terça-feira, 22 de maio de 2018

Promotoria denuncia ex-diretor do Metrô de SP por propina de R$ 2,5 mi



Sérgio Brasil é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro.
O promotor Marcelo Mendroni, do Ministério Público de São Paulo, denunciou o ex-diretor do Metrô Sérgio Brasil por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Jorge Yazbek e Eduardo Maghidman, executivos da Camargo Corrêa, afirmaram em delação premiada que Sérgio Brasil recebeu R$ 2,5 milhões em propina para fraudar a licitação da Linha 5-Lilás do Metrô. A acusação atinge ainda o empresário Gilmar Alves Tavares, por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
“Sergio Correa Brasil, então gerente de contratações e compras da Companhia do Metropolitano – Metrô, solicitou e recebeu, para si e para outrem, indiretamente, em razão da sua função, vantagem indevida de R$ 2,5 milhões, em dinheiro, para direcionar o edital e favorecer a empresa CCCC no Lote 3 da licitação, em práticas de crimes de formação de cartel e fraude à licitação”, acusa o Ministério Público de São Paulo.
Documento
Segundo o executivo Jorge Arnaldo Curi Yazbek, um dos delatores da Camargo Corrêa (CCCC), Sérgio Brasil o procurou em 2011. Naquele ano, o executivo do Metrô ocupava o cargo de gerente de contratações e compras, responsável pelos contratos envolvendo a construção daquela Linha 5.
A denúncia aponta que Sérgio Brasil cobrou ‘vantagens indevidas em razão do contrato assinado’ para a obra.
“Trata-se de receber propina da empresa CCCC, tanto pelo direcionamento do edital e facilitação na divisão das empresas em rodízio cartelizado, como também para não gerar qualquer empecilho à empresa durante a execução do contrato”, indica a acusação.
“Sergio Correa Brasil desejava receber os valores da propina em dinheiro, espécie. Mas a empresa CCCC lhe relatou da sua impossibilidade contábil para gerar os recursos nestas condições.”
De acordo com o documento, ‘para viabilizar o pagamento da vantagem indevida a Sergio Correia Brasil, ficou estabelecido que haveria um contrato ou mais contratos de prestações de serviços simulados – com pagamentos sem efetiva contrapartida de prestação de serviços, entre a CCCC e a empresa indicada por ele – Sergio Correa Brasil, denominada AVBS – Consultoria e Representações Ltda’, em Barueri.
“Jorge Yazbek, então, passou a manter contatos com o sócio da AVBS, Gilmar Alves Tavares. Eles se reuniram em 22 de fevereiro de 2011 na sede da CCCC e combinaram que trocariam e-mails de forma a simular a sua negociação, a fim de atribuir credibilidade ao contrato para mascarar a fraude”, relata o promotor.
O Ministério Público de São Paulo afirma que foram firmados dois contratos simulados entre a Camargo Corrêa e a AVBS, pelos quais foram pagos R$ 2,5 milhões. 

“A AVBS não prestou qualquer serviço à CCCC, mas Jorge Yazbek disponibilizara a Gilmar Tavares um arquivo eletrônico contendo relatório preparado pela própria CCCC que, de fato, tinha realizado os estudos de viabilidade do Trevo de Jundiaí. Este documento foi parcialmente editado e entregue pela própria CCCC à AVBS, já com o timbre da AVBS para viabilizar uma possível justificativa em caso de eventual questionamento, se as evidências viessem ao conhecimento das Autoridades Públicas 

Investigadoras”, narra o promot“Depois de receber os valores do contrato simulado, a AVBS pôde fazer saques de valores expressivos em dinheiro para serem entregues a Sergio Correa Brasil.”
COM A PALAVRA, O METRÔ DE SÃO PAULO
“O Governo do Estado de São Paulo e o Metrô são vítimas dos crimes investigados pelo Ministério Público. Por isso, colaboram com o processo analisando as cláusulas da proposta de delação em suas condições jurídicas, financeiras e técnicas, para que sua homologação garanta a proteção do interesse público.
A Procuradoria Geral do Estado investiga o caso e irá solicitar ressarcimento aos cofres públicos frente comprovação das irregularidades.
O Metrô é o maior interessado na apuração das denúncias de formação de cartel ou de conduta irregular de agentes públicos e, assim, continua à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Cabe salientar ainda que Sérgio Corrêa Brasil não é mais funcionário da Companhia desde dezembro de 2016.”
O Estado de São Paulo 11/05/2018


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Pelissioni rebate promotor e diz que suspender compra de trens da Linha 5 traria prejuízos ao governo de SP


Em entrevista ao site, secretário dos Transportes Metropolitanos explica porque optou por manter o contrato com a CAF e critica as informações imprecisas que constam da ação que corre na Justiça de SP.

