quarta-feira, 13 de abril de 2011

Presidente da ABIFER fala em desmantelamento da indústria ferroviária nacional

Trem espanhol 

As tentativas vêm de todos os lados. Todos, salvo raríssimas exceções, querem aproveitar-se da extrema vulnerabilidade que se impingiu à indústria brasileira recentemente. Uma indústria que possui qualidade (foram-se os tempos das "carroças" automotivas) cumpre rigorosamente com seus compromissos de entrega e só não oferece preço mais competitivo devido a fatores alheios a ela, como veremos a seguir.

Real excessivamente valorizado, moeda chinesa estrategicamente (para eles) desvalorizada, aliada a incentivos locais (o aço para a indústria chinesa tem preço 20% menor que o preço internacional), carga tributária brasileira duas vezes maior que a dos demais países do BRIC e, para completar a lista, um imposto de importação extremamente baixo no caso da indústria ferroviária.

Resultado? Trens chineses e coreanos completos chegando ao País. Chegando é força de expressão, pois, como vimos pela imprensa na semana passada, a entrega de trens chineses para o Rio de Janeiro se atrasará em mais de um ano (aliás, se os trens tivessem sido comprados da indústria nacional, como fez o Metrô Brasília, já estariam gerando receitas, tanto financeiras quanto sociais).

A aquisição de trens asiáticos tem outros efeitos nocivos. Além de não gerar emprego e renda ao trabalhador brasileiro, não somente o da empresa montadora do trem, mas de toda a cadeia produtiva, sua assistência técnica no Brasil inexiste. Verdadeiro absurdo, considerando-se a vida útil deste equipamento, de mais de trinta anos (se é que ela chegará a tudo isso).

Vimos também na imprensa, semana passada, uma orquestração anônima com o objetivo de diminuir o já reduzido conteúdo nacional do Trem de Alta Velocidade Rio-São Paulo-Campinas.

Aonde querem chegar? A quem interessa isso?

Todos sabemos que falta isonomia tributária ao produto brasileiro para concorrer com o importado, em igualdade de condições. Cabe ao governo brasileiro, portanto, tomar urgentes ações sobre os fatores que tiram nossa competitividade, os quais não são exclusivos da indústria ferroviária, sob pena de a indústria brasileira ser desmantelada e ficarmos à mercê de importações danosas ao País, sob todos os aspectos.

Vicente Abate (Presidente da ABIFER – Associação Brasileira da Indústria Ferroviária)

Comentário do sindicato.

No passado, quando nosso sindicato criou a Campanha O Brasil Trem Jeito e instituiu o Prêmio Nacional SOS Ferrovia de Jornalismo, foi procurado pelo SIMEFRE (Sindicato da Indústria de Materiais Ferroviários)/ ABIFER, com quem estabeleceu uma parceria em torno da luta pela defesa dos trens. Como produto dessa parceria promovemos, juntos, o 2º Premio Nacional SOS Ferrovia de Jornalismo. Uma das bandeiras era a mesma que o Sr. Abate reclama hoje, no texto acima, contra a entrada, na época, do que se denominou chamar de Trem Espanhol para os trilhos da CPTM. Um escândalo, pois o trem havia sido “doado” ao governo do Estado de São Paulo por uma empresa espanhola, com a condição que nosso governo pagasse pela “reforma” dele (uma vez que usado) na Espanha, antes de ser entregue. 

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