terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Governo de SP estuda reajuste da tarifa de trens e Metrô para 2018

Passagem pode sofrer reajuste nos últimos dias de dezembro se for repetido o mecanismo dos últimos dois aumentos feitos pela Prefeitura e governo estadual; gestão Doria diz apenas que 'ainda não há definição'.

Perto do final do ano, o governo de São Paulo afirma que estuda “possibilidades sobre o reajuste da tarifa” de Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para 2018.

O valor unitário da passagem, de R$ 3,80, foi instituído em janeiro de 2016 e não sofreu reajustes no final do último ano após o prefeito João Doria anunciar o congelamento da tarifa de ônibus. A decisão acabou sendo seguida pelo governador Geraldo Alckmin para o Metrô e para a CPTM.

Em relação à tarifa de 2018, a Secretaria de Transportes Metropolitanos, do governo estadual, confirmou apenas que são feitos estudos, mas não adiantou qual valor deve ser adotado.

Já a gestão Doria, questionada se haverá aumento para ônibus ou se a medida está descartada, afirmou apenas que “não há definição sobre o assunto”.

O aumento na tarifa do transporte público de São Paulo é geralmente combinado entre a prefeitura e o governo estadual para que aconteça na mesma data e nos mesmos valores para ônibus, metrô e trens.

Desde os protestos de junho de 2013 contra um aumento de R$ 0,20 na tarifa, promovidos principalmente por estudantes, as autoridades paulistas não dão pistas sobre os reajustes até o final de dezembro de cada ano, quando o anúncio ocorre no meio do período de festas.

Em 2014, por exemplo, a gestão Fernando Haddad (PT) anunciou o reajuste da tarifa de R$ 3 para R$ 3,50 no dia 26 de dezembro. Três dias depois, o governo de São Paulo confirmou o aumento também para o transporte sobre trilhos, e o novo preço entrou em vigor em 6 de janeiro.

Em 2015, o anúncio foi feito no dia 30 de dezembro pela prefeitura e pelo governo de São Paulo. O valor de R$ 3,80 passou a valer em 9 de janeiro de 2016.

Em 2017, a passagem unitária ficou congelada, mas houve aumento no valor da integração, aplicado em abril.

Subsídios

A prefeitura tenta tirar do papel uma nova contratação das empresas de ônibus. O atual serviço foi contratado em 2003, na gestão Marta Suplicy. Os acordos venceram em 2013 e vêm sendo renovados anualmente. Em 2019, porém, pela Lei de Licitações, já não poderão ser renovados.

A administração municipal diz esperar melhorar a eficiência e a prestação do serviço fazendo uma nova contratação de empresas para realizarem o serviço na capital.

A gestão João Doria informa no projeto de lei do Orçamento de 2018 que prevê reduzir o gasto com subsídio ao sistema de ônibus em 25,1%. Esse é o gasto com compensações para cobrir gratuidades, e que em 2017 baterá o recorde de R$ 3,1 bilhões, segundo previsão da prefeitura. A administração municipal não detalha como conseguirá reduzir esse gasto para os R$ 2,3 bilhões previstos para o ano que vem.


G1  - 12/12/2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Vítima de assédio sexual no vagão do trem pode propor ação contra CPTM.

Ministros da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça devolvem à primeira instância ação de uma mulher vítima de atos libidinosos sob argumento de conexão entre a atividade do prestador do serviço do transporte público e o crime.

Nos casos de assédio sexual contra usuária de transporte público – praticado por outro usuário no interior do veículo –, a vítima poderá propor ação de indenização contra a concessionária que administra o sistema. Nessas hipóteses, a depender do conjunto de provas e do devido processo legal, poderá ser considerada a conexão entre a atividade do prestador do serviço e o crime sexual.

Com base nesse entendimento, os ministros da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça determinaram o retorno para o primeiro grau de uma ação de indenização por danos materiais e morais ajuizada por vítima de atos libidinosos praticados por outro passageiro dentro de um vagão da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

As informações foram divulgadas no site do STJ.

Segundo o relator, ministro Luis Felipe Salomão, as alegações da autora da ação ‘preenchem de forma satisfatória os requisitos de legitimidade e interesse de agir’.

