domingo, 17 de abril de 2011

Presidente da Azul quer que verbas para o TAV vão para os aeroportos

O presidente do Conselho da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman, disse hoje (14/04) não acreditar que o trem de alta velocidade (TAV) entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas saia do papel. 'Acho que não vai sair. Acredito que o custo do projeto é duas vezes mais caro do que as pessoas pensam', afirmou o executivo, que recentemente conversou com engenheiros da Camargo Correa e a Odebrecht. 


A previsão feita por Neeleman foi uma resposta a questionamentos sobre os impactos que o TAV teria na demanda da ponte aérea entre as duas capitais, durante um seminário sobre aviação. Na avaliação do presidente do conselho, as companhias aéreas pouco seriam afetadas pela entrada em operação do trem de alta velocidade. 


'Durante o dia, os voos partem com baixa ocupação. Se o trem bala começar com essa tarifa (valor teto estabelecido pelo governo), as empresas baixariam o preço das passagens e a renda com o transporte ferroviário seria menor do que a esperada', revelou. O executivo defendeu que o montante a ser investido na obra seja utilizado em outros projetos de infraestrutura, como aeroportos.

RAC.com - 14/04/2011

Que o custo do projeto TAV será duas vezes mais caro do que as pessoas pensam, não temos dúvida. Se irá ou não sair do papel, é uma decisão do governo federal. Nesta altura do campeonato, o sindicato já defende que o projeto seja abortado, e que seja criada uma ferrovia regional, para passageiros, com emprego de modernas tecnologias.

Pretender o sr. Neeleman, entretanto, que essa graninha seja dirigida aos aeroportos, é preocupar-se excessivamente apenas com os próprios interesses. Para construtoras como a Camargo Correa e a Odebrecht, citadas no noticia, tanto faz, pois levam a maior parte do dinheiro (no mínimo 3/4, no caso do TAV) em qualquer das hipóteses.

Ao exemplo dos empresários do transporte rodoviário, os do transporte aéreo investem apenas na frota, deixando para todos nós, usuários ou não de seus serviços, a conta das obras públicas de infraestrutura das quais eles desfrutam, lucram, e nos tornam reféns, quando assim decidem.

Trem regional moderno compete com eles e muito bem, sem a necessidade de tamanha farra com o dinheiro que é de todos nós, e sem poluir, coisa que eles não podem fazer, ao menos por enquanto. Melhor duas horas e meia de trajeto entre São Paulo-Rio em poltronas confortáveis e espaçosas, e até mesmo em carro-bar ou carro-restaurante, do que uma hora enlatado entre poltronas coladas umas as outras, sem contar o tempo de check-in, espera de entrega de bagagens nos aeroportos, afora os atrasos constantes. Compete no preço, na qualidade do serviço e no conforto.

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