Nomeado para a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos em dezembro de 2014, Clodoaldo Pelissioni é um dos poucos nomes do secretariado do ex-governador Geraldo Alckmin a permanecer no cargo após a posse de Márcio França (PSB) em abril. Quando assumiu a pasta, a gestão do PSDB tinha nada menos do que oito linhas de metrô e trem metropolitano (CPTM) sendo tocadas ao mesmo tempo, mas com enormes atrasos.

Vindo de outros cargos no estado como na empresa CDHU (de desenvolvimento habitacional e urbano) e também do DER (responsável pelas rodovias), Pelissioni decidiu focar nos projetos mais adiantados e em tirar do papel dezenas de quilômetros de trilhos a fim de realizar a maior ampliação do gênero no país. Na prática algumas linhas avançaram enquanto outros projetos acabaram atrasando ou sendo suspensos como é o caso da Linha 6-Laranja (em processo de caducidade por abandono do consórcio). O saldo, no entanto, será positivo, com o Metrô de São Paulo ultrapassando os 100 km de extensão e a CPTM tendo inaugurado sua primeira linha moderna.

Apesar disso, o secretário acabou entrando de carona na ação de improbidade administrativa movida pelo promotor Marcelo Milani que acusa governo de irresponsabilidade ao manter a compra de 26 trens realizada em 2011 e que ficaram parados nos pátios durante anos por conta do atraso nas obras da Linha 5-Lilás. Embora Pelissioni não tenha participado das decisões, o promotor o incluiu, assim como o atual presidente do Metrô Paulo Menezes e outros dois ex-presidentes que também não estavam no cargo na época da assinatura.

Para explicar o caso e também falar sobre as realizações e os projetos da secretaria, Clodoaldo Pelissioni recebeu o site Metrô CPTM na sexta-feira (11) para uma entrevista. Nesta primeira parte, abordamos a resposta do secretário ao processo dos trens da chamada Frota P.

O promotor Marcelo Milani diz na ação impetrada no Tribunal de Justiça do estado que a compra dos trens da Frota P não deveria ter sido feita por conta do atraso das obras. Por que o Metrô e a Secretaria dos Transportes Metropolitanos mantiveram a encomenda?

Primeiro é importante contextualizar. A Linha 5 ficou entre 2010 e 2011 em torno de um ano para ser iniciada (nota da redação: suspensa por suspeitas de conluio entre as construtoras) e depois as obras tiveram alguns imprevistos. Obra de metrô, subterrânea leva seis anos em qualquer lugar do mundo. Aqui vamos terminá-la em torno de sete anos. É bem razoável.

A licitação das obras foi dividida em oito lotes e houve ainda a licitação dos trens em separado. Não só os trens, mas também o CBTC, sistemas auxiliares (ventilação, elevadores, escadas rolantes etc.), subestação de energia. São contratos separados que o Metrô tem que integrar tudo isso dentro de um cronograma e planejar quando vai ser possível utilizar.

Quem ganhou a licitação dos trens foi a CAF (da Espanha mas com fábrica no Brasil) por um bom preço (R$ 615 milhões aproximadamente por 26 composições). A licitação foi, se não me engano, feita entre 2010 e 2011 quando o contrato foi assinado. Por volta de 2012, 2013 se imaginou que as obras do pátio não estariam concluídas para receber a totalidade dos trens, portanto a CAF, o Metrô e a STM entraram num acordo. Seria muito ruim parar a fabricação porque, ao contrário do que diz o promotor, suspender o contrato geraria despesas ao erário. Por exemplo, em outro contrato de trem que eu tenho com a CPTM estou multando as empresas. Vai dar quase 10% de multa, quase no limite. O estado vai deixar de gastar 100 milhões em cada contrato. Agora se eu atrasar também (o contrato da Linha 5), sou obrigado a pagar multa. Além disso, se eu parar o contrato, provavelmente na hora de retomar eu teria que pagar valores de reequilíbrio. Com a fábrica paralisada, para ser retomada tem que ter a remobilização. Você havia mandado os funcionários embora e depois vai ter que recontratar.

