sábado, 16 de abril de 2011

Executivo italiano não vê viabilidade do TAV sem sociedade com governo

Para evitar o fracasso do projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando Rio, São Paulo e Campinas, o governo teria de entrar como sócio no projeto, disse ao Estado o vice-presidente comercial da italiana Finmeccanica - um dos grupos interessados no empreendimento -, Paolo Pozzessere. Segundo o executivo, mesmo que o custo estimado de R$ 33 bilhões esteja correto, as empresas não estão dispostas a injetar todo esse volume de recursos no empreendimento.
"Ou o governo muda a sua política ou terá de abortar o projeto. Precisamos do compromisso do governo em algum porcentual, porque nós e outras empresas não podemos fazer um investimento tão alto", declarou o executivo, que não quis estimar qual seria o tamanho mínimo da fatia que o Estado deveria arcar.
Uma fonte que acompanha de perto as negociações afirmou, no entanto, que alguns grupos sugerem que o governo precisaria entrar com, pelo menos, metade do custo do empreendimento para torná-lo viável.
Não basta. Para Pozzessere, o financiamento de R$ 20 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), autorizado anteontem pelo Senado, não basta para garantir a execução do TAV.
"O governo tem de investir uma parte do dinheiro diretamente. Financiamento nós poderíamos conseguir em outros bancos pelo mundo", declarou, acrescentando, porém, que o modelo de financiamento do BNDES foi bem estruturado.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirma que a mudança não está nos planos do governo. "Não existe essa possibilidade", disse, taxativo, o diretor-geral da agência, Bernardo Figueiredo. Ele disse, porém, que não recebeu esse pleito dos investidores.
Na semana passada, o leilão do TAV foi adiado pela segunda vez, depois que empresas interessadas pediram alterações nas regras. Na ocasião, o governo deixou claro, porém, que apenas aceitaria fazer ajustes pontuais no edital.
Segundo Bernardo, um dos pedidos que serão atendidos é a concessão de maior autonomia às empresas na escolha do parceiro nacional para o qual será transferida tecnologia. O governo acena ainda com a possibilidade de rever o ritmo de introdução do conteúdo nacional nas obras.
Tanto os adiamentos como as dúvidas sobre o real custo do empreendimento têm gerado descrença em diversos setores. Ontem, o presidente do conselho da companhia aérea Azul, David Neeleman, disse não acreditar que o TAV saia do papel. "Acho que não vai sair. Creio que o custo do projeto é duas vezes mais caro do que as pessoas pensam."
A previsão de Neeleman foi uma resposta a questionamentos sobre os impactos que o TAV teria na demanda da ponte aérea entre Rio e São Paulo durante seminário sobre aviação promovido pela GE. Caso o projeto do trem vá adiante, as empresas aéreas planejam competir com preços agressivos. 
Estadão.com - Glauber Gonçalves - 15 de abril de 2011

Só o governo federal parece acreditar no TAV. O executivo italiano tem o mérito de dizer o que todos sabem, mas só o governo insiste em não ver. Sofrerá menos desgaste abortando o delírio, do que quando a todos nós chegar a conta dessa novela. É óbvio que as empresas aéreas vão competir com preços agressivos, assim como as empresas de ônibus, que, além disso, irão melhorar as frotas. Está na hora de analisar a viabilidade de um trem regional, e que não seria uma escolha a lamentar. O TAV não vai sair por menos de 50 bilhões. Estamos nos assemelhando a um prefeito caipira que compromete o orçamento da cidade na construção de fonte luminosa.

Para piorar: o governo está chegando com a conversa de flexibilizar a fiscalização de obras voltadas para os planos da Copa. O que significa essa tal flexibilização? Que, diante de eventual suspeita de irregularidade, a obra continue andando enquanto a suspeita é investigada. Tudo, é claro, visando apenas respeitar o cronograma. Mas, como diz a senadora Marta Suplicy, temos que pensar grande, que ousar. Vamos que vamos, então. Que tal um ônibus espacial, hein?

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