sexta-feira, 1 de junho de 2012

Trem recupera a dignidade perdida, em 1969




A foto acima retrata a capa do jornal O Estado de São Paulo, de 6 e fevereiro de 1969, e nos foi enviada por Paulo Roberto Filomeno.

Abaixo o texto da manchete. Incrível.


O trem paulista estava “perdendo a dignidade”, segundo a definição amarga de um velho ferroviário que vira o apogeu da locomotiva. Uma rede ferroviária opulenta, surgida em menos de dez anos, liquidava aos poucos o parque ferroviário paulista, em termos de transporte e de receita.

Da velha imagem, um pouco ingênua e um pouco lírica do trem, permanecia somente o estado de insolvência das ferrovias e a curva cada vez mais ascendente do seu déficit financeiro. Mais de vinte anos de má administração, interferências políticas e apadrinhamento haviam gerado no sistema ferroviário de São Paulo uma situação calamitosa.

Parecia impossível recuperar o conceito do trem. Os passageiros, apercebendo-se da nova situação, abandonaram hábitos de dezenas de anos e começaram a viajar de ônibus. Os transportadores de cargas também começavam a preferir o transporte rodoviário e o próprio governo contribuía para isso, construindo, ao longo das ferrovias, as autoestradas do Estado.

Hoje ainda existe o paralelismo dos dois sistemas, mas uma situação nova está surgindo. As rodovias tornam-se cada vez mais sobrecarregadas e o velho trem de ferro, que ajudou a colonizar 80% do Estado, recupera lentamente a sua “dignidade”. Alguns dados evidenciam essa recuperação: de dois anos para cá, a curva do déficit das ferrovias passou a ser descendente, a Sorocabana e a Mogiana bateram todos os recordes de transportes de carga e de passageiros de sua vida, houve uma redução de 10% no quadro do pessoal e alguns ramais irrecuperáveis foram extintos.

Isso foi conseguido com a adoção de métodos modernos de administração das linhas permanentes e, acima de tudo, um elemento novo trazido da iniciativa privada: a agressividade comercial. As ferrovias, que são empresas, mas funcionavam como repartições públicas, passaram a funcionar como empresas privadas mesmo.

2 comentários:

giba disse...

Este texto caberia como notícia nos dias de hoje , realmente incrível.

SINFERP disse...

Oi Giba. Bom,né?