E a alegação de que houve vandalismo?

Trem não é tão simples, não tenho na prateleira, não é como carro que tem produção em massa. Você faz um projeto, uma licitação, começa pagando no projeto uma parte e depois você tem o Termo de Liberação da Indústria (TLI), que é quando você retira o trem da indústria. Ele então é testado e ganha o Termo de Recebimento Provisório (TRP). Depois disso você testa ele com pesos, igual foi feito da L13 com sacos de areia. No final, você termina de pagar o trem na hora quando estiver tudo ok.

Quando eu entrei aqui os trens estavam espalhados pelos pátios da empresa. Como todos os trens não iam caber nos nossos pátios, foi feito um aditivo ao contrato que quando o trem tiver pronto e tiver condições de ser inspecionado, daríamos a TLI mas eles ficariam guardados na fábrica para quando pudéssemos testá-los. Foi então que ocorreu a denúncia, que tinha trens sendo vandalizados no Metrô e na própria fábrica. Eu lembro que existiam dois trens com pequenas pichações que é um problema que ocorre em qualquer lugar.

Mas parte dos trens poderia ter entrado em operação se o sistema CBTC tivesse sido implantado no prazo…

Lembrando que no trecho antigo, o sistema era o ATC, portanto precisaria ser colocado CBTC que é mais moderno, confiável e que pode permitir o sistema driverless (sem operador) como na Linha 4. Nós brigamos com a Bombardier que atrasou a entrega e hoje nós temos R$ 48 milhões de multa por isso. Eu mesmo e um diretor do Metrô fomos até Pittsburgh (EUA), onde fica a Bombardier para brigar para resolver o problema e no começo de 2017 conseguimos colocar o sistema para funcionar. Com isso, possibilitamos que os trens novos pudessem entrar em operação.

Depois conseguimos concluir cinco estações que estão em operação. Já tinha Adolfo Pinheiro, entregue em 2014. Em setembro de 2017 entregamos Borba Gato, Alto da Boa Vista e Brooklin e em 2018, Moema e Eucaliptos. Com isso e com o pátio avançando, hoje nós temos espaço para os trens ficarem nos pátios.  E hoje todos os 26 trens já estão em operação. Só não estão operando todos ao mesmo tempo porque ainda não há necessidade, mas quando as cinco estações que faltam forem entregues colocamos toda a frota para rodar.

E a história da bitola diferente nos trens novos?

A bitola foi o negócio mais assombroso que surgiu nesse episódio. Foi dito que o trem da Linha 5 não vai servir para as linhas 1, 2 e 3. É verdade. Mas nós compramos os trens para servir em outras linhas? Não, apenas para a linha 5. Nas linhas 1, 2 e 3 a bitola é mais larga, a antiga de 1,6 m. A linha 5 é de 1,435 m que por sinal é igual a da linha 4, a chamada bitola universal. O trecho Capão Redondo – Largo 13 já havia sido feito com bitola universal lá em 2002. Portanto foi estendido o trecho usando bitola universal.

A Linha 13 foi feita em bitola de 1,60 m porque toda a malha da CPTM é assim. Por exemplo, isso possibilita o serviço expresso e o serviço Connect, que no começo de junho vai inaugurar. Portanto não preciso parar o trem em Eng. Goulart e trocar de composição. Pode seguir direto até Brás ou Luz.

Agora na Linha 5 não vou precisar trocar trem com a 1, 2 e 3. A sinalização das linhas é diferente. Apenas recentemente conseguimos implantar o CBTC na Linha 2 e há um cronograma para a Linha 1 e 3 nos próximos anos.

Afinal, a entrega dos trens gerou algum prejuízo para o governo?

Não. O equívoco da ação é tamanho porque, veja só, qual é o tamanho do prejuízo ao erário? Quanto eu paguei a mais por manutenção dos trens? Quanto pagamos a mais pelos danos que os trens podem ter tido? Nada, zero. Tivemos que pagar alguma multa, algum valor a mais para a empresa? Zero.

Eu acumulei a presidência do Metrô por seis meses (março a setembro de 2015). O então presidente da empresa pediu demissão e a gente estava montando a diretoria, o governo acabou sugerindo que eu assumisse e eu acabei topando. Não é uma coisa que se deve fazer e a nova lei já proíbe isso hoje. Mas eu acabei topando na época, nós entrevistamos algumas pessoas que não quiseram assumir.

