sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nova tecnologia do metro de São Paulo com problemas

Desde março, os trens que circulam entre as estações Vila Prudente (zona leste) e Sacomã (zona sul) da linha 2-verde do metrô de São Paulo, inauguradas em 2010, andam mais devagar devido a uma falha no novo sistema de controle da circulação de composições que está sendo testado no ramal.

Com isso, o tempo de viagem gasto no percurso de 2,9 km - o equivalente a apenas 20% dos 14,7 km da linha - pode alcançar até oito minutos, quase um terço dos 30 que o trem costuma levar para chegar à Vila Madalena, última estação da linha na zona oeste.
A previsão é que a situação volte ao normal apenas no final de maio.

NOVO SISTEMA

A lentidão acontece porque o chamado CBTC (sigla em inglês para controle de trens baseado em comunicações) apresentou um defeito por volta das 6h do dia 24 do mês passado, levando o Metrô a reduzir o seu desempenho, por prevenção.

Técnicos da empresa ouvidos pela reportagem e que preferem se manter anônimos disseram que, naquele momento, o programa não identificou uma composição à frente de outra na saída do pátio de manobras Tamanduateí, no sentido Sacomã.

Segundo eles, o condutor do trem que vinha atrás teve de freá-lo manualmente para evitar um acidente.

SOBRECARGA

De acordo com um funcionário, desde o registro dessa falha os condutores estão sobrecarregados, já que precisam operar os trens no semiautomático.

Nesse modo de operação, diz o Metrô, são os próprios metroviários que têm de guiar as composições.

Como consequência, a velocidade média na linha 2 -28 km/h - está abaixo do normal, que é de 34 km/h. A passageira Carina Corrêa, 25 anos, diz que é obrigada a sair mais cedo de casa. "As plataformas ficam cheias."

AMPLIAÇÃO

O CBTC deve ser instalado no resto da linha 2-verde até o final do ano, segundo informou o Metrô. A previsão da empresa é levar o sistema para as linhas 1-azul e 3-vermelha a partir de 2012.

A principal vantagem do sistema, segundo a companhia, é que ele permite que as linhas operem com uma capacidade maior, diminuindo o intervalo entre os trens e contribuindo para diminuir a superlotação.

A contratação do sistema de sinalização, telecomunicação e sistemas auxiliares para as três linhas custou R$ 712 milhões, financiados pelo Banco Mundial.

Entre as vantagens do sistema, está o fato de que ele evita que o trem ultrapasse a velocidade permitida.

O novo sistema também permite a operação automática, capaz de realizar a movimentação do trem independente do operador.

Folha de São Paulo – 28/04/2011

R$ 712 milhões, e apresentando problemas desde março? Puxa!

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