“Sem antecipar qualquer juízo de valor entre o caso concreto, ausente ainda qualquer precedente na Corte por caso similar, é possível, a meu ver, que o ato libidinoso/obsceno que ofendeu a liberdade sexual da usuária do serviço público de transporte, praticado por outro usuário, possa, sim, após o crivo do contraditório e observado o devido processo legal, ser considerado conexo à atividade empreendida pela transportadora”, assinalou Luís Felipe Salomão.

O ministro ressaltou que, no caso analisado, ‘a legitimidade extrai-se do fato de a demandante ter pleiteado indenização da fornecedora do serviço público imputando-lhe ato omissivo, por não ter adotado todas as medidas possíveis para garantir sua segurança dentro do vagão de metrô’.

Salomão destacou também que ‘o interesse processual se revela em razão da notória resistência da transportadora em assumir a responsabilidade por atos praticados por usuários em situações similares’.

Responsabilidade objetiva. Na petição inicial, a mulher – que na época era menor de idade – sustentou ser ‘indiscutível a responsabilidade objetiva da CPTM’, que teria faltado com seu dever de garantir a segurança dos usuários. Ela pediu indenização por dano moral e pagamento de ressarcimento pelo não cumprimento do contrato de transporte, ‘já que, depois de sofrer o assédio, não terminou a viagem’.

O magistrado de primeiro grau indeferiu o pedido, julgando extinto o feito sem resolução do mérito.

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a sentença por considerar que a prática de infração criminosa por terceiros no interior de trens ‘é fato que extrapola o serviço de transporte prestado pela concessionária, não sendo possível falar em responsabilidade objetiva’.

Para Salomão, ‘não é possível duvidar da responsabilidade objetiva da concessionária por quaisquer danos causados aos usuários, desde que atendido o pressuposto do nexo de causalidade, o qual pode ser rompido por razões como fato exclusivo da vítima, fato exclusivo de terceiro, caso fortuito ou força maior’.

“Na espécie, as instâncias ordinárias consideraram que, por ter sido o ato libidinoso, popularmente assédio sexual, praticado por terceiro usuário, estaria inelutavelmente rompido o nexo causal entre o dano sofrido pela vítima e o alegado descumprimento do dever de segurança/incolumidade atribuído à transportadora”, anotou o ministro.

Ele citou ainda decisão do Supremo Tribunal Federal segundo a qual a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público ostenta responsabilidade objetiva em relação aos usuários de serviço público.

O relator argumentou que dispositivos do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor também preveem que o transportador responde pelos danos causados aos passageiros, ‘sendo passíveis de reparação os danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços’.

Prestador de serviço. Luis Felipe Salomão afirmou que, no que diz respeito às empresas de transporte de pessoas, a jurisprudência do STJ tem adotado o entendimento de que o fato de terceiro que apresente vínculo com a organização do negócio caracteriza fortuito interno, o que não exclui a responsabilidade objetiva do prestador do serviço.

“Cumpre, portanto, ao Judiciário aferir se, uma vez ciente do risco da ocorrência de tais condutas inapropriadas no interior dos vagões, a transportadora pode ou não ser eximida de evitar a violência que, de forma rotineira, tem sido perpetrada em face de tantas mulheres”, observou.

COM A PALAVRA, A CPTM

“A CPTM irá apresentar a sua defesa durante o processo judicial e acatará a decisão definitiva da Justiça.”

Assessoria de Imprensa CPTM


O Estado de São Paulo – 08/12/2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Usuários do metrô de Recife denunciam falta de segurança, atraso e calor


Passageiro diz que tentou levar à questão Ouvidoria do Metrô, mas o que o telefone 2102 8580 não atende.

Usuários do metrô do Recife denunciam uma série de transtornos que têm endrentado diariamente. Entre os problemas apresentados: demora entre as viagens, ar condicionado desligado, falta de segurança. "Temos que ir nas viagens em um calor terrível e os órgãos responsáveis não dão nenhuma posição", queixou-se Mireles Paixão.

"Isso ocorre porque fica muito ambulante em uma área muito apertada, onde nós passageiros temos que passar. Os seguranças do metrô sabem, mas dizem que não podem fazer nada", completou Cristiano César. Ele adianta que tentou levar à questão à Ouvidoria do Metrô, mas o que o telefone 2102 8580 não atende.


Diário do Pernambuco – 07/12/2017

Comentário do Sinferp

Como o ouvidor tem ouvidos seletivos, ele só atende e ouve elogios,

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Governo de MT aponta falhas graves, rescinde contrato com Consórcio VLT e pede multa de R$ 147 milhões

Entre as irregularidades identificadas pela comissão composta por membros da PGE, CGE e Secid está o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, como o citado na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Nova licitação deve ser lançada em 2018.

