sábado, 26 de maio de 2012

TRANSLOHR - um VLT sobre pneus - em visita ao SINFERP


Interior do Translohr, em Veneza
Nosso sindicato recebeu visita do Sr. Olivier Hauchard, conseil Brésil da Lohr Industrie (França), que nos apresentou o Translohr, um VLT sobre pneus.

- Sobre pneus?  O que houve? O sindicato bandeou para o rodoviarismo?

Nada disso. Embora sobre pneus - e não sobre rodas de aço - o Translohr é um veículo genuinamente ferroviário, pois um meio de transporte sobre trilho.

- Trilho? No singular?

Sim, no singular. Duas rodas de aço revestidas de borracha (2) estão “abraçadas” a um trilho (1), cujo boleto (parte superior) fica praticamente no nível da superfície (rua, pista, avenida), e guia a direção dos carros, como em qualquer trem.



Os pneus, de acordo com o Sr. Olivier, são convencionais (encontrados com facilidade no mercado), e permitem silêncio na rodagem, uma vez que as vibrações são por eles absorvidas, além da suspenção pneumática. Permite também ao VLT superar aclives de até 13%. A frenagem é a disco - com ABS - em todas as rodas. Os pneus também tornam o VLT mais leve.



O VLT Translohr é elétrico, e dotado de baterias para circular por alguns trechos onde a rede aérea poderia apresentar inviabilidade técnica ou agressão paisagística/ambiental, como em lugares históricos, por exemplo, até novamente alcançar a rede e a ela conectar-se pela catenária.

Tem dimensões menores do que as dos VLTs convencionais, justamente para ocupar menor espaço nas ruas e avenidas, além das garagens. Apenas 2,20 m de largura e 3,10 m de altura. Por ser um veículo urbano, suas “caixas” têm 70% de transparência (vidro). Movimenta-se em raio de 10,5 m, o que é excelente para fugir das desapropriações.

Agradecemos a gentil visita do Sr. Olivier. Gostamos muito do Translohr, e estamos aqui publicando aspectos que nos pareceram muito interessantes.

Abaixo o vídeo institucional do Translohr, que fala por si.


6 comentários:

Paulo Roberto Filomeno disse...

Neste sábado, passando pelo viaduto Dona Paulina, no centro de SP, um ônibus articulado (com uns 20 m de comprimento) saiu do acesso da av. 23 de maio, entrou no viaduto, cruzou todas as faixas para entrar à direita na rua Quintino Bocaiuva. E fez isso sem se preocupar com nada, azar de quem estivesse na frente ou do lado (eu era um deles). E os bondes foram enxotados desta e de outras cidades por "atrapalharem o trânsito", como se um bonde pudesse fazer uma barbaridade dessas. Nem saiam dos trilhos, os coitados.
Um ônibus desse comprimento entrando, saindo e passando por ruas estreitas do centro de SP é um tremendo absurdo. Esse é um tipo de veículo que deveria ser utilizado apenas entre terminais, passando por grandes avenidas. Se os prefeitos sem visão querem corredores de ônibus, que o façam de forma inteligente, utilizando-os em corredores e com linhas alimentadoras que chegariam em terminais que se localizariam em pontos próximos ao final das grandes avenidas. Mas melhor ainda do que ônibus articulados seria uma solução de VLT sobre pneus como esta. Além de ter maior capacidade de passageiros, pode circular em trechos com subidas e fica na sua faixa. Também não é como um carrinho de montanha russa, que é a sensação que tem alguém que anda num articulado a mais de 60 km/h. A via deste VLT é construída para ser plana e uniforme, portanto permitindo uma viagem com muito maior conforto. Estas linhas radiais poderiam utilizar o modelo com 6 carros. Agora imagine uma linha central circular em SP, ligando terminais de ônibus e estações do Metrô, com VLTs como esses de 3 carros, tirando-se aquele monte de ônibus fora do centro. Mas os donos de empresas de ônibus são muito mais bonitos e sedutores do que eu e talvez por isso o prefeito não resista às suas conversas... ônibus articulado no centro fica bonito, meu bem...

SINFERP disse...

