O metrô ligará o Centro à zona Norte, da avenida Assis Brasil (Fiergs) até a avenida Borges de Medeiros, ao longo de 14,8 quilômetros de traçado (avenida Assis Brasil, Brasiliano de Moraes, Benjamin Constant, Cairú, Farrapos, rua Voluntários da Pátria, Largo Glênio Peres e av. Borges de Medeiros). Serão instaladas, no mínimo, 13 estações ao longo do trajeto.
O empreendimento prevê a integração com os diferentes meios de transporte e sistema de ônibus BRT (Bus Rapid Transit) e conexão com a rede metropolitana. Deverá ser praticada a mesma tarifa do ônibus de Porto Alegre, integrada à utilização das linhas urbanas e metropolitanas e ao Trensurb. Além disso, deve contar com as atuais isenções praticadas na Capital gaúcha. “Porto Alegre realmente precisa de uma segunda linha, mais urbana, que cruze o Centro da cidade, que hoje não é atendido”, diz o presidente da ANPTrilhos, Joubert Fortes Flores Filho.

Jornal do Comércio – Jeferson Klein – 27/09/2012

Mobilidade urbana: uma questão metropolitana


A questão da mobilidade urbana ocupa cada vez mais espaço no debate público no Brasil. Uma pesquisa realizada recentemente perguntou ao paulistano o que falaria se ficasse cara a cara com um candidato a prefeito por cinco minutos. Para 40%, o assunto seria transporte. Outra pesquisa revelou que 80% consideram o trânsito ruim ou péssimo.
Definitivamente, o assunto está na boca do povo, afinal, é ele quem mais sofre com os problemas decorrentes da crescente precariedade das condições de deslocamento nas cidades - o que nos permite falar em "crise da mobilidade urbana". Na última década, em dez das principais metrópoles do País, enquanto o número de automóveis subiu 60%, a quantidade de pessoas que levam mais de uma hora no percurso casa-trabalho cresceu de 15,5% para 17,2%. O número de motocicletas aumentou 10 vezes em Belém, e em São Paulo elas passaram de 400 mil para 1,4 milhão. Mais veículos, mais poluição, mais tempo no trânsito, mais acidentes.

No atual período eleitoral, o debate sobre mobilidade urbana toma outra relevância e, como era de se esperar, o assunto aparece em discursos e promessas dos candidatos. Na maioria das vezes, o problema da mobilidade é visto só como um problema de trânsito. Como se para resolver o problema dos congestionamentos não fosse necessário superar outros gargalos do modelo de transporte, e a mobilidade não estivesse relacionada a outros aspectos da vida urbana, como acesso ao emprego, ao estudo e ao lazer.
Da maneira como o tema é tratado, perde-se a oportunidade de discutir essa crise sob uma perspectiva mais ampla, que considere o cidadão a partir de suas experiências como pedestres, ciclistas, usuários do transporte público, motociclistas e motoristas. Pelo contrário, quando as propostas não são mirabolantes, candidatos reproduzem discursos vagos ou voltados para uma clientela eleitoral restrita. É o caso, por exemplo, de um candidato a vereador cuja bandeira é o aumento no número de vagas de estacionamento para motos no centro de uma metrópole.

No cenário atual, e para o futuro, dois dados são indispensáveis. Primeiro, estão previstos, no contexto dos megaeventos, os maiores volumes de investimentos em mobilidade urbana da história do País, levando-nos a supor que há perspectivas de superação dessa crise. No caso da Copa, prevê-se mais de R$ 12 bilhões na implantação de projetos de mobilidade - quase 50% do total a ser investido. Segundo, uma lei recentemente aprovada estabelece as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana e recomenda, entre outras, a priorização do transporte público coletivo, e o do não motorizado sobre o individual motorizado.

Nesse contexto, é preciso reconhecer a metrópole como um território cujas fronteiras políticas (municípios) não coincidem com a estrutura funcional e econômica da mancha urbana, que extrapola essas fronteiras. A fragmentação política, onde cada gestor municipal defende seus interesses, está por trás da questão metropolitana que nos coloca frente ao desafio de como planejar e financiar infraestruturas nessas áreas, inclusive as de transporte.

A mobilidade deve ser pensada a partir de um mercado de trabalho organizado na escala metropolitana, envolvendo milhares de deslocamentos diários entre as cidades. Segundo o Censo 2010, nas 12 principais metrópoles, mais de 13 milhões de pessoas se deslocam diariamente entre os municípios, para trabalhar ou estudar.

Metrópoles como São Paulo e Rio não suportam mais deslocamentos baseados predominantemente no automóvel individual. Discutir seriamente a superação da crise da mobilidade começa por questionar esse modelo. Nesse caso, admitem-se medidas restritivas ao seu uso, como pedágios urbanos. A solução, porém, pode estar no planejamento das cidades, com a ocupação dos vazios urbanos, o adensamento das áreas centrais ou a revalorização do transporte ferroviário. Por fim, é preciso reforçar que, mais do que uma questão eleitoral (ou eleitoreira), a mobilidade urbana deve ser tratada como uma questão metropolitana.

MSN – 21/09/2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Funcionária da SuperVia (RJ) atropelada por trem segue em estado grave


Maquinista de 29 anos está internada no Hospital Souza Aguiar, no Centro. Mulher passou por cirurgia para retirada do baço na tarde desta quarta-feira.

A maquinista Tatiana Cristina Lopes da Silva, de 29 anos, que foi atropelada por um trem próximo à estação Central do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, no início da tarde desta quarta-feira (26), segue internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Souza Aguiar e seu quadro de saúde é considerado grave e inspira cuidados. As informações são da Secretaria municipal de Saúde.

