sexta-feira, 15 de abril de 2011

O trenzinho da Cantareira (SP) (narrativa)

Estação de Gopouva - Guarulhos

Acho que por volta de 1955 foi a vez primeira que tomei o trenzinho que tinha na confluência da Rua da Cantareira com João Teodoro a estação inicial saindo daí para Guarulhos, ou no entroncamento em Santana para a Serra da Cantareira.

Meus primos Sybel e Lígia, moravam temporariamente numa chácara na estação de Gopouva em Guarulhos. O caminho era particularmente lindo e lembrava em muitos trechos Campos do Jordão quando passava pelo Jardim São Paulo que ainda não era urbanizado. Havia ali bosques de eucaliptos e pinheiros.

Havia um desnível acentuado entre a baixada do Pari e Canindé até Gopoúva, então você ia subindo, subindo, e o vaporzinho fazia muita fumaça, e resfolegava parecendo um asmático, mas vencia galhardamente as subidas.

Numa tarde muito quente de verão fomos ter à Gopoúva e foi muito gratificante chegar lá e respirar o ar puro do Jardim Tranquilidade como era chamado o bairro que constituía na maioria de pequenas chácaras. Percorrer bairros que nunca tinha passado antes, como Santana, Carandiru, Parada Inglesa, Tucuruvi, Vila Mazzei, Jaçanã, Vila Galvão, e por fim Gopoúva que completaria nessa estação 16 km. da estação inicial.

Animado por essa experiência, tomei o trenzinho, mas agora com destino ao Horto Florestal, era um final de semana, e os vagões estavam lotados de excursionistas que, como eu, iam perto do paraíso quase possível na terra, o sopé da serra. Lá estava o Horto Florestal. Uma imensa área de recreação, muito verde, lagos, pedras, e o principal, aquela tranquilidade repousante. Nesse trajeto fiquei conhecendo alguns bairros, como: Chora Menino, Santa Terezinha, Mandaquí, Tremembé, e por fim o Horto Florestal. O traçado desse ramal era mais íngreme, e havia passagens estreitas, verdadeiras gargantas, para logo em seguida dar para paisagens deslumbrantes. 

São Paulo minha cidade – Turan Bei - 31/7/2006

Quem diria! Guarulhos já teve um trem que boa parte da população reclama. Enquanto espera pela linha da CPTM prometida pelo governador Alckmin, e pelo Expresso Aeroporto do governo federal, vê-se as voltas com um projeto de linha exclusiva para ônibus entre a cidade e a capital, nos planos do próprio prefeito. Agora, com a reorganização da Região Metropolitana de São Paulo, apenas três das maiores cidades não têm trilhos: Guarulhos, São Bernardo do Campo e Diadema. Pior de tudo: apenas um anel ferroviário, passando exatamente por essas três cidades, poderia criar a verdadeira integração do transporte coletivo sobre trilhos entre todas as demais.

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