terça-feira, 5 de junho de 2012

Pedágio urbano


Há dez anos, esta Folha (de São Pauo) já constatava em editorial que os efeitos do rodízio municipal de veículos estavam esgotados. A frota retirada das ruas fora reposta, e a velocidade média era mais baixa que em 1996, ano imediatamente anterior à implantação da medida. 

Num cenário de precariedade dos meios coletivos e lenta expansão do metrô, considerava-se que um sistema de pedágio urbano poderia limitar a circulação de veículos e arrecadar fundos para investimentos em transporte público. 

No sábado, o secretário municipal de Transportes, Marcelo Cardinale Branco, voltou ao tema em artigo publicado também nesta Folha, no qual levantou argumentos favoráveis à cobrança da tarifa nas áreas mais congestionadas. 

Branco mencionou que o custo da lentidão do tráfego, em termos de prejuízos ambientais, gastos de saúde pública, queda de produtividade e tempo perdido, seria da ordem de R$ 30 bilhões anuais. O preço da insensatez de manter nas ruas mais carros do que comportam já está sendo pago por todos. 
De fato, numa cidade e num país em que o transporte rodoviário e individual impôs-se em detrimento do ferroviário e coletivo, chegou-se ao pior dos mundos: trânsito infernal, vias saturadas e alternativas públicas insuficientes e ruins. 

Em São Paulo, os avanços nas redes de trens e metrô têm sido tímidos para atender à demanda. A situação agrava-se com a incorporação de novos consumidores ao mercado e o aumento do número de veículos em circulação. 

A frota na capital atingiu 7,3 milhões, dos quais 5,3 milhões (74% do total) são automóveis. Quase metade das viagens motorizadas é feita em meios individuais. 

É claro que a implantação do pedágio urbano, por si só e da noite para o dia, não resolverá o problema. A restrição ao automóvel precisa ser precedida pela ampliação do investimento em transporte coletivo de qualidade, e não só metrô, mas corredores de ônibus - uma das promessas, aliás, que a atual gestão municipal não cumpriu. 

Em que pese seu aspecto impopular, um sistema de cobrança sobre veículos individuais pode e deve ser implantado, mas para tanto é preciso planejamento, prazos realistas e metas de expansão e melhoria da rede pública. 

São tarefas inadiáveis, que, numa cidade com as características de São Paulo, seriam cumpridas melhor com a criação de uma autoridade metropolitana de transporte, em condições de coordenar o sistema ampliado para incluir os diversos municípios adjacentes.

Folha de S. Paulo – Editorial - 04/06/2012

Comentário do sindicato:

Temos defendido posições similares, e faz tempo. Acreditamos, entretanto, que está na hora de transformar os inequívocos argumentos em ações. Está na hora de transformar algumas áreas de São Paulo em calçadões, servidos por VLTs urbanos, e com circulação apenas de pedestres e bicicletas não motorizadas. Está na hora de sair dos discursos.

2 comentários:

alexandrov disse...

Não só o transito da cidade de SP está crescendo, mas também das cidades ao seu redor! O grande ABC no horário de pico está um caos!

SINFERP disse...

Não, Alexandrov, não é apenas na cidade de São Paulo, mas nela a situação está bem acima do aceitável (ou tolerável). Abraço