quinta-feira, 21 de junho de 2012

São Carlos (SP) preserva bondes


São Carlos, SP, preserva bondes que deixaram de circular há 50 anos. Veículo era considerado tecnologia de ponta no início do século XX. História dos bondes já inspirou livros e até música no município.

Meio século de história e meio século de saudade. Há exatos 50 anos, as ruas de São Carlos (SP) perdiam um pouco do romantismo quando o bonde deixou de circular. Hoje, a cidade busca preservar dois veículos para as que as novas gerações possam conhecê-los.

Eles compunham o cenário da cidade no início do século XX, dando a ela até ares de metrópole mirim, já que foi a única da região a ter bondes. O veículo, que se movia ligado à rede elétrica, era um símbolo de modernidade. “Para a época era tecnologia de ponta”, disse o historiador Marco Antônio Leite Brandão.

O contrato de concessão foi assinado em 1912 e dois anos depois começaram a rodar sob os trilhos nas ruas. Eram três linhas. Uma seguia para a Santa Casa, outra para o cemitério e uma terceira ia em direção ao bairro Vila Nery. 

O historiador escreveu quatro livros sobre a presença dos bondes em São Carlos. Luiz Mian era motorneiro, o motorista do bonde que precisava seguir o trilho e controlar a velocidade. Ele também foi cobrador e até se considerava melhor nessa função, que exigia agilidade para evitar calote, já que os bondes eram abertos nas laterais. “Era obrigado cobrar e era difícil escapar. Por isso muitos não serviam para cobrador”, disse.

Segundo historiadores, no Brasil circularam mais de 4 mil bondes e apenas cerca de 50 teriam restado no país.

Preservação

Em São Carlos, dois deles estão preservados. Um fica em um das antigas estações, lugar conhecido como balão do bonde.

Foram anos de abandono até carpinteiro e restaurador Nicola Gonçalves fazer a reforma em 2009. “Foi feita a pintura, reposição dos bancos, confecção dos estribos, iluminação e as cortinas. Em 2010, o pessoal tornou destruiu o bonde de novo e eu fiz mais uma reforma”, disse.

Os bondes circularam pela última vez em São Carlos há exatos 50 anos. Um período de transição dos meios de transporte, em que os trilhos foram cobertos pelo asfalto para dar preferência a outros tipos de veículo.

História

Quem nunca andou de bonde pode conhecer a história contada nos painéis ao lado do veículo. O pesquisador da Fundação Pró-Memória, Júlio Roberto Ósio, acompanha grupos em visitas agendadas. As crianças sempre se encantam ao descobrir como as pessoas se locomoviam antigamente. “Gostam do bonde, o veículos, essas cores e essas formas. Eles perguntam muito sobre os detalhes”, afirmou.

Já que quem viveu nos tempos dos bondes fica a saudade, que o compositor Valdo Ferreira da Silva transformou em música.

O samba é o enredo das vidas entrelaçadas no bonde. “Na época eu era moleque, mas teve várias pessoas que casaram através do bonde. Ele foi casamenteiro”, lembrou.

G1 – 15/06/2012

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