quarta-feira, 13 de junho de 2012

Chegada do VLT anima comunidade


UTINGA (Maceió – AL). Após dois anos, moradores voltam a andar sobre os trilhos

Com tanta coisa fora dos trilhos, a comunidade de Utinga começa a semana com uma ótima notícia. Há dois anos penando, sem receber um trem, os moradores estão ansiosos para assistir à primeira chegada do moderno VLT na estação da antiga Usina Utinga Leão, que deve acontecer nesta segunda-feira.

O burburinho na comunidade já começou há cerca de dez dias, quando a CBTU realizou os primeiros testes com o VLT passando por lá. Ninguém sabia de nada e, de repente, o novo trem chegou por lá. “O pessoal se espremia para olhar pelas janelas, causou um rebuliço grande, a estação ficou uma festa, todo o mundo queria ver”, relata o engenheiro Euclides Coelho, coordenador de obras da companhia.

Um dos curiosos era Moisés Augustos dos Santos, 47 anos, nascido e criado em Utinga. “O trem faz parte da vida da gente mesmo. Desde moleque, novinho, eu ando nele. Depois que esse trem parou de andar por aqui, acabou um bocado de coisa, desmantelou muita gente, o comércio está sofrendo até hoje e o pessoal deixou de visitar os parentes, os amigos e de fazer muita coisa na cidade”. 

 A cheia de 2010 destruiu longos trechos de linha férrea, principalmente na região de Rio Largo. Com a liberação de recursos para a reconstrução, também era preciso resolver um velho problema que agredia os trilhos entre Satuba e Utinga. Sempre que havia uma chuva mais intensa, o nível da água avançava sobre a linha, impedindo a passagem dos conjuntos.

Por isso, a obra começou pela chamada estaca 1.040 (antes de Utinga), seguindo até a estaca 1.652 (em Lourenço de Albuquerque). O engenheiro explica que a obra executa dois trechos de alteamento da linha, levantando o nível de 1,8 metros até 3 metros de altura para evitar que a água atinja os trilhos. 

O primeiro trecho, com 2.300 metros de extensão, já está concluído. Foi justamente nele que o VLT foi testado, chegando até a estação de Utinga, inclusive com a redução de três minutos no percurso (caiu de 14 para 11 minutos). Os estudos apontam que o tempo pode chegar, ainda, a menos de 9 minutos. Com a implantação de todos os trilhos novos, a projeção prevê um intervalo de 15 minutos entre um trem e outro no trajeto do Centro de Maceió até Fernão Velho.

O segundo trecho de alteamento tem 1.100 metros, seguindo depois da estação Utinga até a estaca 1.380. Segundo a CBTU, o trem deve voltar a circular até a estação de Gustavo Paiva, em Rio Largo, entre o fim deste mês e o início de julho. De lá até a estação final de Lourenço de Albuquerque, a companhia espera liberar a chegada do trem, no máximo, entre julho e agosto.

O engenheiro Euclides explica que o alteamento é um aterro normal, compactado, com muretas de contenção, onde foram colocados trilhos e dormentes novos. Oito bueiros novos foram construídos embaixo dos trilhos, além da recuperação dos já existentes, para escoamento da água. Apesar de extensa, a obra deve ser detalhista, seguindo exigências minimalistas. 

O engenheiro mostra que a fixação dos trilhos é feita com o sistema “duplo C”, que, segundo ele, traz um custo benefício melhor, barateando cerca de R$ 15 reais por conjunto. Para se ter uma ideia da economia, basta saber que cada dormente usa dois conjuntos de fixadores. Em 12 quilômetros de obras são mais de 20 mil dormentes, o que equivale a algo em torno de R$ 600 mil de economia.

Gazeta de Alagoas – Maurício Gonçalves - 10/06/2012

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