O contrato entre o estado e o consórcio de empresas responsável pelas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) foi rompido depois que uma Comissão de Processo Administrativo identificou irregularidades graves cometidas pelo Consórcio VLT, como o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. A rescisão contratual foi anunciada pelo governo nessa segunda-feira (4).

O Consórcio VLT informou que aguarda ser notificado para se manifestar sobre o assunto.

As negociações já tinham se esgotado e, na semana passada, o estado divulgou a pretensão de lançar no ano que vem licitação para contratação de outra empresa para concluir o projeto de mobilidade urbana, previsto para a Copa do Mundo de 2014.

Mas, o estado alega que o Consórcio VLT não cumpriu com o previsto no contrato e quer que sejam aplicadas penalidades por descumprimento de acordo, entre elas a fixação de multa de R$ 147 milhões, que corresponde a 10% do valor do contrato.

O estado informou ainda que vai reivindicar indenização pelos prejuízos causados ao estado e que não vai pagar mais nenhum valor ao consórcio.

"Com a rescisão do contrato, nenhum valor será pago ao Consórcio VLT. Todas as multas e prejuízos causados ao Estado de Mato Grosso serão abatidos dos créditos do Consórcio VLT", diz.
Os principais motivos que levaram ao rompimento contratual foram levantados na Operação Descarrilo, deflagrada pela Polícia Federal, em agosto deste ano, para investigar fraudes em procedimentos licitatórios, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais que teriam ocorrido durante a escolha do modal do VLT e a execução da obra na capital mato-grossense.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

De acordo com o estado, depois dessa operação que trouxeram à tona informações até então desconhecidas pelo governo, foi instaurado processo administrativo para apurar a responsabilidade do Consórcio VLT nas fraudes. Alegou que foi garantida a ampla defesa às empresas na apuração feita em conjunto entre a Procuradoria Geral do Estado (PGE), a Secretaria Estadual das Cidades (Secid) e a Controladoria Geral do Estado

A comissão chegou à conclusão de que houve atos de inidoneidade consistentes no pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, que constam na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), subcontratação de empresas para executar parte da obra com irregularidades e descumprimento de cláusulas do contrato.

Agora, de acordo com o estado, está sendo elaborado um edital de licitação, na modalidade Regime Diferenciado de Contratação (RDC), para a escolha de uma nova empresa para concluir as obras relacionadas ao VLT. A previsão é emitir a ordem de serviço até junho de 2018 e, a partir daí concluir a obra em dois anos.

Desvio de verba da Copa

Em depoimento feito à Procuradoria Geral da República (PGR), no acordo de delação, Silval Barbosa afirmou ter obtido retorno de 3% em propina com a construção da Arena Pantanal, estádio construído em Cuiabá para a Copa. Também afirmou que sete então deputados estaduais o procuraram e exigiram dinheiro de propina de obras da Copa para aprovar as contas do Executivo durante a gestão dele.


G1 – 05/12/2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Empresa propõe reativar aeromóvel na orla de Porto Alegre 35 anos depois

Ideia é recuperar e ampliar o traçado já existente para funcionar sob operação privada,
O debate sobre a implantação de linhas de aeromóvel em Porto Alegre  voltou a ganhar fôlego. A empresa Aeromovel Brasil S/A apresentou à prefeitura uma proposta de revitalização e ampliação do trecho de testes já existente, localizado nas proximidades da Usina do Gasômetro, para entrar em operação regular 35 anos depois de sua construção.

A intenção é buscar o aval do município para que a iniciativa privada coloque em uso e opere a antiga linha depois de ser renovada e ampliada por uma distância ainda não definida. Estimativas de demanda, custos e o trajeto final ainda serão detalhados em estudos a serem realizados em um prazo estimado de seis meses.

— A ideia é achar um traçado viável e que tenha demanda, que se encaixe no sistema de mobilidade da Capital, para entrar em funcionamento como uma operação privada — afirma o CEO da Aeromóvel Brasil, Marcus Coester.