Comentário impecável, Paulo. De qualquer modo, não é apenas o Kassab que tem amor declarado pelos ônibus. Os anteriores também, de onde suspeitarmos do imenso poder sedutor desse veículo sobre as decisões de nossos representantes públicos. Quem sabe o próximo (a), quem sabe... Oremos...

Anônimo disse...

Acredito piamente que além da "beleza e sedução" dos ônibus e empresários tem também a desculpa, desculpa de como roubar o munícipe melhor, por que R$ 3,00, por um transporte desconfortável que atrasa, vive cheio, presta um desserviço a população, já que transporte de qualidade é direito assegurado, outra situação é por que na incompetência dos nossos governantes não se busca meios nacionais para o transporte de massa?? tudo tem que ser importado de fora?? sei que temos tecnologia e mão de obra no país, mas "eles" insistem em trazer estes da américa do norte, europa e ásia (china),não tenho mais esperanças de ver um transporte em S.Paulo acessível a todos, tenho que suportar infelizmente todas as interrupções da CPTML(compania paulista de trens muito lentos), nos fins de semana e em alguns dias da semana também ás vezes por "algum" problema na via(seria manutenção mal-feita?), isto já tem muiiiito tempo, uns 20 anos acho....

SINFERP disse...

Sim, a CPTM completou maioridade, ainda é do jeito que conhecemos, e sua direção reclama de que herdou uma estrutura ultrapassada. Perfeito, se não tivesse passado esse tempo todo para "modernizar". Empresários de ônibus são os principais financiadores de campanha no interior, além de fornecedores de "caixinhas" para vereadores. Depois do desmonte da ferrovia brasileira, chegamos nessa situação: tudo precisa ser importado.

Thiago nunes viana disse...

Ja tinha visto este modal a algum tempo. mas hoje achei algo que me chamou a atenção: a possibilidade de a TBM da linha 5 do metro poder ser utilizada na construção de VLT sobre pneus da seguinte forma: um vlt correra por cima do outro (de forma que o túnel com 10,5 metros de diâmetro seria dividido em 2 andares). mais detalhes sobre essa ideia aqui: http://biblioteca.aeamesp.org.br/smns/18smtf120912t15.pdf . Pra levar a automatização da construção ao máximo, a lage do 1º andar seria construída utilizando o método "steel deck" (mais detalhes sobre o steel deck aqui: http://www.cbca-acobrasil.org.br/guia-brasil-da-construcao-em-aco/busca.php?e=buscar&bsc=ativar&slcBscCategoria=108 ), suportada por vigas e colunas em aço galvanizado a quente (para maior durabilidade, mais sobre aço galvanizado a quente aqui: http://www.icz.org.br/portaldagalvanizacao/biblioteca-publicacoes.php# ) . a vantagem do uso de pneus é a possibilidade de usar rampas mais íngrimes para vencer obstáculos como outros túneis ja existentes, além do fato de os pneus reduzirem as vibrações que seriam produzidas pela operação dos trens. outra vantagem é a facilidade em aumentar o tamanho das estações, a redução da área necessária nos pátios de estacionamento (tudo isso detalhado no primeiro link que postei)... como a composição é guiada pelo trilho central, ela poderá ser operada remotamente por um sistema cbtc. outro benefício é a redução do desgaste dos AMVs, uma vez que estes não terão de suportar o peso do trem além de mudar sua direção. claro que a opção pelo túnel é bem mais cara que um elevado, porém o elevado pode ter alto impacto visual. se a linha for bem projetada, o espaço que sobrará no túnel (ao lado da linha em trechos onde não será executada a "via garagem") poderá servir como acesso subterrâneo a edifícios escritório (funcionando como uma "calcada entre estações"). Bom, acredito ser esta uma opção bem interessante para distribuir o fluxo de passageiros em regiões onde ja há "transporte sobre trilhos pesado", altíssimo custo de desapropriação para construção de vias elevadas e onde um elevado poderia degradar a paisagem. gostaria de saber a opinião de vocês!

SINFERP disse...

Embora tenhamos tentado visualizar a sua ideia, não temos, honestamente, condições técnicas para emitir opinião sobre ela, Thiago. De qualquer modo, fica aqui exposta para conhecimento e eventual contribuição de outros amigos e visitantes.