sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mais uma vez metrô é apontado como solução para os males de São Paulo

O metrô é considerado o mais eficiente meio de transporte urbano por não dividir espaço na superfície com outros veículos. Em São Paulo, metrópole que em março ultrapassou 7 milhões de veículos, o metrô chegou tarde, foi entregue somente em 1974, quando entrou em operação o trecho de sete quilômetros, com sete estações, entre o Jabaquara e a Vila Mariana, e desde então cresceu. Pouco.

Atualmente com 61 estações distribuídas em cinco linhas que somam 70,9 quilômetros de extensão, o Metrô de São Paulo não se desenvolveu o suficiente para atender às necessidades da metrópole. Preto no branco, o metrô da capital expandiu-se, em média, apenas 1,6 quilômetro por ano nos últimos 36 anos.

Durante seminário sobre mobilidade urbana realizado em março último na capital, o arquiteto Marcos Kiyoto, especialista em transportes de alta capacidade, afirmou que o ritmo lento de crescimento do metrô paulistano deixa muito a desejar em relação ao sistema de outras metrópoles, como é o caso da Cidade do México, com 200 quilômetros de rede.

Outro problema apontado durante o seminário foi a pouca integração das linhas entre si. De acordo com Kiyoto, o mais importante não é esticar as linhas, mas, sim, criar mais intersecções entre as já existentes para que seja criada, de fato, uma malha metroviária.
Já o arquiteto Fábio Pontes informou que o número de habitantes por quilômetro de linha de metrô em São Paulo está entre os mais altos do mundo: 315. Londres, no Reino Unido, tem apenas 19 habitantes para cada quilômetro do Tube, o metrô de lá, o que significa trens mais presentes e menos cheios.

Até mesmo cidades menores do que São Paulo possuem sistemas bem melhores. É o caso de Barcelona, na Espanha, que oferece aos seus cerca de dois milhões de habitantes 148 estações de metrô - número duas vezes e meia maior de estações que o da capital paulista para um contingente populacional cinco vezes menor.

As 61 estações do metrô de São Paulo recebem todos os dias cerca de 3,3 milhões de passageiros. As 126 estações do metrô de Barcelona recebem diariamente cerca de 1 milhão de usuários. Talvez esteja aí a explicação para a falta de ânimo do motorista paulistano em deixar o carro na garagem e procurar a estação de metrô mais próxima.

Parceria com o setor privado

No começo desta semana, o diretor de operação do metrô, Mário Fioratti, admitiu em entrevista para a BandNews FM que o metrô está no limite técnico de quantidade de trens. Segundo ele, não há como colocar mais trens em circulação porque o sistema de sinalização que controla a movimentação do trem não pode ser redimensionado.

O Governo de São Paulo, responsável pela gestão do metrô paulistano, reconhece as deficiências do sistema. Na inauguração da estação Butantã, no último dia 28 de março, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reconheceu que a rede deveria ter pelo menos o dobro do atual tamanho.

Umas das soluções sinalizadas pelo governador são as parcerias público-privadas (PPPs) - como já acontece com a Linha Amarela da rede, administrada pela ViaQuatro, empresa do grupo CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias). Segundo Alckmin, as propostas de parceria devem começar a chegar já nos próximos dias.

UOL Notícias - Fernando Mendonça - 08/04/2011

Meias verdades e uma solução mentirosa. O metrô de São Paulo, como em muitas outras metrópoles do mundo, tem dificuldades para atender a demanda nos horários de “pico”. Não adianta, portanto, fazer novas linhas, exceto se nos mesmos trajetos, o que seria uma verdadeira loucura. Uma das soluções possíveis seria a construção de um ferroanel urbano, pois evitaria que todo mundo utilizasse as mesmas linhas no mesmo horário, pulverizando os destinos por uma rede de transportes sobre trilhos (Metrô, CPTM, VLTs e Monotrilhos).

Metrô é solução para que a superfície fique exatamente como está – repleta de carros e de ônibus. Corredores (segregados) de VLTs ajudariam e muito a questão do transporte e trânsito na cidade de São Paulo, que não pode ser em nada comparada com Barcelona, Bogotá ou qualquer outro lugar que os “especialistas” queiram tomar como modelo. VLTs fariam capilaridade com o metrô e com os trens da CPTM, e tudo sobre trilhos, com emprego de energia limpa, resolvendo, inclusive, a questão da qualidade do ar.

Alckmin insiste nas PPPs (Parceiras Público Privadas). A CCR vai construir novas linhas de metrô com dinheiro próprio? Não, como também não o faz com as rodovias. Vai fazer o que já sabemos: explorar o que é construído com dinheiro público – ferrovias e rodovias. Vai apenas operar, de forma privada, a propriedade pública, hoje bem administrada pelos metroviários e ferroviários do Metrô e da CPTM. Transporte coletivo, ainda mais sobre trilhos, necessariamente tem caráter monopolista, o que é motivo suficiente para que fiquemos todos muito preocupados com as tais PPPs. A propósito: a tarifa do metrô privatizado do Rio de Janeiro é de R$ 3,10. O governo do Rio está em briga com o metrô privatizado.

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