sábado, 30 de abril de 2011

A caótica situação da Estrada M´Boi Mirim (São Paulo - SP)

Valorizar o transporte público é uma das boas soluções para tirar carros das ruas e combater a poluição. Mas na Estrada do M'Boi Mirim, na Zona Sul de São Paulo, o corredor de ônibus não ajuda muito quem tem que madrugar para não perder a hora.

Os ônibus trafegam pelo corredor por uma velocidade de aproximadamente 15 km/h. A Prefeitura diz que tem projetos para melhorar o trânsito na região, como o monotrilho, uma via paralela e a ampliação do Metrô. Os projetos não têm data prevista para sair do papel.

A Estrada do M'Boi Mirim, que em dias normais tem velocidade média de apenas 15 km/h, travou nesta quinta-feira (28).

Um grupo de manifestantes bloqueou os dois sentidos da via. Carros, ônibus e milhares de trabalhadores ficaram parados. A polícia foi chamada e houve confronto.

Seis pessoas foram presas. O protesto foi organizado pelo movimento dos sem-teto, mas os moradores aderiram à manifestação porque sofrem com o problema há muito tempo.

“Eu gasto duas horas e meia para chegar no meu trabalho”, diz a cuidadora Francisca de Lima. “Tudo cheio, cheio. Não anda o trânsito”, diz a dona de casa Cleide do Sacramento.

Neste ano, outro protesto já tinha parado a M'Boi Mirim no começo de março. Depois, as faixas reversíveis foram ampliadas. Mesmo assim, a Prefeitura reconhece que demorará para resolver o problema.

“A solução definitiva para a Zona Sul é um transporte de maior capacidade, como o monotrilho e o Metrô. Hoje, o que podemos fazer são pequenas intervenções. Sabemos que não é uma solução definitiva. O corredor atua muito acima de sua capacidade”, diz o secretário de Transportes, Marcelo Cardinale Branco.

A Estrada do M'Boi Mirim é o principal gargalo do trânsito na Zona Sul: liga bairros populosos ao centro. Quase 300 mil pessoas dependem dessa via superlotada.

Maria dos Anjos utiliza três conduções para chegar até o trabalho, no bairro de Cerqueira César. O problema começa no Terminal Jardim Ângela. Só na M’Boi Mirim, ela fica um hora. Ao todo, são duas horas e meia da porta de casa até o trabalho.

Para ir e voltar, Maria dos Anjos passa cinco horas por dia no transporte público. São 25 horas por semana. Nos 22 anos em que faz o trajeto, ela ficou mais de três anos dentro do ônibus. “Mal a gente vê a nossa família. Então, essa é a nossa vida”, afirma.

Por causa do protesto, Maria dos Anjos demorou quatro horas para chegar ao trabalho nesta quinta-feira (28).

G1 - 28/04/2011

A convite de entidades da região, nosso sindicato estará no próximo dia 10 de maio fazendo uma exposição sobre transporte de pessoas sobre trilhos aos participantes das comunidades no entorno da Estrada M´Boi Mirim. Falaremos sobre trem metropolitano, metrô, monotrilho e VLT, com a finalidade de subsidiar os presentes com informações que possam alimentar o debate e viabilizar soluções. 

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