sábado, 23 de junho de 2012

A hora e a vez do trem de ferro



Mais uma contribuição de Paulo Roberto Filomeno para o São Paulo TREM Jeito. Matéria de O Estado de São Paulo de 1970. O problema atual já existia naquele ano...

Ou salvamos o trem ou a rodovia estará perdida. Pode parecer um contrassenso mas o próprio secretário dos Transportes, Firmino Rocha de Freitas, reconhece que, se as ferrovias não ocuparem o papel que lhes cabe no sistema de transportes de São Paulo, o aumento do número de veículos que procuram as rodovias acabará por sufoca-las.

A guerra para recuperar a dignidade que o trem perdeu começou, em São Paulo, há 4 anos, mas ela é longa, árdua, difícil. Uma das armas dessa guerra é a necessidade de vender a ideia do trem a um povo que se desacostumou, seja para transportar carga, seja para usá-lo como meio de transporte pessoal.
É dentro desse quadro – como uma arma a mais – que o governo instituiu a Semana da Ferrovia, infelizmente pouco promovida.

Nesta página e na seguinte, 4 repórteres do “Estado” traçam um retrato de corpo inteiro de nossas ferrovias e dos homens que dela dependem: Francisco Ornelas fez a viagem de trem da capital aos confins do Estado, nas barrancas do rio Paraná, para contar a vida dentro do trem, que mais parece uma cidadezinha ambulante, na semelhança dos tipos, nas queixas mais frequentes, na “comida a bordo”; Itaborai Martins mostra o ferroviário, esse ex-bom partido para mocinhas casadoiras, hoje mal pago; Aluisio de Toledo Cesar conta todo o esforço que se faz para dar ao trem-de-ferro o prestígio que a rodovia lhe roubou e que agora, pode virar contra ele próprio sufocando-a num mar de veículos; e Allen Augusto Dupré fala da história da ferrovia.

2 comentários:

Paulo Roberto Filomeno disse...

Os principais jornais de SP (Folha e Estado) disponibilizaram a totalidade de seus acervos na Internet. Isso dá um grande material de pesquisa para os interessados em qualquer área, uma vez que mostra os fatos conforme iam ocorrendo. No acervo do Estadão, o assunto ferrovia era tema de longos debates nas cinco primeiras décadas do século passado. Os personagens que faziam a história da ferrovia (Francisco Monlevade, Adolpho Pinto, os irmãos Rebouças, entre outros) eram presença frequente nas páginas do jornal para debater o transporte ferroviário. A partir da década de 50, quando a estatização total passou a ser uma realidade, o assunto passou a ser debatido muito mais em temas políticos do que técnicos e reportagens sobre grandes acidentes passaram a ser comuns. Um exemplo é essa reportagem, que bem mostra as iniciativas que o governo do Estado tentava iniciar mas nada tinha continuidade. Até chegarmos à Fepasa, no início dos anos 70, que nada mais foi do que uma marionete na mão dos políticos paulistas.

SINFERP disse...

Gratos pela dupla contribuição, Paulo.