Na manhã desta segunda-feira (27), a empresa entregou a representantes da prefeitura uma proposta de manifestação de interesse para desenvolver o projeto na cidade sem necessidade de recursos municipais. É um primeiro passo para a proposta ser melhor estudada e ganhar contornos mais claros. Uma das definições pendentes é o modelo jurídico que poderia ser adotado caso a ideia avance, combinando o investimento e a operação privados com a gestão pública da mobilidade urbana.

Em relação ao traçado, há diferentes possibilidades no horizonte — todas aproveitando o trecho de linha já existente. Uma delas prevê a interligação do Centro com a Zona Sul. Em 2013, mediante um acordo de cooperação entre a prefeitura e a Trensurb, chegaram a ser realizados estudos de demanda para esse eixo, que previa três fases de implantação: do Mercado até as proximidades do Praia de Belas Shopping, de lá até o Cristal, e um último percurso até a Juca Batista. Estimou-se que a ligação entre o Mercado e o shopping — uma das mais cotadas para sair do papel — movimentaria algo em torno de 30 mil passageiros por dia.

O projeto acabou arquivado. Um dos desafios, segundo o gerente de Planejamento de Mobilidade da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Luis Claudio Ribeiro, é garantir que trajetos curtos como a rota Centro-Praia de Belas (com pouco mais de quatro quilômetros) sejam viáveis financeiramente sem valores elevados de passagem ou subsídio público. Marcus Coester garante que um número mínimo de 20 mil passageiros por dia já tornaria o sistema sustentável.

Por isso, a iniciativa privada estaria disposta a tocar a obra mesmo sem dinheiro da prefeitura — o prefeito Nelson Marchezan já informou ao empresário que é uma condição para a continuidade das negociações.

— Com 20 mil passageiros, é possível colocar o aeromóvel em funcionamento com um valor de passagem equivalente à de um ônibus, algo próximo de R$ 4 hoje — afirma Coester.

Outra possibilidade seria erguer um percurso em formato de anel seguindo o traçado da Primeira Perimetral — ao longo das vias Loureiro da Silva, Mauá, Conceição e do Gasômetro. As linhas gerais do plano foram apresentadas durante o seminário Aeromóvel — Solução ou Utopia? realizado pela Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs). Até pouco tempo, os vagões impulsionados por ar disputavam atenção e recursos com concorrentes como metrô e BRT. Como o metrô está momentaneamente descartado, e os BRTs previstos para a Copa de 2014 não foram implantados, o aeromóvel voltou a ganhar visibilidade. Os rumos da proposta vão depender, a partir de agora, dos novos estudos a serem apresentados ao município.

