domingo, 17 de abril de 2011

Cetesb não se utiliza de padrões internacionais para classificar qualidade do ar

A poluição do ar em São Paulo pode ser pior do que dizem os números oficiais. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) faz a medição correta, mas não utiliza os padrões internacionais de classificação sobre a qualidade do ar.

A Cetesb considera que o ar é bom quando registra até 150 microgramas de material particulado por metro cúbico. Material particulado é a poluição do ar que pode ser visto. Mas pelas contas da Organização Mundial da Saúde (OMS), essa mesma concentração de poluente é considerada ruim. É com base nos índices da OMS que as autoridades podem tomar providências como suspender aulas no dias mais críticos.

O próprio secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, reconhece que o padrão está desatualizado. “É um padrão antigo, de um momento anterior ao século 21. É mais velho do que eu. A gente precisa logo alterar esses padrões”, diz Covas. Mas essa alteração não vai acontecer imediatamente. O secretário afirma que o Conselho do Meio Ambiente vai primeiro discutir os padrões de poluição, o que começa em maio.

Para medir a poluição que sai dos escapamentos de milhões de veículos, a Cetesb tem 20 estações espalhadas pela capital paulista e região metropolitana. Cada estação mede os gases e o material particulado que existe na atmosfera.

G1 -
14/04/2011

A boa notícia é o secretário afirmar que precisa logo alterar esses padrões. A má notícia é que essa alteração não vai acontecer imediatamente. Na onda abjeta do politicamente correto, fez-se uma verdadeira cruzada contra os fumantes, como se fossem eles os responsáveis pela poluição atmosférica do planeta. Fácil fazê-los de alvo, pois, até mesmo pelos padrões atuais da Cetesb, podem ser vistos. Contribuem, decerto, mas estão longe de tamanha culpa.

Contra os escapamentos de milhões de ônibus, automóveis, caminhões e motos, entretanto, pouco se faz além da chamada inspeção veicular, limitada a ajustar padrões dentro do sabe-se-lá-o-que se considera aceitável. Muita gente saiu por ai patrulhando fumantes, mas poucos são os que patrulham as descargas dos escapamentos, dentre eles os patrulheiros dos fumantes, certamente proprietários de veículos poluentes, ao menos em sua grande maioria.

Contentam-se, portanto, com o controle da poluição, mas ninguém tem coragem de aceitar que é necessário combater a poluição que tem, nos centros urbanos, os veículos a combustão dentre os principais vilões. Além disso, a considerar a poluição sonora. Ao menos nesse quesito os fumantes não poluem. Não se pode, entretanto, falar o mesmo dos veículos.

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