Então qual foi a “omissão” que eu e o presidente atual do Metrô tivemos? Colocar as coisas para funcionar, brigar para levantar os atrasos. Tivemos é verdade o atraso da Bombardier (CBTC), R$ 48 milhões de multas. São três anos de atraso do trecho existente e no trecho novo um pouco de atraso, além das portas de plataforma, muito atrasadas.

Eu só não rescindi o contrato da Bombardier porque eu tenho que fazê-los terminarem o sistema, não posso ficar sem ele. Agora no caso das portas de plataforma, talvez a gente tenha que ir por esse caminho (rescisão) mas é uma decisão posterior. Agora o importante é garantir que as 17 estações da Linha 5 tenham o sistema CBTC funcionando na plenitude.

O absurdo dessa ação toda é provar qual o prejuízo que nós causamos ao erário. O trem está vandalizado? É só ir na linha ver os trens. Eu enviei um convite para o promotor e o repórter para irem na linha, no pátio verem os trens funcionando, mas não quiseram.

Apesar disso, a ação acabou aceita e repercutida na grande imprensa…

Para tirar essa dúvida basta ir lá em Moema, pegar o trem e ir até Capão Redondo e constatar que é a mesma bitola. Além de defender as medidas tomadas pelos nossos antecessores eu pergunto por que eu estou colocado nessa ação? Por omissão? Mas qual a omissão que a gente cometeu? Não está escrito em nenhum lugar que eu sou obrigado a rescindir um contrato. Vou devolver os trens? Eu tinha 21 trens prontos (quando assumiu em 2015) e qual foi minha missão? Vou trabalhar forte, fazer novas licitações se precisar, agir com o fornecedor para concluir a linha.

A gente deve ter mais quatro estações entregues logo mais, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin (antes prometidas para o início de junho) e no final do ano Campo Belo. A concessão vai pegar a linha depois de pagar R$ 553 milhões de outorga e é isso que nós fizemos, trabalhar. A dificuldade é que a imprensa não dá espaço. Eu dei três entrevistas em rádio explicando o assunto, mas ninguém ouviu.

O promotor alega que seus antecessores assinaram a ordem de fabricação mesmo com a obra paralisada…

Fabricar um trem é complexo. Parte dos componentes vem de fora, ou seja, o Brasil não tem autossuficiência em matéria de trens. Um trem hoje consegue no máximo ser 50% nacional, de valor pode chegar a 60% mas de peso é metade. Então não dá para falar “ah, quero o trem aqui, me entrega logo”.

A obra foi retomada, o contrato de trem foi feito. Agora a obra teve imprevistos, mas sempre avançou. Em 2015, por exemplo, os ‘shieldinhos’ (tuneladoras singelas usadas entre Santo Amaro e a avenida Bandeirantes) estavam escavando na Santo Amaro e interditaram duas vezes a avenida, um condomínio e uma vez encontraram uma fossa ilegal que encheu um bar. Acontece, é obra subterrânea. Houve imprevisto sim e é normal que haja.

Meus antecessores tomaram essas providências da melhor maneira para não causar prejuízo ao erário. Para chegar na hora de inaugurar as estações ter os trens prontos para funcionar, como temos hoje. Vou inaugurar mais quatro estações e os trens estão lá para andar. Todas testadas, as 26 composições.

O problema é que os promotores querem entender de tudo, nem eu entendo tudo de trem. Depois de três anos e três meses, agora entendo um pouco, a gente vai aprendendo com o pessoal. Outra coisa: não precisa ter a linha pronta para começar os testes. Eles começam no pátio.

Mas o promotor não quis marcar uma reunião para entender o lado do governo?

Nunca. O juiz, infelizmente, talvez não tenha entendido direito o que ocorre. Tudo isso depõe contra o setor. Afinal, houve um algum prejuízo? A contratação dos trens foi cara? Não, foi barata. E se tivesse parado e a empresa não quisesse retomar a fabricação? A empresa poderia dizer o seguinte: “nesse preço eu não quero mais”. Ia ter de fazer uma licitação nova. E o pior: teria linha pronta e não teria trens para funcionar.