Zero Hora – 27/11/2017

Metrô de Brasília: greve evidencia a precariedade

Trens parados, usuários andando nos trilhos e bilheteria depredada. A confusão que aconteceu ontem, na estação Praça do Relógio, após pane em um equipamento da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF), expõe problemas ainda maiores, que se intensificam durante a greve: déficit de servidores, manutenção precária e uma malha metroviária que não atende todas as regiões do DF.
Por volta das 6h30 de ontem, um problema técnico na máquina de chave fez com que os trens circulassem em velocidade reduzida. Mais tarde, com os vagões lotados por conta do horário de pico, usuários começaram um tumulto, quebrando janelas e vidros, e alguém acionou o botão de emergência. Com o carro parado a cerca de 100 metros da Estação Praça do Relógio (Taguatinga), as portas dos vagões se abriram e os usuários foram caminhando até a estação. Ali, alguns quebraram a vidraça da bilheteria.
“A manutenção é uma porcaria”, acusa o especialista em transporte Carlos Penna. “É um trabalho a ser feito continuamente, senão todo o sistema vai se deteriorando. Existem 32 trens e o presidente da empresa diz que em horário de pico consegue colocar 24 em funcionamento. Oito não funcionam. Eu teria vergonha de dizer isso. Ano passado eram 26 em horário de pico. Ou seja, em 2017 mais dois ficaram encostados”, ataca. Por ano, o Metrô gasta R$ 1,5 milhão com todos os tipos de manutenção, realizada por empresa terceirizada.
O especialista elenca outras dificuldades. “Há déficit de pessoal. Era para ter 2,1 mil funcionários para poder funcionar direito, e no último dado que tive acesso eram 1,1 mil no quadro atual. Os números de trens e de estações são baixos. Tem estação pronta e que não abre. É uma empresa que não consegue fazer o sistema funcionar como um todo”, dispara.
A contratação de servidores é uma das principais reivindicações do Sindicato dos Metroviários (SindMetrô). Pelas contas dos sindicalistas, em 2016 a companhia deixou de arrecadar R$ 3,1 milhões com a abertura das catracas pela falta de funcionários. De janeiro a julho deste ano, foram R$ 2,2 milhões.
A diretora do Sindmetrô Renata Campos afirma que a categoria espera o cumprimento do acordo assinado em 2015, que prevê reajuste salarial e convocação dos concursados: “Estavam previstos 320 servidores mais 301 para cadastro reserva. Esse é o número que precisamos para que o metrô funcione”.
“Temos diversas situações-problema: descaso da empresa com o sistema, manutenção precária, quantitativo baixo de funcionários. Estamos reivindicando uma causa justa”, completa.
A companhia reconhece o déficit de pessoal, que afeta principalmente os serviços de operação – segurança e estações. Por isso, em nota, o Metrô informou que deu início às contratações dos 232 aprovados no concurso de 2013. “Já tomaram posse 120 concursados. O cronograma atenderá mais 126, que tomarão posse em fevereiro e maio de 2018. Estão sendo chamados mais candidatos do que o previsto inicialmente no concurso”, alega.
Usuários destacam insatisfação
A estimativa é de que 160 mil pessoas utilizem o metrô diariamente, e elas não poupam críticas. O estudante John Douglas Taiwan, 21 anos, conta que ontem, após as falhas, a velocidade estava normal. “O problema é a demora para embarcar. Esperei mais de 30 minutos fora do horário de pico”, conta.
Para o estudante, a greve veio para complicar ainda mais os serviços. “Em geral já deixa muito a desejar. Tem que aumentar a frota para não ficar tão lotado. Além do que o metrô não chega a todas as regiões. Brasília carece disso”, aponta John.
A mesma visão tem o bombeiro militar Diovani Martins, 48 anos. “A greve piorou tudo. É uma passagem muito cara para a gente não ter resultado, não ter comodidade”, alega. Segundo ele, uma solução viável seria diminuir o intervalo entre os trens. “Ajudaria a amenizar os problemas”, completa o bombeiro.
O casal Mônica e Alex Alves, 38 e 43 anos, respectivamente, também utiliza diariamente o transporte. As reclamações são as mesmas: lotação e demora. “O transporte público aumentou o preço, e a qualidade não é vista. Nós, usuários, sentimos falta disso, de um cuidado maior”, afirma o militar.
Greve continua
Não há nenhuma previsão de término da greve dos metroviários, que já dura 27 dias. Segundo a diretora do Sindmetrô Renata Campos, a categoria ainda não recebeu nenhuma proposta do GDF nem da empresa. “Continuamos da mesma forma. Nós nos colocamos à disposição para conversar sobre as tratativas da greve, mas não quiseram”, alega.
O desembargador Pedro Luís Vicentin Foltran, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT/10), determinou um esquema de operação do serviço durante a greve. No horário de pico – das 6h às 8h45 e 16h45 às 19h30 -, 75% da frota têm que rodar, ou 18 trens. Fora deste horário, 30% dos trens têm de prestar o serviço.
No fim de semana, os números são diferentes: no sábado, a quantidade mínima de trens é modificada – 11 durante o horário de pico e entre três e quatro no restante do tempo. No domingo, devem circular entre dois e três trens.

Jornal de Brasília – 04/11/2017

MPE e Siemens buscam acordo de R$ 1 bilhão

O valor se refere às ações movidas contra a empresa que tiveram origem nas investigações que apuram crimes em licitações envolvendo Metrô e CPTM
São Paulo – O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo e a multinacional alemã Siemens voltaram a sentar à mesa de negociação para fechar acordo para suspender as ações contra a empresa na esfera civil envolvendo as apurações do caso conhecido como o cartel dos trens, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

O acordo prevê um pagamento de uma multa superior a R$ 1 bilhão. O valor se refere às ações movidas contra a empresa que tiveram origem nas investigações que apuram a ocorrência de crimes em licitações envolvendo Metrô e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O acordo, no entanto, divide promotores.

