segunda-feira, 4 de junho de 2012

Como em Porto, o VLT é ideal para Sorocaba (SP)


Entre tantos programas e ações desenvolvidos na Europa que poderiam servir de modelo ao problema da mobilidade urbana em Sorocaba, poucos superam em vantagens o metrô. Daniel Groppo se locomove, na cidade do Porto, por esse meio de transporte. Para conhecer melhor o funcionamento do sistema, conversou com o diretor de Comunicação da empresa, Jorge Afonso. Soube que a linha metroviária local possui, atualmente, 77 quilômetros de extensão, sete deles em via subterrânea.

O serviço foi planejado e começou a ser construído em 1989, mas só entrou em operação no ano de 2002. Transporta diariamente 400 mil pessoas. O sistema, de acordo com Afonso, adota o modelo híbrido, a partir da mescla de trens suburbanos, metrô pesado, tram´s e metrô de superfície. Esta última modalidade é a mais indicada em razão do custo e do impacto menor nas desapropriações.

O Metrô do Porto aproveita as ruas, que ficam fechadas para veículos automotores e são divididas em canteiros centrais de avenidas, como a da República, em Vila Nova de Gaia, que é possui largura menor que a Itavuvu, em Sorocaba. Porém, abriga uma linha, além de duas faixas para automóveis em cada sentido. Os cruzamentos são feito em nível e semaforizados. A sinalização é sincronizada dentro da chamada onda verde.

Daniel entende que o metrô de superfície seria o empreendimento ideal para o município, já que proporciona transporte de alta capacidade como um meio troncal, alimentando linhas de ônibus de tal forma a diminuir o tempo, além de aumentar o conforto, diminuir o número de ônibus que vão até o centro, e de tornar os intervalos dos coletivos de bairro menores. "Sorocaba tem vastas e largas avenidas que poderiam abrigar um metrô de superfície mesclado com tram, como é chamado o bonde moderno (usado em Lisboa e Oslo, na Noruega). Os itinerários desses tram"s poderiam, por exemplo, começar nas estações de transferência de ônibus atualmente existentes e andar no canteiro ou terceira faixa de veículos até o centro, utilizando binários como a Comendador Oeterer, Hermelino Matarazzo, ou avenidas como a General Osório.

Algo parecido também poderia ser feito na margem direita do rio Sorocaba sem que houvesse impermeabilização do solo, já que não é necessário que se concrete o terreno onde estarão os trilhos. Acompanhando o leito do rio, seria possível alcançar boa parte da zona norte da cidade. O trajeto passaria pelo centro (Terminal São Paulo), com possibilidade de extensão até Votorantim.

Porto também se assemelha a Sorocaba por manter diversas linhas que antes cortavam o centro e foram utilizadas para o metrô, inclusive reaproveitando túneis antigos por onde as composições passavam. Aqui, a linha abandonada, de propriedade do Grupo Votorantim, poderia ser testada para implantação de um modelo como aquele, junto com as linhas subutilizadas da ALL, que cortam o centro, as zonas leste e oeste.
O custo do Metrô do Porto foi estimado em 17 milhões de euros por quilômetro de linhas de superfície (já incluídas as estações), e 23 milhões de euros por quilômetro de linhas subterrâneas, acrescidos de 30 milhões de euros por estação subterrânea. O uso do subsolo é uma constante na Europa. Por conta da falta de espaço, as zonas mais centrais e movimentadas mantêm estacionamentos públicos pagos, a maioria construídos sob praças. Em alguns casos, é possível encontrar edifícios-garagens. É raro encontrar vagas que não tenham parquímetro, mecanismo que está para ser adotado aqui.

Cruzeiro do Sul Online – 03/06/2012

2 comentários:

Danilo da Costa Leite disse...

Muito interessante esse post, porque ninguém fala sobre transporte sobre trilho nas cidades médias do Estado, só se fala das 3 regiões metropolitanas (e olhe lá!). Me pergunto se Riberão Preto, São José dos Campos, Bauru não poderiam ter algum tipo de tranporte urbano sobre trilhos desde já (ao invés de esperá-las estourarem de transito)... Grande site. Abraço, Danilo.

SINFERP disse...

Não, Danilo. Ninguém fala disso na capital, e tampouco nas cidades por você citadas. Muitas delas estão removendo trilhos e ficando felizes porque o governo federal está construindo contornos para os trens de carga das concessionárias privadas não incomodarem, no que têm razão. Não percebem, entretanto, que os trilhos que passam pela cidade podem servir para VLTs, e até mesmo para o retorno dos trens regionais.