Todos os argumentos que ele falou, que tinha que ter parado é justamente o contrário. Se tivesse feito daquele jeito aí sim teria prejuízo ao erário. Agora não tem.

E qual é o posicionamento do governo em relação ao processo?

Estamos tentando um agravo junto ao TJ (Tribunal de Justiça do estado) explicando que o ato de improbidade administrativa pressupõe que você tenha que ter assinado alguma coisa. Senão amanhã troca o presidente do Metrô e ele já assume como réu na ação. Eu, o atual presidente (Paulo Menezes) e mais dois outros ex-presidentes do Metrô não assinamos nada.

Já a omissão é outro problema, ela pode ser caracterizada como outro crime público, outra punição do direito administrativo, mas não é o mesmo que improbidade. Agora, eu me omiti em que? A omissão é o seguinte, “você deveria ter feito alguma coisa”. É líquido e certo que eu deveria ter parado o contrato? Na minha opinião é o contrário. Eu devia ter feito o que eu fiz. “Ah, era melhor você ter a linha pronta”, sim claro que era. Mas está aí, temos cinco novas estações funcionando, o CBTC funcionando, os trens estão testados, não foi pago nada a mais, está tudo aí.

O promotor disse recentemente que a “linha leva nada a lugar nenhum”…

Quando colocou a (estação) Eucaliptos em operação comercial a Linha 5 aumentou em 50 mil usuários (diários). Então…

Metrô CPTM – 15/05/2018

Comentário do SINFERP

Bem, notícia de imprensa chapa-branca, mega chapa-branca, mas fica o registro. Entrevista nada: enquete.  Mandam as perguntas e o "entrevistado" tem o temjpo que quiser para responder, inclusive com ajuda de assessores, etc. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Juiz suspende reajuste das tarifas de trens em Minas Gerais

O juiz Mauro Pena Rocha, da 4 Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, suspendeu o reajuste de quase 90% nas tarifas de trens da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) previsto para começar a vigorar na capital mineira. A decisão é liminar e atende a uma ação popular impetrada pelo deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) e apoiada por parte da bancada mineira.
Por decisão do conselho da CBTU, as tarifas passariam de R$ 1,80 para R$ 3,40 a partir da meia noite desta sexta-feira, mas agora fica congelada até uma decisão colegiada do TJ. A ação alega que houve ilegalidade no ato que definiu o reajuste da tarifa porque a “legislação de regência não autoriza o somatório de inflações reprimidas e o consequente repasse ao consumidor”. “Não podemos reajustar de uma só vez estas tarifas”, disse o deputado Lincoln Portela (PR-MG).
A decisão só vale para as tarifas operadas pela CBTU em MInas Gerais. As passagens em Maceió, João Pessoa, Natal e Recife serão reajustadas como quer o conselho da estatal. O governo federal vai recorrer da decisão do juiz mineiro.
O Estado de São Paulo – 11/05/2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Vítima de assédio sexual em trem de SP deve ser indenizada em R$ 20 mil


Em decisão inédita, STJ responsabilizou transportadora por repetidos episódios de assédio sexual

Em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) responsabilizou a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) – responsável pela gestão dos trens da capital paulista e da região metropolitana – pelo assédio sexual sofrido por uma passageira dentro de um dos vagões do transporte coletivo. A agressão ocorreu em 2014, quando a vítima embarcou na estação Guaianazes, pertencente à linha 11.

A CPTM terá que indenizar a mulher em R$ 20 mil. Ela foi importunada por um homem que esfregou o pênis em suas nádegas enquanto ela tentava se locomover. Ao se queixar com o agressor, a vítima foi hostilizada pelos demais passageiros do trem, que a chamaram de “sapatão”. O assediador era um menor de 16 anos, que chegou a ser detido pela equipe da CPTM.

Ao pedir a compensação, a mulher afirmou que desde o episódio está traumatizada e sofre ao entrar em qualquer transporte público. Ela recorreu ao STJ depois de ter o pedido negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

A decisão da 3ª Turma do STJ representa uma guinada na jurisprudência do tribunal. Há anos a Corte vem decidindo que o transportador não responde pelos danos sofridos pelos passageiros seja em virtude do arremesso de pedras contra o ônibus, ou em razão de assalto a mão armada no interior do coletivo, por exemplo.