Advogados da multinacional alemã estiveram reunidos na semana passada com promotores do Patrimônio Público de São Paulo e o procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio. Os detalhes ainda não estão acertados entre as duas partes. O Estado apurou que a multinacional, além de pagar multa, vai admitir a prática de ilícitos. O termo se refere apenas às ações referentes à formação de cartel para atuar em licitações dos trens de São Paulo. De acordo com as investigações, as empresas superfaturavam em até 30% o preço das obras e dos trens, como combinavam qual delas.
Apesar de estar em fase avançada de negociação, o acordo com a Siemens não é unanimidade entre os promotores. Uma ala da Promotoria ainda não aceita a resistência que a multinacional tem apresentado em delatar agentes públicos e políticos supostamente envolvidos no esquema.
Fontes no Ministério Público informam, entretanto, que o acordo está próximo de ser fechado. Nem todos os promotores responsáveis por ações contra a Siemens foram consultados ou concordam com termos que estão sendo negociados.
Não é a primeira vez que a empresa alemã tenta um acordo. Em 2016, por intermédio do escritório Trench Rossi Watanabe, a multinacional consultou promotores do Patrimônio Público, alegando que queria colaborar com as investigações. As tratativas, no entanto, teriam emperrado porque a empresa não aceitou o reconhecimento de culpa e, mais uma vez, hesitou em apontar agentes públicos e políticos envolvidos aos investigadores.
Agora, as negociações são conduzidas por outros membros do MP, que não participaram das tratativas no ano passado. No Ministério Público Estadual, corre, por exemplo ação contra a multinacional que cobra R$ 1 bilhão e pede a dissolução de empresas envolvidas no cartel dos trens.
Negociação

A Siemens firmou acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em maio de 2013. Ao colegiado, ex-executivos da multinacional confessaram que o cartel operou em São Paulo entre os anos de 1998 e 2008 – nos governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.
A colaboração com as investigações da Promotoria do Patrimônio Público de São Paulo já passou por diversos entraves. Em 2014, a empresa chegou a oficiar que não obteve dados sobre executivos solicitados pelo Ministério Público.
Em Termo de Ajustamento de Conduta, homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público, em 2014, a multinacional prometeu colaborar com documentos que ajudassem nas investigações sobre o cartel de trens e metrô de SP. Promotores ouvidos pelo Estado afirmam que até hoje estão esperando tais provas. Em tratativas recentes, a multinacional alemã afirmou que os executivos supostamente envolvidos em ilícitos foram demitidos.

Exame – 04/12/2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Passageiros quebram bilheteria do Metrô do Distrito Federal em tumulto após paralisação do sistema

Circulação foi interrompida porque homem tinha invadido trilhos. Imagens mostram estilhaços de vidro espalhados pelo chão.

Passageiros depredaram a bilheteria e quebraram catracas do Metrô do Distrito Federal na manhã desta segunda-feira (4). Eles estavam a bordo de quatro trens que ficaram parados por pelo menos 30 minutos.

O sistema precisou ser paralisado após uma pessoa invadir os trilhos próximo à Praça do Relógio. Os passageiros só saíram depois de apertar o botão de emergência e também caminharem pelos trilhos. Durante a confusão, pelo menos uma mulher passou mal.

Imagens mostram estilhaços de vidro da bilheteria espalhados pelo chão. Houve gritaria durante o tumulto. A Polícia Militar não foi acionada para atuar no caso.

Segundo o Metrô, que ainda levantava o tamanho do prejuízo, foram quebradas janelas em três trens. Por volta das 8h50, o sistema voltou a rodar, após ficar paralisado por uma hora e meia desde a Praça do Relógio até a estação terminal Ceilândia.

Devido à greve de metroviários, o serviço estava operando com 18 trens no horário de pico. A partir das 8h45, no entanto, é reduzido para cinco trens.

A greve começou em 9 de novembro. Entre outras demandas, os funcionários pedem 8,4% de aumento para cobrir perdas inflacionárias.