Segundo a concessionária SuperVia, a funcionária estaria atravessando a linha férrea quando ocorreu o acidente. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, após dar entrada no Souza Aguiar, a paciente passou por cirurgia para retirada do baço.

Este é o terceiro acidente grave nas linhas da SuperVia em pouco mais de 24 horas. Na tarde desta terça (25), um  homem  morreu  atropelado em São Cristóvão ao tentar trocar de plataformas pela linha férrea. Pela manhã de terça (25), 16 pessoas ficaram feridas após o descarrilamento de um trem no ramal de Japeri, na Baixada Fluminense. A composição, que seguia para a Central do Brasil, no Centro do Rio, saiu dos trilhos quando estava chegando à plataforma da estação de Madureira, no subúrbio.

G1 – 26/09/2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Passageiros se revoltam com acidente de trem


Segundo usuários da Supervia, problemas são constantes. Reincidência preocupa autoridades. 

O descarrilamento de um trem da Supervia na estação de Madureira na manhã desta terça-feira(25) causou indignação e revolta entre os que costumam usar o meio de transporte no seu cotidiano.  

E essa situação é uma constante. Entre janeiro e a data de hoje, a Agência de Transportes do Rio de Janeiro (Agetransp) abriu 53 boletins de ocorrência referentes a incidentes considerados " relevantes" da concessionária. 

Enéas Moza era um dos passageiros que estava dentro do trem durante o descarrilamento. Ele contou o terror em participar de um momento dramático como esse: 

" Vim de Japeri e o trem já estava cheio. Foi um golpe muito forte, e o susto também. Muita gente dentro do trem ficou nervosa e teve de ser removida de maca", contou Enéas, para quem os problemas não vêm de hoje. " O serviço oferecido é muito ruim desde sempre. É superlotação, trem andando com as portas abertas e em péssimo estado de conservação...a lista é grande", desabafou.

Usuários passaram momentos de terror com descarrilamento de trem. Isabela Silva, de 19 anos, trabalha em uma lanchonete logo acima da pilastra que ficou mais avariada. Segundo ela, o impacto abalou a estrutura da estação de trem: 

" Só pensava na minha filha quando tudo aconteceu. Fiquei com muito medo, achei que tudo fosse desabar. Eu mesma fiquei muito tempo tremendo até conseguir me acalmar", pontuou a funcionária. 

Rodrigo, de 30 anos, é taxista e foi duro ao criticar a Supervia em um de seus intervalos de trabalho. Ele passou muitos anos usando os serviços dos trens e lembrou um incidente que ocorreu com sua mãe, em 2009, na estação do Méier: 

" Estava com minha mãe e ela caiu no vão entre o trem e a plataforma, ficando com a perna presa. Ninguém da Supervia foi ajudar, os próprios passageiros do trem, que estava lotado, é que me ajudaram a tirar minha mãe dali. Dois dias depois ela teve uma trombose diagnosticada. Ela entrou com processo contra a Supervia e perdeu. Não teve qualquer ajuda", lembrou Rodrigo, indignado. 

Ele questionou a qualidade dos serviços oferecidos e colocou uma questão: "Se a Supervia está tendo problemas com os trens quase diariamente, por que não abrir novas licitações? Se há algo errado, as coisas têm de mudar", finalizou Rodrigo. 

Supervia se defende e Crea-RJ alerta 

A Supervia, que administra o serviço dos trens no Rio de Janeiro, se defendeu das acusações através de uma série de notas oficiais emitidas durante a manhã e a tarde desta terça-feira(25). 

Nas duas primeiras, liberadas às 9h24 e 9h28, a concessionária citou os atendimentos do Corpo de Bombeiros após o acidente, o deslocamento dos clientes que estavam no trem acidentado para outras composições e a transferência dos feridos para os hospitais da região. 

Às 9h29, a Supervia interditou um dos acessos à estação de Madureira, e explicou em outra nota que isso acontecera por motivos de segurança. 

Por volta das 11h48, foi informada a normalização de circulação nos ramais de Japeri, Deodoro e Santa Cruz. A liberação do trecho interditado na estação de Madureira estava marcada para as 15h. 

Sobre o estado do trem acidentado, a Supervia declarou:  

"A composição que descarrilou nesta manhã faz parte da série de trens que serão amplamente reformadas com ar-condicionado e novos equipamentos. Já estão em circulação oito trens deste modelo já reformados e até o fim do ano, outras sete composições revitalizadas serão entregues à operação." 

Em outro trecho, o órgão informa que o investimento de modernização e reforma dos trens chega a R$ 190 milhões e visa trazer mais conforto aos passageiros, algo que os passageiros fizeram questão de dizer que não existe nas atuais composições. 

Já o Conselho Regional de Agronomia e Arquitetura(Crea-RJ) vai realizar uma reunião na próxima quinta-feira(27) para avaliar os estragos deste acidente.

Luiz Antonio Cossenza, coordenador da Comissão de Análise e prevenção de acidentes do conselho, esteve na estação de Madureira e fez questão de ressaltar que o acidente é apenas um resultado de más administrações da Supervia: 

" O abandono é muito grande, e para recuperar um sistema abandonado é muito difícil. A falta é de manutenção, de investimento. Os novos trens deram até uma melhorada, mas o sistema ferroviário não tem os carros como o único componente. Até o serviço melhorar realmente ainda teremos muitos problemas", comentou Cossenza.O coordenador também fez questão de ressaltar que o prejuízo poderia ter sido muito maior: 

" O trem não estava superlotado, o que foi uma sorte tremenda. Se isso tivesse acontecido, certamente teríamos tido vítimas fatais", finalizou.

Jornal do Brasil – Henrique de Almeida - 25/09/2012