Mas no caso do assédio sexual, a maioria dos ministros entendeu que o dano – mesmo praticado por terceiro – tem conexão com as atividades prestadas pela transportadora, que deveria zelar para que seus passageiros fossem levados de maneira incólume até o local de destino.

“O ciclo histórico que estamos presenciando exige um passo firme e corajoso. É papel do julgador, sempre com olhar cuidadoso, tratar do abalo psíquico ocorrido em decorrência da prestação de transporte. Não pode o ministro assumir uma postura comodista, e deve questionar a jurisprudência”, afirmou a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi.

Para ela, é “inegável que a vítima do assédio sexual sofre um evidente abalo em sua incolumidade físico-psíquica, cujos danos devem ser reparados pela prestadora de serviços de transporte de passageiros”.

Em longo voto, a ministra apontou a necessidade de as concessionárias de transporte tomarem medidas de proteção às passageiras – que são constantemente alvo de agressões sexuais – para evitar que esses fatos ocorram.

A CPTM “nada mais fez para evitar que esses fatos ocorram, para reduzir a incidência desses eventos ultrajantes, como a disponibilização de mais vagões”, apontou a relatora. De acordo com ela, entre janeiro e dezembro de 2017 houve um aumento de 35% com relação ao mesmo período de 2016 no número de assédios registrados apenas na estação Guaianazes.

“A prestação do serviço de transporte de passageiros vem propiciando eventos de assédio sexual”, denunciou Andrighi. “Não se pode deixar de ouvir o grito por socorro das mulheres, vítimas dessa prática odiosa que é o assédio.”

Em dezembro de 2017, a 4 turma do STJ já havia dito que vítimas de assédio sexual poderiam propor ações contra a CPTM. Mas o mérito do caso – a obrigação de indenizar, os transtornos causados às mulheres – não chegou a ser julgado.

A decisão desta terça-feira (15/5) só não foi acompanhada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, que preferiu seguir a jurisprudência consolidada do tribunal.

Ao lado da relatora, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino reconheceu a importância da mudança. “Esse tipo de comportamento execrável merece atenção especial e a maneira de se fazer isso é determinando a indenização para que haja um cuidado maior das transportadoras e evitar que isso possa ocorrer no futuro”, disse.

Por maioria, portanto, a Turma entendeu que “a ocorrência do assédio sexual guarda conexidade com os serviços prestados pela CPTM e, por se tratar de fortuito interno, a transportadora de passageiros permanece objetivamente responsável pelos danos causados”.

Jota – 15/05/2018

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Homens rendem segurança do Metrô do Distrito Federal e fogem levando arma, colete e celular


Até as 17h, suspeitos ainda eram procurados pela polícia. Crime ocorreu na tarde desta sexta (4); ninguém se feriu.

Dois homens armados invadiram a estação de Metrô 102 Sul, em Brasília, na tarde desta sexta-feira (4), e assaltaram o vigilante que fazia a segurança do local. Eles fugiram levando a arma, o colete à prova de balas e o telefone celular do funcionário. Ninguém foi preso.

De acordo com as investigações, os suspeitos estavam a pé e, após render o vigilante, correram em direção à região central de Brasília.

Em depoimento à Polícia Civil, o agente disse que trabalha há seis anos no posto e, até então, "jamais havia sido roubado desta maneira". Ele não se feriu.

Ao G1, o Metrô explicou que o crime ocorreu no posto de vigilância da passarela de acesso às quadras – ou seja, "fora da área interna da estação". A companhia também disse não ter imagens e nem detalhes da ocorrência.

Contrato terceirizado

Desde 2016, a segurança da estação é de responsabilidade da empresa Ágil. Até o ano passado, a prestação de serviço custava cerca de R$ 19 milhões por ano.

A reportagem entrou em contato com a direção da terceirizada para esclarecer o ocorrido e confirmar quantos agentes de vigilância estavam no posto no momento do roubo. Até às 17h, a informação ainda não tinha sido confirmada.

Segundo o Metrô, ao todo, 103 vigilantes trabalham em todo o sistema metroviário do DF. Alegando "questões de segurança", o órgão não informou quantos funcionários atuam em cada estação.

As investigações sobre o roubo da arma e do colete do funcionário estão a cargo da 1ª Delegacia de Polícia.

