terça-feira, 12 de abril de 2011

A novela do trem metropolitano de Belo Horizonte (MG)

Belo Horizonte (MG)

Outubro de 1967. Jornais belo-horizontinos resumem em manchete o sonho do prefeito Sousa Lima: um metrô que varasse a cidade de ponta a ponta em poucos minutos.

Fevereiro de 2011. A gestão é outra, a cidade se multiplicou e o sonho do prefeito se tornou um apelo da população. Eleito em 2008, Marcio Lacerda (PSB) continua de pires na mão, à espera de verba. A cada “agora vai” cresce a expectativa por pontes, túneis e estações para mitigar o sacrifício do trabalhador. Em vez disso, os últimos presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e, especialmente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – que quase nada fez pelo trem da capital –, construíram uma verdadeira peça de ficção política.

Para colocar o metrô nos trilhos, Sousa Lima, como registram jornais da época, reservou boa parte do orçamento da prefeitura de 1968 e negociou verbas pessoalmente com bancos internacionais. Mas o prefeito ficou apenas na vontade: as obras do trem da capital só tiveram início em 1981, na gestão de Maurício Campos. As primeiras promessas não cumpridas datam também dessa época. O ministro Eliseu Resende, representando o presidente João Figueiredo, anunciou que, até 1983, o trem estaria funcionando e ligaria o Horto, na Região Leste, a Betim, na Grande BH. Longe disso, o início das operações foi apenas em 1986, e a Linha 1 (Eldorado-Vilarinho) só foi concluída em 2002.

Desde a década de 1980, quando o projeto de transporte de massa começou a sair do papel, foram tantas as declarações que, se promessa é mesmo dívida, o débito da classe política chegaria à estratosfera. Entre 1981 e 2002, os belo-horizontinos assistiram a uma lenta inauguração de estações. Em 1991, depois de o então presidente Fernando Collor se comprometer a concluir as obras do metrô até 1993, o então prefeito de BH Eduardo Azeredo (PSDB) declarou à imprensa: “Só espero que tudo ocorra nos prazos previstos”. Ficou esperando. As obras passaram pelo governo do mineiro Itamar Franco (PPS) e entraram na gestão de Fernando Henrique.

Na base de muito suor e cobrança, Fernando Henrique deixou o governo com a Linha 1 quase pronta, mas a cidade já era outra e as necessidades também. Com atraso, iniciava-se uma segunda fase da novela do metrô da capital: a implantação das linhas 2 (Barreiro-Santa Tereza) e 3 (Pampulha-Savassi). Lula fora eleito e já em 2003, primeiro ano de governo, prometeu algo que nunca cumpriria. “O metrô de BH será prioridade do governo federal”, disse em agosto, durante visita a Poços de Caldas, no Sul de Minas.

Desde o início de suas obras, o trem da capital nunca havia andando tão devagar como no governo Lula. Entre 2003 e 2004, nenhuma expansão saiu do papel. As maiores expectativas foram as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), frustradas no ano passado com o anúncio de investimentos em outras obras. O mesmo programa é novamente a luz no fim do túnel. Até 4 de abril, as prefeituras apresentarão projetos para o PAC da Mobilidade. A nova promessa já está registrada: “Dessa vez, é diferente: a presidente Dilma Rousseff (PT) se comprometeu com o metrô de BH”, afirma Lacerda.

Estado de Minas - Amanda Almeida - 27/02/2011

A rigor o metrô de Belo Horizonte não é um metrô (subterrâneo), mas um trem metropolitano, o que não diminui em nada seu valor. Gente: metrô de superfície é trem. De qualquer forma, boa sorte ao belo-horizontinos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Meu caro, ao contrário do que tu pensas, o Metrô deriva de metropolitano, podendo ser subterrâneo, superfície ou elevado. Notar também que metropolitano tem origem em metrópole, isto é o transporte tem que passar pela cidade central.
Os ingleses chamam o teu metrô de "TUB", ou tubo, já os americanos o chamam de "SUB", de "sub-surface", sus-superfície. Desta forma tanto o teu metrô como a CPTM são transportes sobre trilhos metropolitanos.

Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana - São Paulo TREM Jeito - disse...

Tecnicamente sim, mas politicamente não. Todos são trens. Sendo uma versão mais moderna do trem, o termo metrô ganhou um significado especial, e essa "imagem" tem sido fartamente empregada para confundir as pessoas. Todo transporte nas metrópoles é metropolitano. Notará, entretanto, que o termo tem sido empregado (metrô) até mesmo onde não há metrópole. Nessa medida, seu uso tornou-se político.

Anônimo disse...

Um Metrô não se define por andar embaixo do chão, nem só por ter "alta capacidade", embora sua "capacidade" esteja diretamente ligada a várias de suas características principais — como a linha exclusiva, dupla em toda extensão, em geral sem ligações de uma linha para outra ao lado, de modo que os trens possam circular com intervalos cada vez menores, sem risco de colisão — ao contrário da maioria dos trens de subúrbio tradicionais, que compartilhavam linhas com outros trens (de carga ou de passageiros de longa e média distância), em meio a inúmeras chaves de mudança de via, que exigem coordenação perfeita entre vários setores da empresa ferroviária para que não haja um desastre após outro. Fonte: http://vfco.brazilia.jor.br/TU/Cariri/TremMetroVLTouTRAM.shtml
Dessa forma, entendo que o metropolitano de BH possa sim ser considerado metrô, já que as características citadas acima identificam bem o trem da capital mineira.

Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana - São Paulo TREM Jeito disse...

Boa tarde, Anônimo. O compartilhamento de via dos trens metropolitanos com os trens de carga ou de passageiros de média ou longa distância, não é uma característica do modal, mas um erro histórico. Hoje isso tem se tornado crítico onde a prática permanece. No caso de São Paulo, estamos falando de ferrovias antigas, que herdam problemas de traçado e de práticas como essas. Seja como for, o metrô continua sendo um trem. Gratos pela participação.