G1 – 04/12/2017

domingo, 3 de dezembro de 2017

Linhas 1 e 2 do VLT do Rio de Janeiro ganham nova estação

A estação Praia Formosa fica localizada na Rua General Luis Mendes de Moraes, ao lado do terminal de ônibus Padre Henrique Otte.
Rio - Os passageiros da linha 1 e 2 do VLT Carioca ganharam na manhã deste sábado mais uma estação: a Praia Formosa. A nova parada fica localizada na Rua General Luis Mendes de Moraes, ao lado do terminal de ônibus Padre Henrique Otte, sendo um dos pontos de partida. A linha 1 opera de Praia Formosa ao Santos Dumont de 6h à meia-noite. E a linha 2 opera de 6h às 20h entre Praia Formosa e Praça XV e de 20h à meia-noite entre Central e Praça XV.
Desembarcando nesta manhã na estação, o passageiro Isac Rodrigues, 29, diz que sempre utiliza o meio de transporte e aprovou a localização. "Gostei porque é mais uma opção. Também gosto do serviço de forma geral. A única coisa que poderia ser menor é o intervalo de chegada de cada composição", observa.
A expectativa é que o número de viagens aumente em dezembro. E a assessoria do VLT Carioca informou que os intervalos da linha 2, que hoje são de 7 minutos no início da manhã e no fim da tarde, se manterão reduzidos de 6h30 às 20h. Serão 25 viagens a mais nessa linha com uma redução de até 30% no tempo de espera entre 10h e 16h.
O movimento nesta manhã na nova estação era tranquilo e a chuva prometida não apareceu, propiciando um clima perfeito para os passeios. Tanto que o supervisor de segurança Ciro Valdez, 43, aguardava o embarque para levar sua parceira Monica da Silva, 48, moradora de Cabo Frio, para passear pela primeira vez de VLT pela cidade. "Nem sabia que ia inaugurar esta parada hoje. Mas adorei que já comprei aqui o bilhete. O passeio neste tipo de transporte fica mais bonito, ela vai gostar", garante.
Ainda segundo a assessoria, a expectativa é que a nova parada atraia um bom fluxo de passageiros, principalmente nos dias úteis. "Muitos usuários chegam no terminal diariamente em linhas municipais e terão acesso facilitado e integração com o VLT".
Este ano não serão inauguradas mais estações. Mas a principal novidade em 2018 será a implantação da linha 3, que fecha o projeto. A linha ligará a Central ao Santos Dumont via Marechal Floriano. Os trabalhos de engenharia já começaram e as obras civis começam em janeiro. A previsão é que a linha entre em operação até o fim de 2018.

O Dia – 02/12/2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

Princípio de incêndio esvazia trem do Metrô na Estação Arniqueiras, no Distrito Federal

'Plástico ou papel inflamável', segundo autarquia, causaram problema. Veículo estava parado para embarque e desembarque no local, quando passageiros e agentes de segurança notaram a fumaça. Ninguém ficou ferido.

Um trem do Metrô precisou ser esvaziado na manhã desta sexta-feira (1º) na Estação Arniqueiras, no Distrito Federal, depois de um princípio de incêndio. O veículo estava parado para embarque e desembarque no local, quando passageiros e agentes de segurança notaram a fumaça. A autarquia informou que o problema foi causado por um plástico ou papel inflamável jogado no trilho.
Apesar do susto, ninguém se feriu. De acordo com o Metrô, uma peça na parte debaixo do trem, entre o veículo e o trilho, chamada de "churrasqueira", apresentou o problema. Ela dissipa o calor durante o processo de frenagem.

O trem foi recolhido para avaliação e substituído por outro. O incidente aconteceu às 10h, e o atraso para o sistema foi de 20 minutos.

Ainda segundo o Metrô, por volta das 11h20 havia cinco trens em circulação – conforme determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho para períodos fora de pico durante a greve de servidores. O serviço continua ocorrendo entre 6h e 23h30, com menos estações funcionando.

Greve

Os metroviários entraram em greve no dia 9 de novembro, pedindo reajuste salarial e contratação de novos servidores. O governador, Rodrigo Rollemberg, disse na ocasião que já havia atendido à reivindicação e que contratou mais servidores.

Segundo o sindicato da categoria, há déficit de cerca de 800 funcionários. O quadro atualmente tem 1,2 mil servidores. O salário inicial de um agente de segurança da empresa é de R$ 2,9 mil, o mais baixo da empresa. O maior salário inicial é o de engenheiro – R$ 6 mil. Por causa da defasagem de funcionários, é comum que catracas sejam liberadas para a entrada de passageiros.

Em dias normais, o serviço atende diariamente 160 mil pessoas, entre 6h e 23h30 de segunda a sábado e 7h às 19h aos domingos e feriados. O metrô circula nas regiões mais populosas do DF – Ceilândia, Taguatinga e Samambaia. Ele também passa por Águas Claras, Guará e Plano Piloto.
O sistema tem 42,3 quilômetros de extensão. A estação com maior fluxo é a da Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 20 mil pessoas por dia.


G1 – 01/12/2017