G1 – 04/05/2018

Tarifa do metrô de Belo Horizonte (MG) pode subir de R$ 1,80 para R$ 3,40 nas próximas semanas


A tarifa do metrô de Belo Horizonte pode subir de R$ 1,80 para R$ 3,40 nas próximas semanas, informou, neste sábado (5), o Sindmetro (Sindicado dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais). De acordo com o sindicato, o reajuste tarifário, que representa um aumento de 88% no valor atual, foi aprovado em uma reunião entre gestores da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em Natal (RN), na sexta-feira (4).
Há quase 12 anos sem reajustes, a tarifa do metrô já era objeto de um plano de ação da CBTU, finalizado em dezembro de 2017, que prevê um aumento gradual, de R$ 20 a R$ 3,24, começando a partir deste ano. No entanto, o Sindmetro afirma que a tarifa vai subir direto para um valor entre R$ 3,20 e R$ 3,40. A reportagem não conseguiu contato com representantes da CBTU para confirmar a informação. 
"Será um reajuste em nível nacional. Em Recife (PE), já se sabe que a tarifa vai para R$ 3. E nos estados em que se cobra R$ 0,50, vai para R$ 1. Em BH é que o valor ainda está oscilando entre R$ 3,20 e R$ 3,40", explica o presidente do Sindmetro, Romeu José Machado Neto. "Essa era uma vontade antiga do governo. O anúncio será feito até a próxima sexta-feira e a tarifa já deve mudar na outra semana", completa.
Para Machado Neto, o reajuste é "fora de propósito" em vista à atual situação econômica do país e às condições do metrô. "A CBTU não tem investimentos há anos. Se o reajuste viesse junto com obras de ampliação, era até justificável. Mas, pelo contrário, além de não investirem, o custeio para manter a operação do metrô foi cortado em 42%", afirma. "Ou seja, reduzem o que se gasta e aumentam a tarifa. Assim maquiam a situação da empresa para atrair investimentos da iniciativa privada", critica. 
Hoje em Dia – 05/05/2018

domingo, 6 de maio de 2018

Obra do VLT vai interromper o trânsito na Via Expressa, Fortaleza (CE) neste fim de semana; confira os desvios


Em mais uma etapa no avanço das obras de implantação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) Parangaba-Mucuripe, será realizada, neste fim de semana, uma operação para o içamento de vigas da passarela que está sendo construída em frente a Estação Pontes Vieira, no bairro Dionísio Torres. Para realizar os trabalhos, a Via Expressa, na altura da rua Vicente Leite, será bloqueada nos dois sentidos, da meia-noite deste sábado, 5, à meia-noite de domingo, 6. 

Os motoristas que vão passar pelo local devem ficar atentos aos desvios. O condutor que vem da avenida Raul Barbosa, no sentido sertão-praia, deve continuar pela Raul Barbosa e seguir pela avenida Desembargador Moreira, para ter acesso à praia; ou dobrar à direita na avenida Pontes Vieira para ter acesso à Engenheiro Santana Junior.

Já no sentido contrário, os condutores que vêm pela Via Expressa, sentido praia-sertão, devem acessar, na altura da Avenida Antônio Sales, a rampa do viaduto, para pegar a avenida Antônio Sales; ou entrar na rua Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (continuação da Virgilio Távora) na alça de acesso a Via Expressa. Agentes de trânsito estarão no local para orientar os motoristas.

Avanço do VLT

Atualmente o VLT, ramal Parangaba-Mucuripe, já está em operação assistida, com transporte de passageiros de forma gratuita, no trecho que liga as estações Parangaba e Borges de Melo. A operação acontece de 6h às 12h, de segunda a sexta-feira. As obras nesse trecho já foram concluídas.

Já o trecho entre as estações Borges de Melo e Iate segue em obras. Nesse trecho, já foi iniciada a operação experimental, sem passageiros, entre as estações Borges de Melo e São João do Tauape. A estimativa é concluir o trecho todo até o final de 2018. Já as obras da passagem inferior da avenida Borges de Melo devem ser entregues ainda no primeiro semestre de 2018.

O ramal Parangaba-Mucuripe terá 13,4 quilômetros, ligando os bairros Mucuripe e Parangaba. Desta extensão, serão 12 quilômetros em superfície e 1,4 quilômetro de trechos elevados. Ao todo, são dez estações: Parangaba; Montese; Vila União; Borges de Melo; São João do Tauape; Pontes Vieira; Antônio Sales; Papicu; Mucuripe e Iate.

O Povo – 95/05/2018