segunda-feira, 18 de abril de 2011

E o "ligeirão" de Curitiba (PR) está nas ruas

O "ligeirão" - ou "azulão", como vem sendo chamado - é um tipo "gigante" de ônibus biarticulado, símbolo do sistema de transporte público de Curitiba. São três metros a mais que os biarticulados tradicionais.

O superônibus pretende dar uma sobrevida ao sistema de transporte da cidade, que é referência internacional, mas enfrenta alta demanda nos últimos anos e já opera no limite de sua capacidade nas principais linhas.

O "azulão" inaugurado hoje funcionará no esquema "ligeirão", sem paradas em estações intermediárias e com vias exclusivas que permitem ultrapassagem entre diferentes linhas. A ideia é aumentar a velocidade do veículo, permitindo transportar mais passageiros com o mesmo número de ônibus.

Os superônibus também serão sincronizados com os semáforos, que vão permanecer acesos para permitir a passagem dos veículos.

O modelo deve se estender a todos os seis eixos de transporte da cidade no futuro.

CRÍTICAS

Para o urbanista Carlos Hardt, professor do doutorado em Gestão Urbana da PUC-PR, o mega biarticulado "aumenta a vida útil" do sistema de transporte público de Curitiba, unicamente baseado em ônibus, mas não serve para o médio prazo.

"Vamos precisar de novos meios de transporte", afirma. Por outro lado, ele elogia o custo-benefício da solução, já que o metrô exigiria investimentos bem maiores e não seria factível a curto prazo.

Já o engenheiro Valter Fanini, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná acha que o novo ônibus, mesmo que implantado em todos os eixos de transporte, não vai conseguir atender à demanda do sistema.

Para ele, seria necessário, além de implantar o metrô (que já tem estudos concluídos), aumentar a capacidade das estações-tubo, que são muito pequenas e, em sua maioria, só têm uma porta de embarque.

O presidente da Urbs (Urbanização de Curitiba), Marcos Isfer, não descarta a implantação de novos meios de transporte. "Tudo isso é complementar; vai agregando", diz.

Folha.com - Estelita Hass Carazzai - 16/04/2011 

Sem dúvida, a relação custo-benefício dessa nova versão do papafila é adequada quando se olha pelo lado do transporte como um mero condutor de pessoas. É literalmente um trambolho. Curitiba é uma cidade bonita, ainda não invadida pela praga dos automóveis, e longe de estar densamente habitada em sua região central. Tem até mesmo um antigo bonde, em um de seus belos calçadões – ainda que decorativo – como atração aos transeuntes. Tem faixas segregadas e pequenas plataformas de embarque dentro das ruas principais da capital. Pelo nosso olhar ferroviário, tem condições perfeitas para implantar VLTs funcionais, ecologicamente corretos, esteticamente corretos, e migrar para o transporte de pessoas sobre trilhos. Metrô é uma obra cara, e justifica-se em cidades com imensa densidade urbana, que não é o caso de Curitiba, ao menos por enquanto, embora deva certamente ter o seu. 

Trens, metrô e VLTs são veículos sobre trilhos com imensa vocação para a complementaridade. Se, entretanto, tudo isso não for planejado, a coisa se arrasta na base do puxadinho e termina, no futuro, em uma caótica São Paulo, que não é modelo e exemplo para ninguém. Curitiba já foi, em nossa opinião, uma liderança a ser imitada, mas, com a adoção dessa versão pós-moderna do papafila, poderá perder o bonde da própria história.

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