sexta-feira, 8 de abril de 2011

Presidente da Alstom fala dos trens regionais paulistas

Trem sistema pendolino

O presidente da Alstom no Brasil, Philippe Delleur, afirmou que fazer trens regionais de média velocidade em São Paulo seria o caminho "mais seguro e curto" para o Brasil chegar ao trem-bala.

Em entrevista à Folha, Delleur disse que o adiamento do leilão, que deve ser anunciado hoje, será "excelente decisão". "Mas não serve para nada adiar a cada três meses, se não mudar nada", disse Delleur, desde 2009 o principal executivo da Alstom no país.

Para ele, o problema está nas obras civis. As empreiteiras nacionais, disse, indicam que o valor dado pelo governo está subdimensionado. O projeto total está estimado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) em R$ 33,1 bilhões, sendo cerca de R$ 28 bilhões (valores de dezembro de 2008) em obras e desapropriações.

Delleur afirmou que as empresas já estão com dificuldades para conseguir recursos próprios, "equity", para ingressar como sócias, e caso a obra fique mais cara do que o previsto serão necessários mais recursos próprios ou financiamento. O BNDES pode financiar até R$ 20 bilhões.

"Nossas conversas com investidores indicam que é muito difícil achar um valor tão grande de "equity" privado. Os investidores financeiros não vão colocar dinheiro se não houver um grande esclarecimento sobre
o projeto. E, se o orçamento não é R$ 33 [bilhões], é R$ 50 [bilhões], aumenta o tamanho do problema a ser resolvido."

Mudanças pedidas por parte dos interessados na nacionalização do trem,  para Delleur são inúteis. Segundo ele, o que está no edital poderia até ser aumentado como forma de incentivar a indústria ferroviária nacional.

O tempo a mais até a nova data do leilão também será usado para fazer novos estudos sobre as conexões com outros sistemas de transportes,  principalmente em São Paulo. Como é essencial que a linha de alta velocidade seja integrada, Delleur defende os trens regionais.

TESTE DA DEMANDA

Pelos estudos, cerca de 70% da demanda do trem-bala virá de ligações entre as cidades paulistas. Por isso, diz, o ideal seria testar um sistema ferroviário nessas ligações, conhecer a demanda real e, só depois, passar para os trens de maior velocidade.

"Grande parte da demanda não fica entre SP-RJ, mas em volta de São Paulo. O projeto deveria trazer resposta a essa demanda existente e, para isso, o regional pode ser rapidamente feito, em três a quatro anos, captar a demanda, estabilizar e usar esses recursos para continuar o projeto de alta velocidade."

O governo paulista tem projeto para quatro linhas regionais, ligando a capital a Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, com o trem-bala, Campinas e São José estariam contempladas, e o governo paulista se concentraria nas outras duas.

Os trens regionais têm velocidades máximas de 250 km/h, enquanto os de alta operam a até 350 km/h.

Folha uol – Dimi Amora – 07/04/2011

O presidente da Alstom tem razão, ao menos no que diz respeito aos interesses dos paulistas. Essa novela do trem-bala vai longe, e o Estado de São Paulo não pode se tornar refém dessa história nebulosa, e que não terá um final feliz. A julgar pelo que a reportagem atribui a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, Campinas, Jundiai e São José dos Campos ficarão, por conta da novela do trem-bala, sem seus trens regionais. Com o desinteresse do prefeito de Guarulhos, que fala em criar um corredor de ônibus ligando a cidade à capital, não é de duvidar que também essa cidade fique sem seu trem metropolitano de passageiros. Que seja, então, o trem regional para Santos e Sorocaba, ao menos para reinaugurar a volta dos trens de passageiros de média e longa distância no estado. O que não é aceitável é o projeto de trens regionais de São Paulo ficar na dependência das indefinições e desmandos do governo federal. Quem pariu o trem-bala que o embale.
Só uma correção: não mais existe indústria ferroviária nacional. A Alstom nada tem de nacional. Só teremos uma indústria ferroviária nacional se a Embraer resolver fabricar trens. Tomara que sim. Governador Alckmin – “non ducor duco”. 

Um comentário:

Luiz Carlos Leoni disse...

O presidente da Alstom no Brasil, Philippe Delleur, afirmou que fazer trens regionais de média velocidade em São Paulo seria o caminho "mais seguro e curto" para o Brasil chegar ao TAV.
Para ele, o problema está nas obras civis. As empreiteiras nacionais, disse, indicam que o valor dado pelo governo está subdimensionado. O projeto total está estimado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) em R$ 33,1 bilhões, sendo cerca de R$ 28 bilhões (valores de dezembro de 2008) em obras e desapropriações.
Delleur afirmou que as empresas já estão com dificuldades para conseguir recursos próprios, "equity", para ingressar como sócias. E, caso a obra fique mais cara que o previsto, serão necessários mais recursos próprios ou financiamento. O BNDES pode financiar até R$ 20 bilhões.

Mudanças pedidas por parte dos interessados na nacionalização do trem, para Delleur, são inúteis. Segundo ele, o que está no edital poderia até ser aumentado como forma de incentivar a indústria ferroviária nacional.
O tempo a mais até a nova data do leilão também será usado para fazer novos estudos sobre as conexões com outros sistemas de transportes, principalmente em São Paulo. Como é essencial que a linha de alta velocidade seja integrada, Delleur defende os trens regionais.
Teste da demanda
Pelos estudos, cerca de 70% da demanda do trem-bala virá de ligações entre as cidades paulistas. Por isso, diz, o ideal seria testar um sistema ferroviário nessas ligações, conhecer a demanda real e, só depois, passar para os trens de maior velocidade.
"Grande parte da demanda não fica entre SP-RJ, mas em volta de São Paulo. O projeto deveria trazer resposta a essa demanda existente e, para isso, o regional pode ser rapidamente feito, em três a quatro anos, captar a demanda, estabilizar e usar esses recursos para continuar o projeto de alta velocidade."
O governo paulista tem projeto para quatro linhas regionais, ligando a capital a Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, com o trem-bala, Campinas e São José estariam contempladas, e o governo paulista se concentraria nas outras duas.
Os trens regionais têm velocidades máximas de 250 km/h, enquanto os de alta operam a até 350 km/h.
Fonte; Folha de São Paulo.

Concordo perfeitamente com a opinião do sr. Delleur, quando especifica-se trens com velocidade de até 250 km/h que podem ser usados como trens regionais com alimentação em 3 kVcc e futuramente como trens TAV em linhas exclusivas com alimentação em 25 kVca podendo ser os do tipo pendulares que possuem uma capacidade de trafegar em curvas de raios menores pois possuem um sistema de compensação de estabilidade, adaptando-se melhor as condições brasileiras usando as mesmas composições para ambas funções e padronizados em bitola de 1,6m.
Estes modelos de trens são de tecnologia consagrada, e podem ser construídos no Brasil, inclusive pela Embraer.