sábado, 2 de junho de 2012

Estado (RS) tem um carro para cada duas pessoas


Frota gaúcha alcança 5,1 milhões de veículos, segundo dados do Detran

O Rio Grande do Sul já tem uma frota de 5,1 milhões de veículos, o que representa um para cada dois habitantes, já que a população estadual é de 10,6 milhões. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano a quantidade de veículos aumentou em mais de 100 mil unidades. A informação do Detran/RS, evidencia um grande problema: o excesso de carros, motos, caminhonetes e outros complica cada vez mais a mobilidade.

Os veículos particulares representam a maioria absoluta: são 3.144.505 unidades. De janeiro a abril, foram contabilizados 53.094 veículos novos no Estado. As motocicletas somam 1.005.082 unidades, conforme dados de abril. Na comparação entre 2010 e 2011, esse segmento foi o que cresceu mais, com salto de 25,6%. No Estado, outro tipo de veículo que tem grande representação é a caminhonete. A frota gaúcha é de 488.699 unidades. Na comparação entre os últimos dois anos, o segmento teve aumento médio de 10,3%.

A frota de veículos de Porto Alegre cresceu em 30.351 unidades entre 2010 e 2011. No fim do ano passado ela somava 716.493 veículos. Nos primeiros quatro meses deste ano, mais de 10 mil veículos foram incorporados ao total. Se o crescimento prosseguir no mesmo ritmo, até o fim do ano, Porto Alegre terá uma frota de 746 mil veículos.

Segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, o tamanho da frota não é determinante para a mobilidade, pois o importante é a forma como os veículos são usados. Cappellari acredita que se todos saíssem de casa com os carros ao mesmo tempo, a cidade pararia de funcionar. Para ele, é preciso discutir como fazer para que parte dos donos desses veículos usem outros meios de transporte.

O trabalho da prefeitura tem sido o de tentar atrair a população para o transporte público. Algumas medidas, como a isenção da segunda passagem, ampliou o número de usuários. Em junho de 2011, o sistema de transporte coletivo tinha 1,1 milhão de passageiros por dia. Atualmente, é de 1,25 milhão. A expectativa é de chegar a 1,3 milhão até o fim do ano.

Cappellari destaca que a média de 2 habitantes por veículo da Capital é atribuída a países emergentes. Ele ressalta que somado à frota local, ainda há um contingente de veículos que vem de outras cidades, representando 30% do total. O diretor-presidente da EPTC avalia que o transporte coletivo é a saída para evitar o caos no trânsito.

Porém, atrair usuários ainda é um grande desafio, reconhece Cappellari. Para isso, é necessário enfrentar alguns problemas como tentar reduzir a quantidade de ônibus que chegam ao Centro da cidade. Isso deverá ocorrer com as instalações dos BRTs e do metrô, que funcionarão em áreas de maior concentração de passageiros. Com este processo, será possível reduzir o número de coletivos em trânsito e minimizar o tempo de espera dos passageiros nos horários de pico.
Fonte: Correio do Povo

COMENTÁRIO: Li agora esta notícia no tradicional CORREIO DO POVO, um clássico de Porto Alegre desde o século XIX. Estou enviando para o SÃO PAULO TREM JEITO. É no mínimo curioso que alguém sugira a solução consistente em reduzir o número de ônibus no agora Centro Histórico da capital, para com isso, obviamente, dar espaço aos automóveis. Claro, evitando também a aglomeração de passageiros em uma área que vem sendo “resgatada”. Será que ― please! ― o SINFERP não quer vir aqui fazer campanha pelo VLT? Tempos pós-modernos? Não, acho que isso está mais para tempos pós-apocalípticos, bem para lá do fim do mundo. Com nossas ruas estreitas! Sinferp, help a gente, please! Ou enviem uns bandeirantes... Quem sabe?

Maristela Bleggi Tomasini, Porto Alegre, RS.

Comentário do sindicato

Até que seria legal, Maristela, mas estamos com dificuldades para fazer ver aos paulistas e principalmente paulistanos que o VLT é uma boa solução para nós mesmos. Nessa medida, não estamos com muita moral para atuar fora das fronteiras. Puxa... E vocês ainda têm trilhos de bonde perto do Mercado Público. Que inveja. Bandeirantes? Hummm... Até eles se tornaram nomes de estradas de rodagem.

4 comentários:

Maristela Bleggi Tomasini disse...

Se há uma coisa que se pode fazer é insistir, publicar artigos, promover palestras. Começa-se pelo público mais sensível que é, geralmente, o mais apto a compreender o assunto em um nível mais amplo, menos imediatista. Uma pessoa convicta gera convicção em pelo menos mais uma como ela. É importante lembrar que as ideias se propagam, não raro a partir de um único iniciador. Bom exemplo é a moda. Começa tímida e depois toma conta de um público, depois outro, depois outro. Imitação funciona, mas é preciso insistir. É assim que São Paulo vai "trendo" jeito, ora. Uma fez formada a opinião, o resto é consequência. Até o VLT, quem sabe?

SINFERP disse...

Ai está uma coisa, Maristela, da qual não temos nenhuma dúvida. Temos plena consciência de nosso papel de formadores de opinião, e mais especificamente sobre os que formam opinião. Não temos pressa - isso já aprendemos. Vai ser um esforço imenso até que implantem o primeiro, pois depois a coisa caminha na base da inveja. "Cadê o nosso?" "Por que eles têm um e nós não temos?". Prós e contras já estão se matando em torno do monotrilho, e ainda não há nenhum circulando. kkk Se o Encontro com Peter Alouche sobre VLT, que promovemos recentemente, tivesse sido sobre monotrilho, não haveria lugar nem mesmo no ginásio de esporte do SINFERP para acomodar tanta gente. Não será diferente em Porto Alegre, que agora anda "assanhado" com a ideia de um metrô subterrâneo, como os existentes em São Paulo e Rio de Janeiro. Até o curitibanos, adoradores dos ônibus e dos BRTs, andam reclamando da falta de um metrô subterrâneo. Como VLTs estão despontando no nordeste, não ganharam status de "modernidade", de "primeiro mundo" e, nessa medida, não são objeto de cobiça. "Um bonde? Credo!" kkkkk

Maristela Bleggi Tomasini disse...

Pois eu me lembro dos bondes. Passavam em frente à minha casa. Naquela época, eram barulhentos, quadrados, ligados à fiação elétrica. Todos queriam retirá-los de circulação, porque um dia eles simplesmente ficaram “fora de moda”. Quadrados, com bancos de madeira, andando devagar, ligados à fiação, eram conduzidos por motorneiros. As passagens eram bilhetes pequenos e coloridos, de papel fino, macio, que eu gostava de segurar. E havia aqueles reclames de antigamente colados acima dos bancos, alguns escritos em forma de poesia: Veja ilustre passageiro/o belo tipo fagueiro/que o senhor tem ao seu lado/no entanto, acredite, quase morreu de bronquite/salvou-o o "Rhum Creosotado". Como tudo que foi moda, podem retornar, romanticamente, até mais bonitos e com um novo nome para eles, agora que estão mais leves. Portanto, é insistir.

SINFERP disse...

Pois é. O único que tínhamos em sampa o glorioso prefeito doou para a cidade de Santos. Ainda bem, pois lá sabem o que fazer com ele, além de ser, também, a primeira cidade, por aqui, a merecer um VLT. Maravilha o "reclame". kkk